institucional educacao conservacao ecoacao cultura ecoligado


GOLFINHO-COMUM (Delphinus delphis)


golfinho


Família - Delphinidae
Distribuição - águas tropicais e temperadas de todos os oceanos, inclusive em mares interiores, como o Mediterrâneo (o que o transformou no golfinho representado na mitologia grega), o Mar Vermelho e o Mar Negro. É encontrado tanto em águas costeiras como em oceânicas, principalmente em regiões onde o relevo de fundo é bem acidentado. É comum a presença desta espécie próximo a borda da plataforma continental. Usualmente encontrado em locais onde a temperatura da superfície da água é de 10º a 28ºC. No Brasil, ocorre desde o Rio Grande do Sul até o Nordeste.
Peso, medidas e características - podem atingir até 2,4 m de comprimento. Corpo delgado e elegante. Bico fino. É um dos cetáceos mais coloridos e belos. O dorso é escuro, e o ventre claro. Nas laterais do corpo, abaixo da nadadeira dorsal, forma-se um V escuro típico da espécie. Na frente do V, entre a nadadeira peitoral e o bico, costuma haver uma mancha amarela. Na lateral posterior do corpo, entre o V e a cauda, existe uma mancha cinza. A região em volta dos olhos e a ponta superior do rostro ("bico") costumam ser negras, mas, visto de frente, o rostro pode ter a ponta branca. Muitas vezes a nadadeira dorsal possui uma mancha clara no centro, em ambos os lados. Adultos pesam entre 70 a 110 Kg. A nadadeira dorsal é alta, triangular ou ligeiramente falcada. As nadadeiras peitorais são curvas e pontudas, proporcionais ao tamanho do corpo. Possui de 80 a 120 pares de dentes pequenos e afiados. A taxonomia do golfinho-comum é muito complicada pois existem grandes variações. Pesquisas na Califórnia e no México tem revelado a existência de duas formas distintas : a do bico longo (D. capensis) e a do bico curto (D. delphis) . Entre as duas formas existem diferenças físicas e comportamentais. Pesquisas recentes baseadas em estudos morfológicos e genéticos sugerem a existência de duas espécies distintas. No Brasil, há evidências da ocorrência das duas espécies.

Como nascem e quanto vivem - maturidade sexual das fêmeas com cerca de 1,6 m e dos machos com 1,7 m. A gestação dura de 10 a 11 meses. Filhotes nascem com cerca de 0,8 a 0,9 m. A amamentação dura pelo menos 14 meses. O intervalo entre as crias é de dois a três anos. Pode viver mais de 20 anos.
Comportamento e hábitos - forma grandes grupos constituídos por animais de ambos os sexos e todas as classes de idade, mas também pode haver alguma segregação sexual. Em regiões profundas, os grupos podem ter centenas ou até milhares de animais. Em regiões costeiras o tamanho de grupo varia entre 10 a 500 indivíduos. Esta espécie apresenta fortes vínculos sociais. Pode formar grupos mistos com outros cetáceos. São ágeis, velozes e acrobatas. Saltam e nadam na proa  de  embarcações,  além  de  "surfarem"  nas
ondas. As vocalizações incluem vários estalos e assobios. Sabe-se que o golfinho-comum pode mergulhar até 280 m, ficando submerso por cerca de oito minutos.
Alimentação - peixes e lulas. Aparentemente, as populações de golfinhos-comuns podem realizar grandes deslocamentos (de até mais de 1000 Km) em busca de alimento.
Cativeiro - esta espécie já foi mantida em cativeiro em vários locais. No entanto, seu treinamento é extremamente difícil pois o golfinho-comum demonstra ser muito tímido (ao contrário do que ocorre na natureza) e sensível a qualquer perturbação em cativeiro.
Inimigos Naturais - as orcas (Orcinus orca) e os grandes tubarões (Família Carcharhinidae)
Ameaças - capturas acidentais em redes de pesca, capturas intencionais, poluição dos oceanos e distúrbios humanos são as principais ameaças a que estão sujeitos. Os maiores massacres provavelmente já sofridos por esta espécie ocorreram no Mar Negro, quando as companhias de pesca russas e turcas capturavam deliberadamente mais de 100 mil animais por ano. Com o passar do tempo, esta população foi declinando e a captura foi diminuindo, até que os dois países interromperam a caça em 1988.
Status - encontra-se citado na categoria Dados Deficientes (IUCN, 1996). Os estoques dos mares Negro, Mediterrâneo e Pacífico Leste Tropical são considerados Em Risco.


