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ANFÍBIOS

A Classe Amphibia inclui as cecílias (Ordem Gymnophiona), as salamandras (Ordem Caudata) e os sapos, rãs e pererecas (Ordem Anura). Embora existam variações na forma do corpo e nos órgãos de locomoção, pode-se dizer que a maioria dos anfíbios atuais tem uma pequena variabilidade no padrão geral de organização do corpo. O nome anfíbio indica apropriadamente que a maioria das espécies vive parcialmente na água, parcialmente na terra, constituindo-se no primeiro grupo de cordados a viver fora da água. Entre as adaptações que permitiram a vida terrestre incluem pulmões, pernas e órgãos dos sentidos que podem funcionar tanto na água como no ar. Dos animais adaptados ao meio terrestre, os anfíbios são os mais dependentes da água. Foram os primeiros a apresentar esqueleto forte e musculatura capaz de sustentá-los fora d'água.

Sua pele é bastante fina e para evitar o ressecamento provocado pela exposição ao sol, possui muitas glândulas mucosas. Estas liberam um muco que mantém a superfície do corpo úmida e lisa, diminuindo o atrito entre a água e o corpo durante o mergulho.

A epiderme também possui pouca quantidade de queratina, uma proteína básica para a formação de escamas, placas córneas, unhas e garras. A ausência destas estruturas os torna frágeis em relação à perda de água e também quanto à sua defesa de predadores. Por isso, alguns anfíbios desenvolveram glândulas que expelem veneno quando comprimidas.

A respiração dos anfíbios pode ocorrer através de brânquias e da pele (na fase larval e aquática) e da pele e de pulmões quando adultos e terrestres.

São ectotérmicos, ou seja, a temperatura do corpo varia de acordo com a temperatura do ambiente. Por isso, em épocas frias ou muito secas, muitas espécies enterram-se sob o solo aí permanecendo até a época mais quente e chuvosa. Este comportamento, em muitos locais do Brasil, deu origem à lenda de que os sapos caem do céu, pois, com a umidade provocada pelas chuvas, os anfíbios saltam das covas onde estavam em estado de dormência, para a atividade.

Também dependem da água para se reproduzirem: a fecundação ocorre fora do corpo da fêmea e o gameta masculino necessita do meio aquoso para se locomover até o óvulo da fêmea. Esta dependência ocorre também porque os ovos não possuem proteção contra a radiação solar e choques mecânicos. O desenvolvimento da larva é indireto, ou seja, a larva após a eclosão do ovo, passa por várias transformações até atingir a forma adulta, como acontece com o girino.

A maioria das espécies de anfíbios apresenta hábitos alimentares insetívoros, sendo, portanto, vertebrados controladores de pragas. Muitas espécies, sensíveis a alterações ambientais (desmatamento, aumento de temperatura ou poluição) são consideradas excelentes bioindicadores. A diminuição de certas populações tem sido atribuída a alterações globais de clima e para certos biomas do Brasil, como a Mata Atlântica, os declínios populacionais ou mesmo extinção de anfíbios têm sido atribuídos ao desmatamento.

Algumas espécies, como a perereca-da-folhagem (Phyllomedusa bicolor) e o sapinho pingo-de-ouro (Brachycephalus ephipium) têm sido alvo de estudos bioquímicos e farmacológicos, para isolamento de substâncias com possíveis usos medicinais. Estes são apenas dois exemplos de uso potencial de anfíbios, que têm despertado interesse científico e comercial internacional e gerado problemas de "pirataria biológica" devido a falta de uma política clara sobre o uso da biodiversidade do Brasil.

PERERECA (Hyla sp. e Phyllomedusa sp.)
RÃZINHA (Physalaemus centralis)
PERERECA CABRINHA (Hyla albopunctata)
RÃZINHA DO CAPIM (Eleutherodactylus juipoca)
PERERECA DA MATA (Osteocephalus langsdorffii)
RÃZINHA PINTADA (Chiasmocleis albopunctata)
PERERECA DE BANHEIRO (Scinax fuscovaria)
SAPO (Bufo marinus)
PEREREQUINHA DO BREJO (Hyla sanborni)
SAPO AMARELO (Bufo crucifer)
PEREREQUINHA DO BREJO (Hyla nana)
SAPO CURURU (Bufo ictericus)
PINGO DE OURO (Brachycephalus ephippium)
SAPO DE CHIFRE (Proceratophrys boiei)
RÃ ASSOBIADEIRA (Leptodactylus fuscus)
SAPO FOLHA (Zachaenus parvulus)
RÃ CACHORRO (Physalaemus cuvieri)
SAPO FLECHA DE VENENO DA AMAZÔNIA (várias espécies)
RÃ COMUM (Leptodactylus ocellatus)
SAPO GUARDA (Elachistocleis cf. ovalis)
RÃ DA MATA (Eleutherodactylus binotatus)
SAPO MARTELINHO (Hyla biobeba)
RÃ DO HORTO (Leptodactylus cf. notoakitites)
SAPO MARTELO (Hyla faber)
RÃ PIMENTA (Leptodactylus labyrinthicus)
SAPO PIPA (Pipa ssp)
RÃ QUATRO OLHOS (Physalaemus nattereri)
SAPO PULGA (Brachycephalus didactylus)
RÃZINHA (Eleutherodactylus guentheri)


PERERECA (Hyla sp. e Phyllomedusa sp.)

