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Cerrado

O cerrado é a forma brasileira da biota geralmente chamada savana. É uma savana tropical na qual a vegetação herbácea coexiste com mais de 420 espécies de árvores e arbustos esparsos. O solo, antigo e profundo, ácido e de baixa fertilidade, tem altos níveis de ferro e alumínio. Todavia, o Cerrado tem a seu favor o fato de ser cortado por três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Tocantins, São Francisco e Prata), favorecendo a manutenção de uma biodiversidade surpreendente. Localiza-se nas áreas de planalto central, predominando no Mato Grosso e Goiás, ocorrendo também na Bahia, em Minas Gerais e São Paulo. O Cerrado é a segunda maior formação vegetal brasileira, superado apenas pela floresta Amazônica. São 2 milhões de km2, ocupando cerca de 20% do território  nacional.

cerrado

Por ser uma região abrangente, o clima é diversificado, entretanto, predomina o tropical com duas estações do ano bem definidas, uma seca e outra úmida. Seu solo é arenoso, mas está sendo usado com certo sucesso na agricultura, principalmente de leguminosas como a soja em associação com o milho. Possui lençóis freáticos não muito fundos, o que facilita a extração de água através de poços artesianos, podendo desta maneira utilizá-la na irrigação.

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A vegetação do cerrado é característica, possuindo árvores de médio porte (3 a 6 m) com tronco e galhos retorcidos, cascas espessas, folhas coriáceas e raízes profundas (atingindo por vezes o lençol freático). De acordo com o espaçamento entre as árvores e o porte destas, surgem divisões como cerradão, formação que mais se assemelha à mata, e cerradinho, mais parecido com um campo sujo. Existem várias respostas para o fato das árvores serem retorcidas. Por exemplo, que faltem nutrientes secundários. Mas uma das melhores explicações é a da queima do meristema apical. Todas as plantas têm um meristema apical (zona de crescimento), e têm meristemas secundários que ficam inativos, só funcionando caso o meristema apical deixe de existir. Com as queimadas periódicas que ocorrem no cerrado, o meristema apical seria queimado e com isso os meristemas secundários seriam ativados e iniciaria-se um crescimento em outra direção. A explicação do fogo ganha fundamento, quando se analisa algumas sementes que só germinam após terem sido queimadas, o que pode ser considerado uma proteção contra o fogo ou mesmo quando se analisa a casca extremamente grossa, outra proteção contra o fogo.





No cerrado encontra-se uma fauna extremamente característica como por exemplo o tamanduá bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o lobo guará (Chrysocyon brachyurus), o tatu canastra (Priodontes giganteus), entre outros. Estima-se que a flora da região possua 10 mil espécies de plantas diferentes (muitas delas usadas na produção de cortiça, fibras, óleos, artesanato, além do uso medicinal e alimentício).

A vegetação, com suas adaptações à vida na região, também é extremamente atrativa. O cerrado apresenta toda a sua beleza nas flores exóticas e plantas medicinais desconhecidas da medicina tradicional como arnica, catuaba, jurubeba, sucupira e angico. Soma-se a isso uma grande variedade de animais, compreendendo 400 espécies de aves, 67 gêneros de mamíferos e 30 tipos de morcegos catalogados na área. O número de insetos é surpreendente: apenas na área do Distrito Federal, há 90 espécies de cupins, 1.000 espécies de borboletas e 500 tipos diferentes de abelhas e vespas. O equilíbrio desse sistema, cuja biodiversidade pode ser comparada à amazônica, é de fundamental importância para a estabilidade dos demais ecossistemas brasileiros.
flora

Uma das vantagens do cerrado bem como do Pantanal, é que devido a sua formação florestal ser mais aberta que outras, é bem mais fácil visualizar animais nestes locais que em matas fechadas como por exemplo, a Mata Atlântica.

Depois da Mata Atlântica, o Cerrado é o ecossistema brasileiro que mais alterações sofreu com a ocupação humana. Um dos impactos ambientais mais graves na região foi causado pelos garimpos, que contaminaram os rios com mercúrio e provocaram o assoreamento dos cursos d'água. A erosão causada pela atividade mineradora tem sido tão intensa que, em alguns casos, chegou até mesmo a impossibilitar a própria extração do ouro rio abaixo. Nos últimos anos, contudo, a expansão da agricultura e da pecuária representa o maior fator de risco para o Cerrado. A partir de 1950 tratores começaram a ocupar sem restrições os habitats dos animais.

lobo
O uso de técnicas de aproveitamento intensivo dos solos tem provocado, desde então, o esgotamento de seus recursos. A utilização indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes tem contaminado também os solos e as águas. A expansão agropecuária foi o fator fundamental para a ocupação do Cerrado em larga escala. O problema do Cerrado não se resume apenas ao reduzido número de áreas de conservação, à caça ilegal ou ao comércio ilícito de peles, que já seriam questões suficientes para preocupação. O problema maior tem raízes nas políticas agrícola e de mineração impróprias e no crescimento da população. Historicamente, a expansão agropastoril e o extrativismo mineral no Cerrado têm se caracterizado por um modelo predatório. A ocupação da região é desejável, mas desde que aconteça racionalmente. Até o momento, o desenvolvimento da agricultura tem trazido graves conseqüências para a natureza. Um dos mais sérios problemas decorre do uso de técnicas falhas que deixam o solo desprotegido durante épocas de chuvas torrenciais. Paralelamente, cresce o aparecimento de novas pragas e doenças nas monoculturas estabelecidas. A fauna encontrada na região também recebe pouca atenção no que concerne  à  sua  conservação  e  proteção.  O resultado é que o Cerrado está acabando: até o ano 2000, metade da sua área já foi desmatada chegando o desmatamento a 70% da área. Esta situação está causando a fragmentação de áreas e comprometendo seriamente os processos mantenedores da biodiversidade do Cerrado.
Menos de 2% do Cerrado estão protegidos na forma de parques ou reservas. Uma das poucas unidades existentes é o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a 240 km de Brasília. A região já foi área de garimpo de cristais de quartzo e situa-se em zona de fronteira agrícola, sob grande pressão humana. Para proteger a Chapada dos Veadeiros, foi proposta a criação de uma Reserva da Biosfera na região. Modelos de produção agropecuária adequados às características do cerrado devem ser encontrados e urgentemente implementados, diminuindo a pressão que a atividade impõe sobre o ecossistema atualmente.

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