GOLFINHO-DE-DENTES-RUGOSOS (Steno bredanensis)




Família - Delphinidae Nome específico: Steno bredanensis (Lesson, 1828).
Distribuição - ocorre em regiões tropicais e temperadas quentes de todos os oceanos. É considerado um animal típico de águas oceânicas. No Brasil, porém, as avistagens ocorrem principalmente em águas costeiras, incluindo ilhas, canais, baías e regiões recifais. Sua distribuição abrange uma grande faixa de nosso litoral, desde o Rio Grande do Sul até o Ceará.
Peso, medidas e características - o nome deriva das diversas estrias, finas e verticais, encontradas nos seus 20 a 27 pares de dentes. Esta característica é única entre todos os cetáceos, que possuem dentes lisos. É um animal robusto e forte, que pode pesar pelo menos 158 quilos. O comprimento máximo registrado para os machos é de 2,85 m e para as fêmeas 2,69 m. Dorso escuro (cinza ou marrom) e barriga clara (branca ou rosada). Apresenta no dorso uma estreita faixa cinza-escura bem definida formando um manto com um formato de ampulheta. A ponta do bico e os lábios são brancos. Costuma ter muitas manchas e arranhões pelo corpo. Entre a cabeça e o rostro ("bico") não existe uma demarcação definida o que faz com que a cabeça tenha a forma de cone.

Como nascem e quanto vivem - a maturidade sexual de machos e fêmeas é alcançada a partir de 2,25 m e 2,10 m de comprimento, respectivamente, quando os machos tem 14 anos de idade e as fêmeas 10 anos. As fêmeas dão à luz apenas um filhote, após uma gestação de cerca de 10 ou 11 meses. O filhote nasce medindo cerca de 1,0 m. A mãe é especialmente atenciosa e carinhosa com a cria, da qual não se afasta nos primeiros dois anos após o nascimento. Podem viver pelo menos 32 anos.
Comportamento e hábitos - em geral, forma grupos pequenos, de no máximo 50 indivíduos, sendo mais comumente observados os grupos de 10 a 20 animais. Também pode formar grupos mistos com outros cetáceos. É um golfinho especialmente inteligente e curioso. Costuma nadar na proa de embarcações e muitas vezes é visto carregando objetos sobre a cabeça, ou presos às nadadeiras ou ao bico. Carregar objetos encontrados na  superfície da água parece fazer parte
do repertório de "brincadeiras" do golfinho-de-dentes-rugosos, que tem uma notável atração por objetos flutuantes e uma extraordinária capacidade manipulativa. Possui fortes vínculos sociais entre indivíduos do mesmo grupo, além de um padrão comportamental complexo e elaborado.
Alimentação - peixes, lulas e polvos. Em geral, ele alimenta-se de forma cooperativa e bem coordenada, utilizando estratégias de caça para concentrar a presa e encurralar os cardumes contra a costa. Enquanto estão se alimentando, os golfinhos costumam dar saltos e batidas de cauda para concentrar a presa, usando táticas de pesca muito interessantes. Apresenta o curioso costume de sacudir a cabeça na superfície da água com a presa segura pelo seu rostro, talvez para parti-la em pedaços.
Cativeiro - já foi mantido com sucesso em cativeiro para exibição pública em oceanários na Colômbia, Havaí, Estados Unidos e Japão. Treinadores os descrevem como animais arrojados, investigativos e altamente treináveis, mas também impetuosos e agressivos. Golfinhos-de-dentes-rugosos capturados no arquipélago de Madeira e no Mediterrâneo foram mantidos no Laboratório de Fisiologia Acústica da França para estudos.
Inimigos Naturais -
provavelmente as orcas (Orcinus orca) e os grandes tubarões (Família Carcharhinidae).
Ameaças - capturas acidentais em redes de pesca, a degradação dos ambientes a poluição constituem ameaças de proporções mundiais. São capturados intencionalmente com arpões no Japão, em São Vicente (Lesser Antilles), nas Ilhas Solomon, na costa oriental da África, e em Papua Nova Guiné. A captura acidental em redes de pesca parece ser relativamente comum no Brasil. Existem vários registros de capturas acidentais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Ceará.
Status - é um dos delfinídeos menos conhecidos em todo o mundo e por isto encontra-se citado na categoria Dados Deficientes (IUCN, 1996).