perereca
Hyla arborea
Características – os ossos dos dedos são elásticos e na extremidade de cada dedo existem pequenas almofadas adesivas com que se prendem facilmente aos galhos. Além disso, são dotados de membranas elásticas (interdigitais), que quando estendidas formam uma espécie de pipa. Encurvando o tórax e estendendo as pernas, as pererecas podem realizar vôos de quase dois metros.
Habitat – brejos, pântanos, florestas
Ocorrência – todo o Brasil
Hábitos – noturnos e crepusculares
Alimentação – insetívoros
Reprodução – ovos são fertilizados pelo macho após à postura. Primeiro escolhem uma árvore pendente sobre o pântano ou charco. Os ovos, depositados nas folhas dos ramos mais baixos, estão envolvidos em uma substância pegajosa, parecida com clara de ovo. A fêmea, ajudada às vezes pelo macho, bate essa massa com as patas traseiras até que ela fique com o aspecto de clara batida em neve. Quando nascem, os girinos secretam uma substância que os livra da massa pegajosa. Caem então no pântano e começam sua vida aquática.


Hyla versicolor
anfibio
Hyla circundata
anfibios
Hyla pulchella


PERERECA CABRINHA (Hyla albopunctata)

Características - de médio porte, com cerca de 5 cm de comprimento rostro-cloacal. Coloração que vai do amarelo ao marrom, passando pelo predominante avermelhado. Possui faixas escuras transversais no dorso e nas pernas. Possui focinho alongado, com uma faixa escura lateral. As coxas apresentam característicos pontos amarelos na face interior. Tanto os machos como as fêmeas apresentam espinhos sexuais nas mãos.
Habitat – florestas
Ocorrência – Planalto Central, principalmente no sudeste do Brasil e Paraná. Contudo, parece estar ampliando sua distribuição em decorrência de ações antrópicas
Hábitos - vocaliza preferencialmente em áreas abertas no chão ou sobre a folhagem, às margens de riachos ou ambientes lênticos, permanentes ou temporários. Os machos iniciam a vocalização logo após o ocaso, atingindo o pico de atividade por volta das 21 horas. A cantoria pode perdurar até poucos minutos antes da aurora. Nos dias de noite clara (lua crescente ou cheia) os machos vocalizam em locais onde a vegetação é mais densa. São reconhecidas três vocalizações para esta espécie: "vocalização de anúncio", "vocalização territorial" e "grito de agonia". Este último é emitido quando a espécie é atacada por um possível predador, ou mesmo quando o animal é manipulado. Os machos maiores tomam uma posição central no coro, podendo ocupar o mesmo sítio de vocalização por até duas semanas seguidas, ao passo que os menores deslocam-se mais (até 55 metros) assumindo um posicionamento periférico. Sendo assim, há indícios de que seja uma espécie territorial, contudo, não existem relatos de combates entre machos.
Alimentação – insetos
Reprodução – período reprodutivo desta espécie pode compreender apenas a estação quente e úmida do ano, ou prolongar-se ao longo de quase todo o ano. Os casais podem permanecer em amplexo por até três horas antes da desova, a qual consiste em mais de 700 ovos e dura cerca de cinco minutos.


PERERECA DA MATA (Osteocephalus langsdorffii)

gia
Características - hilídeo de grande porte, possuindo, em média, 7 cm de comprimento rostro-cloacal em média . Possui saco vocal duplo e apresenta uma característica coloração verde-musgo com manchas acinzentadas, lembrando uma casca de árvore com liquens. Seus discos adesivos (porção terminal dos dedos) são verde-azulados e os olhos conferem um belo padrão de amarelo dourado, rajado de preto. Nesta espécie os machos são cerca de 2 cm menores que as fêmeas.
Habitat –
matas
Ocorrência – regiões costeiras de Mata Atlântica da Bahia ao nordeste da Argentina. Porém, pode também ser encontrada no interior de Minas Gerais e São Paulo
Hábitos - vocalizam mais intensamente logo após e durante as chuvas. Como sítio de vocalização utiliza  galhos de  árvores  em  torno  de corpos  de  água  lênticos,  relacionados,  ou  não,  à  drenagem perene.
O canto de anúncio é alto, e lembrao som de castanholas.
Alimentação – insetívoros
Reprodução – período reprodutivo desta espécie é restrito aos meses chuvosos do ano. Os ovos são depositados na água e flutuam assumindo uma forma de lâmina gelatinosa.
 


PERERECA DE BANHEIRO (Scinax fuscovaria)

Características - anfíbio de médio porte, possuindo cerca de 43 mm de comprimento rostro-cloacal. A coloração amarelada dos flancos e da face ventral é característica do estado fisiológico do macho em atividade reprodutiva. O ventre é esbranquiçado, com manchas escuras. As coxas apresentam fortes manchas amarelas que contrastam com regiões pretas na porção posterior. Alguns autores apontam dimorfismo sexual para a espécie, relatando que os machos são ligeiramente menores que as fêmeas. Ademais, alguns machos podem apresentar calos sexuais na região toráxica, embora, geralmente sejam vestigiais e muitos, certamente decíduos.
Habitat – áreas abertas com vegetação herbácea rala, ao redor de represas ou em poças temporárias.

scinax
Ocorrência – do sudeste ao sul do Brasil, norte da Argentina e Paraguai, leste da Bolívia.
Hábitos - atividade noturna e durante o dia pode ser encontrada em tocas e frestas em árvores  ou  no  solo.  Os  machos  vocalizam  sobre  rochas  ou  sobre  o  solo,  entre as vegetações, ao redor das represas. Podem ser encontradas vocalizando sobre o solo seco, ou à pequena altura na vegetação, às margens de coleções de água parada, açudes ou banhados. Podem ser identificados dois cantos diferentes: o "canto de anúncio" e o outro, aparentemente territorial, emitido quando dois machos vocalizavam próximos entre si.
Alimentação – insetos e aranhas.
Reprodução – reproduz-se nos meses mais quentes e chuvosos do ano. Na época reprodutiva, os machos apresentam duas áreas delimitadas na região temporal, aparentemente glandulares, que podem se apresentar escurecidas devido à aderência de partículas do solo. A desova é depositada no substrato, espalhada entre detritos vegetais, em poças e lagoas. O número de óvulos maduros pode exceder 3000 e sua desova pode conter de 1500 a 2000 ovos pequenos e pigmentados, depositados sobre a vegetação aquática.
Predadores naturais - serpentes


PEREREQUINHA DO BREJO (Hyla sanborni)

animais
Características – mede cerca de 1,6 cm de comprimento rostro-cloacal
Habitat – áreas abertas
Ocorrência – do sul do Estado de Minas Gerais ao sul do Uruguai, alcançando o sudeste do Paraguai e nordeste da Argentina
Hábitos - canta quase o ano inteiro, vocalizando sobre gramíneas e ciperáceas nas margens dos corpos d'água. Durante o dia pode recolher-se entre folhas de bromélias, local onde podem encontrar umidade ideal, mesmo nos meses de estiagem.
Alimentação – pequenos artrópodes que podem ser eventualmente encontrados, tais como ácaros, aranhas e pequenos insetos.
Reprodução – reproduz-se em ambientes lênticos temporários ou permanentes.
Predadores naturais - aranhas


PEREREQUINHA DO BREJO (Hyla nana)

animal
Características - de pequeno porte, com aproximadamente 2 cm de comprimento rostro-cloacal. Coloração amarelada com duas faixas longitudinais alaranjadas nas laterais do dorso.
Habitat – áreas abertas
Ocorrência – encontrada em muitos estados brasileiros, além de Uruguai, Paraguai, nordeste da Argentina, Bolívia
Hábitos - canta praticamente o ano todo, com exceção dos meses mais frios e secos do ano. Vocalizam sobre gramíneas e ciperáceas nas margens dos corpos d'água.
Alimentação – pequenos artrópodes que podem ser eventualmente encontrados, tais como ácaros, aranhas e pequenos insetos.
Reprodução – reproduz-se em ambientes de corpos d'água lênticos temporários ou permanentes.
Predadores naturais - aranhas


PINGO DE OURO (Brachycephalus ephippium)

pingo de ouro
Características - mede 14 mm. Caminha vagarosamente de modo característico e raramente pula. Sua cor é vistosa. Produz substância tóxica na pele, semelhante à tetrodotoxina, provavelmente com função defensiva contra predadores.
Habitat – matas da Serra do Mar e da Mantiqueira
Ocorrência – da Bahia ao Paraná
Hábitos – diurnos. Podem ser encontrados em grande número nas manhãs ensolaradas, após fortes chuvas de verão. Os machos vocalizam sobre serrapilheira.
Alimentação –
insetívoro
Reprodução – desova é terrestre, composta de poucos ovos despigmentados e ricos em vitelo.


RÃ ASSOBIADEIRA (Leptodactylus fuscus)

Características - anfíbio de médio porte com focinho pontiagudo e dorso acinzentado, ornamentado com manchas marrons irregulares. Alguns indivíduos apresentam uma faixa longitudinal na região mediana do dorso. Os machos apresentam coloração escura na lateral da região gular, ao passo que nas fêmeas é branca.
Habitat – brejos, lagos e pântanos
Ocorrência – do Panamá ao sul da América do Sul, incluindo Brasil, Bolívia, Argentina
Hábitos - se adapta a regiões alteradas com facilidade. Vocalizam a partir do solo próximos a poças temporárias, permanentes, ou ainda, próximos à entrada das suas tocas. É uma espécie territorial que apresenta, além do "canto de anúncio", o "canto territorial". Caso o intruso não se afaste com este canto, o residente pode saltar sobre o invasor, deslocando-o. Durante o dia entocam-se em cavidades encontradas no solo e fora da temporada de vocalização, nas regiões que passam por longos períodos de seca, podem hibernar enterrados a até 32 cm de profundidade.
rã
Alimentação – insetos e larvas
Reprodução – o período reprodutivo parece ser altamente influenciado pelo regime pluviométrico da região onde ocorre. As tocas são construídas pelos machos em locais que logo serão  alagados.  As tocas  levam cerca de  40  minutos para  serem construídas e têm cerca de 9 cm  de  profundidade,  5 cm  de  altura  e  largura.  As  fêmeas são conduzidas até a toca e lá dentro ocorre o amplexo e a desova. Tanto os machos como as fêmeas podem permanecer nos ninhos para cuidar da prole.
Predadores naturais - são predadas por serpentes e suas desovas por larvas de besouros e aves.