GOLFINHO-FLIPER (Tursiops truncatus)


fliper


Família - Delphinidae
Distribuição - águas tropicais, subtropicais e temperadas de todos os oceanos. Pode ser encontrado tanto em águas costeiras como em oceânicas bem como em "mares fechados" como o Mar Negro, Mar Vermelho e Mediterrâneo. Também pode ocorrer em estuários, lagoas e canais, e ocasionalmente penetra em rios. No Brasil, ocorre desde o rio grande do Sul até a costa nordeste. Populações oceânicas podem realizar migrações sazonais enquanto as costeiras geralmente, são oceânicas.
Peso, medidas e características - o golfinho-flíper varia muito em tamanho, forma e cor de um indivíduo para o outro e de acordo com a região geográfica em que vive. No entanto, existem duas variedades principais : uma forma costeira e de menor tamanho e uma forma oceânica mais robusta e de maior tamanho. Os machos e fêmeas tem o comprimento máximo de 3,8 e 3,6m, respectivamente. O peso máximo já registrado é de 640 Kg. Corpo robusto. A coloração varia bastante entre as diferentes populações. O dorso em geral varia entre cinza-claro e cinza-escuro, e vai clareando nas laterais em direção à barriga, que é clara (branca ou rosada). Pode apresentar manto dorsal definido por coloração mais escura, e algumas vezes o manto é interrompido, abaixo da nadadeira dorsal, por uma entrada mais clara. É comum haver pintas e manchas pelo corpo. A região ao redor dos olhos é mais escura. Os adultos costumam ser muito arranhados. A nadadeira dorsal é alta e falcada, com base larga. As nadadeiras peitorais são pontudas e de tamanho moderado. O bico é curto, largo e bem separado da cabeça. Apresenta de 40 a 56 pares de dentes grossos e pouco afiados.

Como nascem e quanto vivem - a maturidade sexual é atingida com pelo menos 2,3 m: fêmeas entre cinco e 12 anos, e machos entre nove e 13 anos. A gestação dura cerca de um ano. Os filhotes nascem medindo entre 0,8 e 1,2 m e pesando cerca de 10 Kg. A amamentação dura aproximadamente um ano, mas o filhote pode começar a ingerir alimentos sólidos antes dos seis meses. Existem fortes vínculos emocionais e sociais entre os golfinhos-flíper, especialmente entre mães e filhotes. O intervalo médio entre as crias é de dois anos. Pode viver pelo menos, 35 anos.
Comportamento e hábitos - grupos dos mais variados tamanhos, desde pares até centenas de indivíduos. Raras vezes são vistos animais solitários embora existam registros de golfinhos-flíper solitários (geralmente machos) e sociáveis em várias partes do mundo que permanecem na mesma área por períodos de meses até anos interagindo com humanos. No Brasil, ocorreu um caso destes em agosto de 1994 em Caraguatatuba, São Paulo. O golfinho-flíper, com cerca de 2,5 m, recebeu o nome de "Tião". Infelizmente, devido a ignorância dos banhistas que o molestavam freqüentemente, em dezembro "Tião” acabou  matando  um banhista tornando-
se um caso único no mundo. Pode formar grupos mistos com várias espécies de cetáceos tanto quanto tubarões e tartarugas. É inteligente, ativo e acrobata. Salta, bate as nadadeiras peitorais na superfície da água e gosta de acompanhar embarcações. Em algumas localidades, já foram observados "surfando" nas ondas. As vocalizações incluem uma grande variedade de estalos e assobios. Cada indivíduo tem seu assobio característico, reconhecido como sua "assinatura" dentro do grupo. Já foram registrados diversos comportamentos e táticas de pesca entre esses golfinhos. Durante as pescarias os grupos podem oferecer assistência mútua e, inclusive, cooperar com as pescarias locais. Em alguns locais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ocorre regularmente a pesca cooperativa entre os golfinhos-flíper e pescadores de tainha (Mugil spp.). Os pescadores inclusive, conhecem cada golfinho através de marcas pelo corpo e forma da nadadeira dorsal. A maioria deles tem nomes dados pelos pescadores. Outro local onde esta interação ocorre é na Mauritânia.
Alimentação - peixes, lulas, polvos e crustáceos.
Identificação Individual - é feita através de marcas e cicatrizes no bordo posterior da nadadeira dorsal. As marcas e cicatrizes ao longo do corpo que os animais adquirem ao longo de suas vidas podem ajudar, como complemento, a identificar distintos indivíduos.
Cativeiro - foi com o golfinho-flíper que se iniciaram as pesquisas com cetáceos em cativeiro, em 1914. Desde então ele se transformou em objeto de inúmeros estudos sobre comportamento e fisiologia, que fizeram com que o conhecimento sobre os cetáceos fosse ampliado. É um dos cetáceos que mais bem se adaptam em cativeiro. São exibidos em oceanários em várias partes do mundo e são inclusive utilizados em programas militares e de terapias. Um seriado de TV que tinha um Tursiops chamado de "Flipper" como personagem principal, tornou esta espécie de golfinho famosa em todo o mundo, e inclusive deu origem ao nome comum hoje adotado no Brasil. No cativeiro, o golfinho-flíper pode cruzar com outras espécies e produzir filhotes híbridos. As espécies envolvidas foram o golfinho-de-dentes-rugosos (Steno bredanensis), a baleia-piloto (Globicephala spp.), a falsa-orca (Pseudorca crassidens) e o golfinho-de-risso (Grampus griseus). Das duas últimas espécies, também existem filhotes híbridos que já foram descobertos na natureza.
Inimigos Naturais -
as orcas (Orcinus orca) e os grandes tubarões (Família Carcharhinidae).
Ameaças - capturas acidentais e intencionais em redes de pesca, degradação de seus habitats, poluição química e sonora dos oceanos constituem as principais ameaças para a espécie.
Status - encontra-se citado na categoria Dados Deficientes (IUCN, 1996).


GOLFINHO-PINTADO-DO-ATLÂNTICO (Stenella frontalis)




Família - Delphinidae
Distribuição - águas tropicais, subtropicais e temperadas quentes do Oceano Atlântico, tanto em águas costeiras quanto em oceânicas. No Brasil, até o momento, existem registros no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Ceará. Nas Bahamas, existe uma famosa área de concentração de golfinhos-pintados-do-atlântico.
Peso, medidas e características - adultos medem entre 1,6 m e 2,2 m. As fêmeas pesam entre 39 e 127 Kg e os machos entre 50 e 143 Kg. O corpo é alongado e esguio. Dorso escuro e ventre claro. Os adultos apresentam pintas claras no dorso e escuras na barriga. O grau de pintas nos adultos é extremamente variável, tanto individualmente quanto geograficamente. Filhotes nascem cinza-claro e as pintas vão aparecendo com a idade geralmente da barriga para o dorso. A ponta do relativamente longo e fino bico é branca. O manto dorsal cinza-escuro possui uma mancha clara pontiaguda rompendo seu desenho arredondado logo abaixo da nadadeira dorsal. A nadadeira dorsal é alta e falcada. As nadadeiras peitorais são pontudas e proporcionais ao tamanho do corpo. A região ao redor dos olhos normalmente é escura. Possuem de 60 a 80 dentes cônicos. A forma costeira é maior, mais robusta e mais pintada do que a oceânica. No Brasil, provavelmente existem as duas formas mas ainda torna-se necessária uma confirmação.

Como nascem e quanto vivem - a maturidade sexual é alcançada a partir de 1,8 m. Machos e fêmeas alcançam a maturidade sexual entre 6 e 11 anos e 4 a 8 anos de idade, respectivamente. A gestação dura cerca de um ano. Filhotes nascem medindo entre 0,8 m e 1,2 m. a amamentação dura cerca de um ano e o intervalo entre as crias é de 3 anos. Podem viver, pelo menos, até 50 anos de idade.
Comportamento e hábitos - podem formar grupos de vários tamanhos segregados em subgrupos por sexo e classe de idade. Em áreas costeiras podem formar grupos de até 80 indivíduos, embora sejam mais comuns grupos contendo entre 5 e 15 animais. Em alto mar esses grupos podem chegar a centenas. Sua estrutura social é complexa. Já foi observado entre os golfinhos-pintados-do-atlântico o comportamento de ajuda a animais doentes ou feridos da mesma espécie.  Podem
formar grupos mistos com outros cetáceos. Curiosos, nadam na proa de embarcações. São golfinhos muito ativos, nadam com rapidez e saltam com freqüência. Suas vocalizações incluem vários tipos de estalos e assobios.
Alimentação - principalmente lulas e peixes.
Identificação Individual - é feita através de marcas e cicatrizes no bordo posterior da nadadeira dorsal.
Cativeiro - geralmente não se adaptam bem ao cativeiro tendo problemas de estresse e recusam alimentos. Já foram mantidos em oceanários da Flórida para shows por períodos superiores a dez anos mas, geralmente, sobrevivem no cativeiro por poucos meses ou semanas.
Inimigos Naturais - os grandes tubarões (Família Carcharhinidae) e as orcas (Orcinus orca).
Ameaças - o golfinho-pintado-do-atlântico é capturado em pequena escala para subsistência em São Vicente (Antilhas Pequenas), nos Açores e possivelmente em Santa Lúcia e Dominica. A espécie é capturada acidentalmente em redes de espera em toda a sua área de ocorrência principalmente em áreas costeiras. Nessas áreas, também sofrem com a poluição, a degradação ambiental e em certos locais como a Baía da Ilha Grande, Rio de Janeiro, com o intenso tráfego de embarcações que os molestam. No Brasil, foram registradas capturas acidentais em Santa Catarina, São Paulo e no Rio de Janeiro. Também existem registros de capturas em redes de deriva oceânicas (drift-nets) no sul e sudeste. Na Venezuela, a carne dos golfinhos capturados é utilizada para o consumo e sua gordura serve de isca para a pesca de espinhel. A frota atuneira de várias nações que atua na costa oeste da África também os capturam acidentalmente.
Status - encontra-se citado na categoria Dados Deficientes (IUCN, 1996).