RÃ CACHORRO (Physalaemus cuvieri)

Características - de pequeno porte e coloração escura, castanho ou cinza, com mancas ou linhas irregulares e escuras. A porção interna das coxas e da região inguinal é freqüentemente avermelhada. Possui glândula cutânea semelhante a uma mancha circular escura, com centro claro, entre os ombros. Larga faixa lateral escura. O seu ventre é branco, manchado de escuro no peito e na garganta. Os machos são ligeiramente menores que as fêmeas e possuem a garganta mais escura.
Habitat – áreas abertas, como regiões de cerrado e caatinga, mas podendo também ser encontrada em regiões de mata.
Ocorrência – desde o nordeste do Brasil ao leste do Paraguai e Argentina, mas por se adaptar a regiões alteradas com facilidade podendo estar ampliando sua distribuição.
Hábitos - machos vocalizam a partir do ocaso até o meio da noite. Estes vocalizam em ambientes permanentes ou temporários, a partir do chão em área brejosa de água parada. Nestes ambientes assume, durante a noite, posição semiflutuante em pequenas depressões encharcadas do solo. Pode ser, inclusive, encontrado em pegadas de gado após as chuvas. Quando os machos estão próximos podem cantar em coro. Durante o dia podem ser encontrados sobre pedras e troncos.
Alimentação – pequenas aranhas e piolhos-de-cobra, embora tenham preferência por insetos.
Reprodução – período reprodutivo é restrito aos períodos chuvosos. As fêmeas podem desovar duas vezes por estação, tendo preferência por ambientes temporários. São depositados de 400 a 700 ovos brancos em ninhos de espuma parcialmente presos a terra ou a gramíneas. Estes ninhos são formados com o batimento dos membros posteriores dos machos sobre a desova liberada pela fêmea.
Predadores naturais - pode ser predado por serpentes e as desovas, por formigas e moscas.


RÃ COMUM (Leptodactylus ocellatus)

leptodactylus
Características - animal robusto e de grande porte, apresentando, quando adultos, cerca de 10 cm de comprimento rostro-cloacal. S e locomove aos pulos
Habitat –
brejos, pântanos, lagos
Ocorrência – toda América do Sul a leste dos Andes
Hábitos - noturnos
Alimentação – caramujos, lesmas e insetos, apanhando-os com a língua
Reprodução – uma coisa estranha acontece durante o período de reprodução da rã comum: o macho fica tão amoroso que procura se cruzar com qualquer coisa, até mesmo com pedras e peixes. Muitas vezes acontece dos peixes morrerem sufocados com o seu abraço apertado. Machos e fêmeas se reúnem  perto  de  pântanos e  fazem  alarde de sua presença, coaxando.  O  acasalamento  dura  cerca de 24 horas. A fêmea
põe de 2000 a 3000 ovos por ano que o macho cobre com esperma. Os ovos são cobertos com uma massa gelatinosa, que protege de intempérie. O girino mede cerca de 1,2 cm. Os jovens adultos são capazes  de  reprodução  depois  de  três anos. Apesar da fêmea apresentar cuidado parental, os girinos desta espécie podem ser eventualmente predados por aves.
Predadores naturais - não tem muitos meios de defesa e frequentemente é tragada por peixes carnívoros, aves pernaltas e cobras. Esses numerosos predadores, porém, não ameaçam de extinção a rã comum, devido à abundância com que ela se reproduz.
Ameaças – é muito caçada por causa de sua carne.


RÃ DA MATA (Eleutherodactylus binotatus)

Características - mede 40 mm.
Habitat – interior da mata, na beira de riachos e lagos
Ocorrência – sudeste do Brasil
Hábitos - ativos durante o dia, ao crepúsculo e à noite
Alimentação – insetívoros
Reprodução – ovos são colocados no solo e na serapilheira e apresentam desenvolvimento direto


RÃ DO HORTO (Leptodactylus cf. notoakitites)

Características - animal robusto de coloração castanha dorsalmente e esbranquiçada no ventre. Lateralmente apresenta um padrão dégradé indo do castanho escuro ao cinza-azulado
Habitat – áreas abertas
Ocorrência – sudeste do Brasil
Hábitos - vocaliza sobre o solo e constrói tocas onde deposita os ovos. Apresenta atividade de vocalização durante os meses chuvosos e quentes do ano durante as primeiras horas da noite. É uma espécie muito arisca, sendo dificilmente capturada.
Alimentação – insetos


RÃ PIMENTA (Leptodactylus labyrinthicus)

Características - de grande porte e muito robusto. Os machos possuem os braços maiores que o das fêmeas e apresentam espinhos sexuais na região toráxica.
Habitat – brejos, lagoas e pântanos
Ocorrência – da Venezuela ao sudeste do Brasil e leste do Paraguai
Hábitos - noturnos, sendo que durante o dia se escondem em locais bastante abrigados. À noite é encontrada dentro da'água nos lugares rasos parcialmente submersa ou totalmente exposta nas margens, sempre voltada para o lado da água, dentro da qual salta ao menor sinal de perigo.
Alimentação – carnívora, tanto os girinos como os adultos, podendo se alimentar de  pequenos  pássaros  e  serpentes,  porém  é a  muito tempo
conhecida principalmente por seus hábitos batraquiofágicos, ou seja, alimentam-se de outros anfíbios adultos ou mesmo de desovas de outras espécies de anfíbios.
Reprodução – sazonal,  iniciando-se  no  mês  de  agosto  e terminando em dezembro, com picos mais acentuados em setembro, outubro e novembro. Durante o período de reprodução, o pico de desovas sofre grande influência das chuvas, ou seja, no mês de maior precipitação pluviométrica ocorre maior número de desovas. Estas compreendem um ninho de espuma que, geralmente é encontrada entre gramíneas protegida dos raios solares. Um grande número de ovos não é fecundado e, posteriormente, é utilizado pelos girinos como dieta inicial, garantindo sua sobrevivência por um longo período dentro do ninho. Após a ocorrência das chuvas, os girinos são arrastados para o corpo d'água onde encontram alimento em abundância.
Predadores naturais - serpentes.