ORCA (Orcinus orca)


orca


Família - Delphinidae
Distribuição - podem ser encontradas em todos os oceanos desde as regiões polares até as tropicais e podem ser vistas tanto em áreas costeiras quanto em oceânicas, sendo um dos cetáceos que apresenta mais ampla distribuição geográfica. No entanto, as orcas são observadas com uma maior freqüência em águas frias e costeiras de ambos os hemisférios. No litoral brasileiro, até o momento, existem registros de sua ocorrência no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e de São Paulo até a Paraíba.
Peso, medidas e características - os machos são facilmente identificados por serem maiores e mais robustos que as fêmeas. Os machos, cujo comprimento varia entre 5,2 e 9,8 m ; podem pesar mais de 8 toneladas. Já as fêmeas medem entre 4,5 e 8,5 m e pesam 4 toneladas. Nos machos adultos, a nadadeira dorsal tem a forma triangular e pode atingir até 1,8 m de altura. Nas fêmeas e nos indivíduos juvenis, a nadadeira dorsal não ultrapassa 1 m e apresenta a forma mais falcada. A orca possui de 20 a 24 pares de grandes e poderosos dentes. Sua coloração é basicamente branca e preta. Existe um padrão característico de manchas brancas acima e atrás dos olhos e ao longo da barriga. Atrás da nadadeira dorsal há uma mancha irregular cinza-clara denominada de "sela".
Como nascem e quanto vivem - atingem a maturidade sexual quando os machos medem entre 5,2 e 6,2 m e as fêmeas entre 4,6 e 5,4 m. As fêmeas dão à luz apenas a um filhote, após uma gestação de aproximadamente 15 meses. O período de amamentação dura pelo menos 12 meses. A mamãe orca é muito carinhosa e atenciosa com o seu filhote e nunca se afasta de sua cria pelo menos nos 2 primeiros anos de vida. Os filhotes nascem com aproximadamente 2,2 m e pesam cerca de 180 Kg. O intervalo entre as crias pode variar de 3 a 12 anos. O tempo de vida das orcas é estimado em 25 anos mas elas podem chegar até a idades superiores a 40 anos.

Comportamento e hábitos - pode ser encontrada sozinha, mas em geral forma pequenos grupos familiares de 5 a 20 animais. Ocasionalmente, são registrados grandes agrupamentos de até 100 animais. Estes são temporários e podem estar relacionados a uma fartura de alimento e a atividades sociais. Apresentam laços sociais fortes e a estrutura dos grupos, denominada de unidade social, é bastante estável. Em algumas regiões do mundo, observou-se que um animal pode permanecer dentro da mesma unidade social por toda a vida pois mesmo depois de adultos, os filhotes costumam permanecer ao lado das mães, embora não sejam mais dependentes delas. Os grupos de orcas são constituídos por animais de ambos os sexos e todas as classes de idade, com predominância de fêmeas adultas, que lideram os demais , vivendo numa sociedade matriarcal. Em alguns locais do mundo foram identificados 2 tipos de unidades sociais de orcas: as residentes e as transeuntes. As residentes vivem sempre na mesma região, geralmente em áreas costeiras e protegidas onde há fartura de alimento, em grupos de no mínimo 5 animais.  Já  as  transeuntes vagueiam
pelos oceanos em pequenos grupos de até 5 animais. As orcas residentes jamais se associam com as unidades transeuntes e vice-versa. É curiosa e pode se aproximar de embarcações. Apesar de seu peso é muito ativa: salta, bate com as nadadeiras na superfície da água e coloca a cabeça para fora da água para "espiar" o que se passa ao seu redor. Também, descansam boiadas na superfície onde podem permanecer imóveis durante várias horas. O tempo de mergulho pode variar de 1 a 10 minutos. As vocalizações incluem estalos e assobios. Cada grupo tem uma feição única em seu repertório vocal o qual ajuda a identificá-lo acusticamente ou seja, cada grupo de orca usa um dialeto sonoro diferente e os grupos podem se identificar através do som. O repertório de cada grupo não exibe maiores mudanças por um período que pode durar pelo menos até 15  anos. Existem indícios de que grupos com repertórios e dialetos similares compreendem comunidades que não se interagem socialmente com as outras. O repertório vocal revela como as unidades sociais se relacionam e o parentesco que se remonta a centenas de anos. As orcas parecem manter um sistema de hierarquia social. Gostam de "brincar" girando sobre si mesmas, e perseguindo umas as outras. Mediante estas atividades, os integrantes do grupo estreitam seus laços e fortalecem suas interelações.
Alimentação - costumam caçar e alimentar-se de maneira cooperativa, formando verdadeiros "times" bem organizados onde cada animal desempenha uma função específica durante a caça. Em diferentes partes do mundo, pesquisadores já registraram uma grande variação de técnicas altamente especializadas que as orcas utilizam para capturar suas presas. Possuem uma dieta variada e oportunista que varia de região para região e entre os sexos e classes de idade. De forma geral, a dieta pode ser composta de várias espécies de peixes (incluindo os tubarões e as raias), lulas, cetáceos, focas, lobos, leões e elefantes-marinhos, pingüins, aves marinhas e até mesmo tartarugas. Por ter um apetite voraz e se alimentar de animais de sangue quente, recebeu injustamente o apelido de baleia-assassina, o que não corresponde a verdade. Acredita-se que uma orca precise ingerir o equivalente a 4 % de seu peso diariamente, o que corresponde cerca de 250 Kg num macho adulto. As técnicas de captura das presas se transmitem de geração para geração mediante a instrução dos exemplares adultos.
Cativeiro - é um dos cetáceos mais bem adaptados ao cativeiro sendo exibidos em oceanários de vários locais do mundo. Na década de 70 iniciou-se o crescente e lucrativo comércio de orcas que eram capturadas na costa noroeste dos Estados Unidos e Canadá. Atualmente, em vários países existem legislações que impedem ou limitam o comércio de orcas para exibição. Embora a Islândia ainda capture orcas para exibição, normalmente os indivíduos mantidos em cativeiro provêem de filhotes ali nascidos e da troca de animais entre os aquários. Na natureza não é recomendável tentar uma aproximação com a mesma intimidade que acontece no cativeiro onde os comportamentos exibidos em shows são aprendidos em troca de uma farta quantidade de comida.
Inimigos Naturais - não possui na natureza inimigos pelo fato de ser juntamente com o tubarão-branco os maiores predadores dos oceanos.
Ameaças - em várias partes do mundo as orcas tem sido caçadas pela sua carne e gordura ou mortas como potenciais competidoras pelos pescadores. No Japão, a carne das orcas é utilizada para o consumo e suas vísceras são usadas para fazer fertilizantes e iscas para a pesca. Na Noruega, sua carne é usada para fazer ração para animais domésticos. Várias orcas foram mortas durante sua captura e transporte para exibição em aquários devido a uma série de procedimentos inadequados. As orcas sofrem com a destruição de seu hábitat e com a ameaça de captura acidental em redes de pesca. Outro tipo de ameaça é a interação com pescarias oceânicas. Nesta interação as orcas aprenderam a "roubar" os peixes capturados no espinhel. No Brasil, este comportamento tem sido observado no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo durante a captura de atuns e espadartes. Os pescadores prejudicados costumam afugentar os animais muitas vezes de forma agressiva. Já foram encontrados nos tecidos das orcas altos níveis de PCBs e DDT, provenientes de efeitos da poluição ambiental.
Status - encontra-se citada na categoria Dados Deficientes (IUCN, 1996).

 

1 - 2

Topo