RÃ QUATRO OLHOS (Physalaemus nattereri)

physalaemus


Vista Posterior

Características - de médio porte, com cerca de a 3 cm de comprimento rostro-cloacal. Possui coloração dorsal marrom, rajado transversalmente de preto. Na interface entre o fundo marrom e as faixas negras pode apresentar finas linhas brancas.
Habitat – áreas abertas
Ocorrência – nordeste, centro e sudeste do Brasil
Hábitos - os machos vocalizam durante a estação chuvosa em bordas de poças temporárias. Tipicamente fossorial e pode enterrar-se rapidamente, com auxílio de calos em formas de pequenas pás nas patas traseiras, quando ameaçado, mesmo estando em amplexo. Ademais, pode arquear-se exibindo duas grandes manchas negras (glândulas) na região posterior do dorso, lembrando dois grandes olhos. Esse comportamento deve assustar possíveis predadores. Além disso, é uma região secretora de veneno que pode ser fatal a pequenos predadores ou curiosos.
Alimentação – insetívoros
Reprodução – as fêmeas chegam à poça cerca de dois dias após o início da vocalização dos machos. O amplexo ocorre na água e dura, em média, de 20 a 80 minutos, mas pode perdurar por 10 horas até a postura. Essa espécie pode copular duas vezes na mesma estação reprodutiva, pondo cerca de 6000 ovos na primeira desova e cerca de 2500 ovos na segunda. Os machos são os responsáveis por formar o ninho de espuma batendo com as pernas traseiras na secreção gelatinosa expelida pela fêmea.
Predadores naturais - tanto os ovos como os girinos podem ser atacados por formigas lava-pés e os adultos por raposinhas.


RÃZINHA (Eleutherodactylus guentheri)

Características - mede cerca de 35 mm
Habitat – interior da mata
Ocorrência – sudeste do Brasil
Hábitos - alguma atividade noturna, ao crepúsculo e à noite. Os machos vocalizam no final da tarde e no início da noite
Alimentação – insetívoros
Reprodução – desenvolvimento direto, depositando a desova em locais abrigados no solo e na serrapilheira.
eleutherodactylus


RÃZINHA (Physalaemus centralis)

Características - pequeno porte, com pouco mais de 3 cm de comprimento, de coloração escura, castanho ou cinza, com mancas ou linhas irregulares e escuras. O seu ventre é mais claro, geralmente branco, apresentando, nos machos, manchas escuras na garganta, indicando a presença dos sacos vocais.
Habitat – áreas abertas, como regiões de cerrado, mas também pode ser encontrada em regiões de mata (nas clareiras geralmente).
Ocorrência – estados brasileiros de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás
Hábitos - machos vocalizam em ambientes temporários, a partir do chão em área brejosa de água parada, assumindo posição semiflutuante em pequenas depressões encharcadas do solo. Durante o dia podem ser encontrados sobre pedras e troncos.
Alimentação – insetívoros
Reprodução – período reprodutivo é restrito aos períodos chuvosos. Os ovos são depositados em ninhos de espuma parcialmente presos a terra ou a gramíneas. Estes ninhos são formados com o batimento dos membros posteriores dos machos sobre a desova liberada pela fêmea.


RÃZINHA DO CAPIM (Eleutherodactylus juipoca)

Características - mede cerca de 20 mm
Habitat – borda da mata
Ocorrência – planalto do sudeste do Brasil, ocorrendo em regiões de morros ou relevo ondulado
Hábitos - os machos vocalizam empoleirados sobre vegetação herbácea. No final da tarde e no início da noite vocalizam na borda da mata sempre distantes de corpos d'água.
Alimentação – insetívoros
Reprodução – biologia reprodutiva é desconhecida; provavelmente a desova é depositada em locais abrigados, no solo.


RÃZINHA PINTADA (Chiasmocleis albopunctata)

rãzinha
Características - cabeça bastante pequena com faixas brancas em sua região anterior. Lateralmente apresenta pontuações brancas, mas a coloração dorsal predominante é o marrom.
Habitat – matas
Ocorrência – Brasil, Bolívia e Paraguai
Hábitos - os machos vocalizam nas margens de poças temporárias, ou mesmo boiando na superfície da água. A vocalização dos machos é bastante alta (em volume) e pode ser confundida com o som emitido por grilos ou gafanhotos.
Alimentação – insetos
Reprodução – a reprodução ocorre durante um período muito curto do ano (alguns dias), logo após as intensas chuvas do verão.


SAPO (Bufo marinus)

sapo
Características – mede cerca de 70 mm. Cor marrom. Possui duas glândulas de veneno extremamente ativo na parte posterior da cabeça. O veneno esbranquiçado de sabor e odor desagradável oferece perigo até para o homem. O predador que ingerir esse veneno altamente tóxico certamente morrerá. Porém, não utiliza este veneno como arma de ataque, pois não consegue lançar à distância. O veneno surge dos poros ao ser exercida certa pressão sobre as parótidas, quando o líquido pode ser projetado a até quase meio metro de distância. Assim o veneno é muito útil quando o sapo é mordido por algum inimigo.
Habitat – pântanos, lagos, brejos
Ocorrência – do nordeste ao sudeste do Brasil, Misiones na Argentina, Uruguai e leste do Paraguai
Hábitos – noturnos. Em terra o sapo normalmente refugia-se em locais sombrios ou, atraído pela chuva, sai para os descampados e à noite cuida ativamente da sua caçada. Noturnos. Durante o  dia  refugia-se  em  tocas  entre  raízes  de  árvores,  no solo ou entre pedras. Se locomove por pulos ou engatinhando. Os machos vocalizam nas margens de corpos d'água, sobre rochas, no solo, em local de vegetação rala, algumas vezes parcialmente submersos.
Alimentação – insetos, vermes, larvas, camundongos, cobras e caracóis
Reprodução – a desova é composta por cordões gelatinosos em fileira única de ovos (raramente dupla) e os girinos, pretos, vivem em cardumes.


SAPO AMARELO (Bufo crucifer)

bufo
Características - bufonídeo de porte médio com pele dorsal bastante rugosa. Possuem 2 glândulas maiores na região dorsal da cabeça, chamadas glândulas paratóides. A coloração dorsal é marron, escuro ou claro, com uma faixa longitudinal negra externamente e amarelada na parte central. Os machos são menores que fêmeas e apresentam calos sexuais nos dedos das patas anteriores.
Habitat – lagos e lagoas permanentes
Ocorrência – centro e leste do Estado de São Paulo e sul do Estado do Rio de Janeiro
Hábitos - vocalizam às margens de lagos e lagoas permanentes, preferencialmente nos meses mais frios e secos do ano, vocalizando nas primeiras horas da noite e, às vezes, novamente nas primeiras horas da manhã.
Alimentação – os adultos alimentam-se de insetos, portanto é comum que os encontremos forrageando sob postes de iluminação.
Reprodução – Devido à baixa seletividade dos machos durante a reprodução, pode acabar fecundando fêmeas de outras espécies gerando híbridos naturais.
Predadores naturais - baratas d'água e peixes


SAPO CURURU (Bufo Ictericus)

Características - o macho mede cerca de 140 mm e a fêmea cerca de 170 mm. Quando apanhado com a mão pode encolher-se e ficar imóvel, em tanatose (finge-se de morto). Tanto as volumosas glândulas de veneno, como a tanatose podem ser consideradas como adaptações defensivas. A região dorsal é bastante rugosa devido à presença de glândulas cutâneas. Duas dessas, localizadas logo atrás dos olhos, são chamadas de glândulas paratóides e quando é espremida, libera grande quantidade de veneno, o qual escorre pela pele do animal. Esse veneno causa apenas pequenas irritações cutâneas em pessoas sensíveis, mas se ingerido pode causar sérias complicações.
Habitat – lagos, lagoas e açudes, em regiões serranas, tanto no litoral como no interior.
Ocorrência – do Uruguai à Bolívia central, passando pelo Paraguai, Argentina e costa Atlântica do Brasil

Hábitos – noturnos. Os adultos são bastante andarilhos, podendo ser encontrados a quilômetros de distância de corpos d'água. Os machos costumam vocalizar às margens de lagos, lagoas e açudes, apenas durante a noite. Vocalizam parcialmente submersos em água calma, apoiados no fundo. Durante o dia pode ser encontrado sob pedras e tocos de madeira, montes de tijolos, ou mesmo no interior de calhas.
Alimentação – os adultos alimentam-se de insetos e forrageiam sob postes de iluminação
Reprodução – apresenta dimorfismo sexual acentuado. o amplexo pode durar cerca de 40 horas antes que ocorra a oviposição, e o acasalamento pode prolongar-se por mais 10 horas. Os machos procuram ativamente por parceiras sexuais. Isto ocorre quando o macho, sem vocalizar, se desloca no ambiente e tenta amplexo com tudo que se movimenta. A desova é composta por cordões gelatinos em fileiras dupla de ovos (raramente única). Os girinos, pretos, vivem em cardumes.


SAPO DE CHIFRE (Proceratophrys boiei)

proceratophrys
Características - ao contrário do que aparenta, sua pele é aveludada e os chifres facilmente maleáveis. Tem corpo robusto, com pernas curtas. Seu padrão morfológico e de coloração lhe confere uma ótima camuflagem com o substrato de florestas úmidas ou estacionais.
Habitat – remanescentes de Mata Atlântica
Ocorrência – de Pernambuco a Santa Catarina, principalmente no litoral
Hábitos - vocaliza a partir do solo encharcado por chuvas no interior de matas. Além de seu padrão críptico realiza comportamentos que intensificam sua camuflagem, além de poder dificultar eventos de predação.
Alimentação – insetos, peixes, minhocas


SAPO FOLHA (Zachaenus parvulus)

Características - é uma pequena rã com tamanho corporal varia de 1,1 cm a 3,1 cm e seu peso de 0,15 g a 4,57 g. As fêmeas são maiores que os machos, e sua coloração vai do bege (com linhas cinza-escuras) ao verde-claro, incluindo algumas gradações de cinza (claro e escuro) e até laranja com manchas marrons.
Habitat – nas folhas caídas sob as árvores, em áreas de Mata Atlântica.
Ocorrência – sudeste do Brasil
Hábitos - graças à sua coloração consegue se camuflar entre as folhas caídas sob as árvores nas áreas de mata
Alimentação – insetívoros


SAPO FLECHA DE VENENO DA AMAZÔNIA (várias espécies)

Características - colorido vistoso, brilhante, o qual é relacionado com a presença de veneno (alcalóides) em suas peles. Apresentam de 1 a 5 cm de comprimento conforme a espécie. Os animais de colorido mais acentuado são freqüentemente os mais perigosos. Esse colorido é um alerta aos predadores eventuais e significa "não toque"! A pele segrega um dos venenos mais violentos do mundo: um quarto de miligrama é suficiente para matar um homem. Além de colorido brilhante, esses animais se distinguem pelas grandes ventosas que têm na ponta de cada dedo.
Habitat – florestas tropicais quentes e úmidas, com vegetação densa
Ocorrência – Amazônia (América Central e do Sul)
Hábitos - maioria das espécies é diurna e terrestre. Vivem tanto em árvores como no chão, em pequenos bandos, sempre perto de riachos e lagoas. Passam o dia em busca de alimento e prevenindo-se de ataques predadores.
Alimentação – insetos
Reprodução – maioria das espécies apresentam desova terrestre, posteriormente quando os girinos eclodem, eles são transportados no dorso de um dos pais até um ambiente aquático, onde completam o desenvolvimento. O acasalamento ocorre durante o período das chuvas, de julho a setembro quando a fêmea faz postura de 13 à 25 ovos. Se comportam de forma incomum em relação aos machos da  maioria  dos  sapos,  que  abraçam  as  fêmeas

dendrobates
Dendrobates auratus


Dendrobates azureus

sapo flecha
Dendrobates galactonotus


Dendrobates ventrimaculatus

fortemente e fecunda os ovos à medida que eles são postos. Algumas espécies desses sapinhos executam uma dança nupcial em que dois parceiros saltam contra o outro, várias vezes seguidas. Mais tarde, a fêmea deposita seus ovos na terra, o macho os fecunda e os coloca em seu próprio dorso. Durante as 2 semanas de choco, o macho retorna várias vezes ao local, para checar os ovos. É aí que os filhotes nascem e passam seus primeiros tempos de vida.


SAPO GUARDA (Elachistocleis cf. ovalis)

Características - corpo ovóide e pequeno de coloração que varia do cinza-escuro ao azul-petróleo. Os animais possuem uma faixa amarelada horizontal na região da cloaca e uma faixa mais delgada e clara, disposta longitudinalmente da cloaca à cabeça. A região ventral é clara (bege) com pontuações escuras.
Ocorrência – sudeste do Brasil
Hábitos - vocaliza parcialmente submerso em poças formadas pelas chuvas, durante o verão. Fora da estação reprodutiva deve permanecer enterrado a alguns centímetros de profundidade no solo. É capaz de realizar "tanatose", isto é, fingir-se de morto para evitar a ação de predadores. Contudo, não há evidências de que essa seja uma estratégia eficiente.
Alimentação – insetos e larvas


SAPO MARTELINHO (Hyla biobeba)

Características - mede cerca de 6 cm de comprimento rostro-cloacal. O colorido geral é pardo-esverdeado com manchas escuras e claras no dorso, lembrando liquens ou cascas de árvores. Apresenta faixas transversais negras nas coxas e nos flancos. Peculiarmente, possui ossos verdes. Suas mãos são relativamente grandes, característica a qual lhe conferiu o nome biobeba, que na língua indígena significa mãos grandes. Os machos apresentam espinhos sexuais (prepólex) muito desenvolvidos nas patas dianteiras que devem servir para manutenção do amplexo e estímulo para que a fêmea ovule. Além disso, as fêmeas são significativamente maiores que os machos.
Habitat – próximo de lagos, lagoas, brejos
Ocorrência – da Serra do Espinhaço em MG até o interior do Estado de São Paulo
hyla

Hábitos - durante o dia permanecem abrigadas na vegetação às margens de riachos e camufladas, adquirindo  coloração  semelhante  a  da  folhagem.   Os  machos  apresentam  padrão  bimodal  de vocalização, isto é, cantam em dois turnos (das 18 às 21 horas e entre 23 e 1 hora da manhã). As vocalizações são emitidas do chão, ou até aproximadamente 8 m de altura. Para esta espécie, foram identificados três tipos de vocalização: (I) "canto padrão", emitido nas copas das árvores para agregar a espécie fora da estação reprodutiva; (II) "canto de corte", emitido durante a construção do ninho, para atrair as fêmeas; e (III) "grito de agonia", emitido quando manuseada com intuito de livrar-se de um possível predador. Quando este é emitido, os outros machos da redondeza param de cantar por alguns minutos. Fora do período reprodutivo esses animais permanecem nos galhos mais altos das árvores.
Alimentação – principalmente pequenos invertebrados, como besouros, grilos, gafanhotos, mariposas, borboletas e aranhas. Em seu estômago também é comum serem encontrados muco, areia e restos vegetais, mas não significa que alimentem-se necessariamente destes itens.
Reprodução – os machos constroem ninhos ovais (15 x 25 cm), as chamadas "piscininhas" ou "panelinhas", feitas com a lama do próprio local, no chão e próximos a água corrente. A fêmea inspeciona o ninho e, aprovando-o, realiza o amplexo. Então, permanecem abraçados por cerca de 2 horas e meia, podendo durar até 5 horas. Logo após, os ovos são depositados nos ninhos. Não há relato de cuidado parental ou mesmo combates físicos entre machos.
Predadores naturais - as desovas podem ser predadas pela aranha-pescadora.



SAPO MARTELO (Hyla faber)

sapo martelo
Características - anfíbio de grande porte, de coloração uniforme, variando do acinzentado ao avermelhado, passando por tons castanhos. A maioria dos indivíduos apresenta uma linha fina e escura do extremo do focinho até o meio da região dorsal. A região ventral é branca e as coxas são marcadas por faixas transversais. Os machos são um pouco menores, ou do mesmo tamanho que as fêmeas, medindo cerca de 9 cm de comprimento rostro-cloacal e possuem um pequeno espinho (espinho sexual) próximo à base do polegar. Os machos podem apresentar cicatrizes no dorso, provocadas pelos espinhos sexuais, em decorrência de brigas com outros machos.
Habitat – Mata Atlântica e Cerrados, se adaptando a regiões alteradas com facilidade podendo estar, devido a ações antrópicas, ampliando sua distribuição geográfica.
Ocorrência – do sudeste e sul do Brasil ao sudeste do Paraguai e nordeste da Argentina. No Brasil distribui-se desde regiões de baixada a regiões serranas.
Hábitos - atividade é noturna. Alguns indivíduos podem ser encontrados durante o dia, refugiados na vegetação, por vezes descoberto sobre ramos ou  folhas  grandes.  O  repertório acústico desta espécie é excepcional. Até hoje já foram descritos seis distintos cantos. São eles: (I) "canto de anúncio"; (II) "canto de pulo"; (III) "canto de briga"; (IV) "grito de agonia"; (V) "canto de encontro"; (VI) "canto de início". A vocalização típica é muito parecida com o som de marteladas, por isso é conhecido por "sapo-ferreiro". Pode ser encontrado vocalizando sobre vegetação ou dentro d'água em partes rasas. Machos adultos, quando apanhados com a mão, podem emitir gritos de agonia ao mesmo tempo que espetam o coletor com o espinho presente na base do primeiro dedo. Fora do período reprodutivo podem ser encontrados sobre as árvores.
Alimentação – insetívoro
Reprodução – reproduz-se durante estação chuvosa, podendo vocalizar sobre a vegetação ou em partes rasas dentro d'água, embora, freqüentemente, vocalize dentro das panelinhas que constrói, as quais servem como ninhos para desova. Estas podem estar localizadas em ambientes florestais ou abertos, às margens de lagoas e córregos permanentes, ou temporários. As fêmeas põem de 3000 a 4000 ovos, os quais ficam boiando na água dentro das panelinhas. Os machos, quando em grandes densidades populacionais, apresentam cuidado parental, permanecendo junto à desova impedindo que outros machos a destruam. Eles ainda podem lutar até a morte por disputas de territoriais.
Predadores naturais - caranguejos, serpentes, corujas e outros anfíbios


SAPO PIPA (Pipa ssp.)

sapo pipa
Características – corpo plano e largo. A fêmea pode atingir 20 cm de comprimento e o macho 15 cm. Dorso verde, ventre acinzentado e 2 protuberâncias semelhantes a tentáculos junto a boca. É com certeza um dos anfíbios mais estranhos que existe. Tem a boca desdentada, olhos miúdos e seu corpo coberto de verrugas parece um grande saco achatado. Suas pernas dianteiras são finas e os dedos compridos com um círculo de filamentos na ponta. As pernas traseiras, ao contrário, são gordas e os dedos, palmados.
Habitat – pântanos
Ocorrência – região Amazônica
Hábitos - este sapo não é inteiramente aquático. Ele cava o lodo à procura de alimento.
Alimentação – insetos, vermes e larvas
Reprodução – o método de reprodução é ainda mais curioso. O casal abraçado dá saltos mortais na água. Quando a fêmea está submersa ela elimina uns poucos óvulos junto aos pés do macho. Ele os fecunda e os gruda nas costas da fêmea. A cena se  repete  até  que ela tenha várias dúzias de ovos (em torno de 100), encerrando cada um deles num pequeno caroço. A mãe carrega os ovos sobre o lombo onde continuam o seu desenvolvimento até concluir a metamorfose. Dez semanas depois os ovos se abrem e os filhotes começam a projetar-se para fora dos caroços. O casal permanece aí por mais dois ou três meses, alimentando-os de vermes e insetos aquáticos. Depois de várias metarmofoses, transformam-se em adultos em miniatura.


SAPO PULGA (Psyllophry didactila)

psyllophry
Características – descritos recentemente, são muito delicados. É apontado como o menor do mundo, medindo 10 mm quando adulto. Por necessitarem de condições especiais para se desenvolverem e sobreviverem sua ocorrência e população podem indicar a qualidade ambiental local (indicadores biológicos). Menor que a unha do dedo mínimo, desaparece quando a mata é degradada.
Habitat – Mata Atlântica
Ocorrência – Sudeste do Brasil, mais precisamente no estado do Rio de Janeiro.
Hábitos - mestres da camuflagem e adaptação

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