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Floresta Amazônica

amazônica
É o maior corpo florestal do planeta. A floresta Amazônica ultrapassa os limites das fronteiras políticas de países, ocupando as bacias do Orinoco e do próprio Amazonas, avançando pelos seus afluentes e penetrando ao norte nos territórios da Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Alcança o Atlântico, passando pelo delta do Amazonas, recobrindo parte do nordeste do Maranhão. Ao sul, invade a região do planalto, e portanto de cerrado, na forma de matas de galerias (mata de beira de rio). A oeste, é encontrada até os pés dos Andes, em terras bolivianas, peruanas, equatorianas e colombianas. Tamanha sua vastidão que alcança a América Central (esta mata com características já diferentes da Amazônia brasileira), podendo ser encontrada até no sul do México. Somando todas as áreas recobertas pela floresta, temos o incrível número de 6 milhões de quilômetros quadrados.
A parte brasileira é calculada em 3 milhões e meio de quilômetros quadrados, o que representa mais de 50% da floresta e 42% do território nacional. A Amazônia tem características marcantes que tornam sustentável tamanha vastidão verde. Nos chama atenção a extraordinária continuidade das florestas e a grandeza de sua rede pluvial. Apesar desta vastidão, apresenta pouca variedade de ecossistemas, mesmo analisando-se regiões e altitudes diversas. Algo que nos salta aos olhos é a “mesmice” encontrada nas terras amazônicas, sempre com altas e densas florestas, bem servidas de rios e animais.

A posição geográfica da Amazônia (na região da linha do equador) resulta numa fortíssima entrada de energia solar, acompanhada de abastecimento quase permanente de massas de ar úmido, com ausência de estações frias ou secas, e sem amplitude térmica muito grande. Estas são as características que possibilitaram o aparecimento de tamanha massa verde. Na região periférica da floresta, mais precisamente dos estados de Rondônia ao Acre, ocorre o fenômeno da "friagem". Este fenômeno consiste na penetração da massa de ar polar atlântica na Amazônia no período de inverno do hemisfério sul, provocando uma pequena baixa de temperatura. Em geral, a Amazônia recebe imensas cargas de água de 1600 a 3600 mm por ano, fazendo exceção aos campos de Boa Vista, em Roraima. As temperaturas médias oscilam entre 24 e 27 Cº. Algo que sempre nos chama atenção quando se fala de Amazônia é o contraste de cores, da fauna e da flora, chegando até a existir contraste de cores nos rios. Os rios brancos são aqueles que transportam uma grande quantidade de sedimentos finos, como argila e siltes (material sedimentar: pequenas partículas de minerais diversos, de tamanho compreendido entre 0,05mm e 0,005mm de diâmetro, que normalmente constituem mantos situados no solo) em solução, ao mesmo tempo arrastando areia em seu leito. Os rios negros por sua vez, nascem e correm entre terras firmes, com muitas florestas que chegam até suas margens. Por isso pouca quantidade de sedimentos é carreada por suas águas, encontrando-se apenas matéria orgânica em decomposição, provinda em sua maior parte, da serrapilheira (camada de folhas e restos animais do chão da mata) da floresta. Apesar de carregarem poucos sedimentos misturados em suas águas, esses rios transportam um pouco de areia em seu leito, e por isso, por vezes, ocorre a formação de bancos de areias, nos seus cursos. Existem também os rios de água esverdeada, como o baixo Tapajós. Quase sempre os rios de água esverdeada vêm de longe, principalmente das áreas entre o cerrado e os primeiros indícios de matas. Os rios "brancos" tem maior quantidade de peixes e suas várzeas são mais férteis, por conterem uma maior quantidade de sedimentos.

O igarapé (igara significa embarcação escavada no tronco de uma só árvore, pé significa caminho), em termos científicos, significa cursos de água amazônicos de primeira ou segunda ordem, componentes primários de tributação de rios pequenos, médios e grandes, sendo que a sua boca serve de porta de acesso às matas. Por isso os igarapés são usados pelos habitantes locais até hoje como caminhos. Um igarapé típico é aquele que corre mansamente por um túnel de mata quase fechado, com palmeiras se alinhando em suas margens, entre pequenos barrancos e a imensidão da floresta. Por correrem quase que no interior da mata, a maioria dos igarapés tem águas escuras, transportando poucos sedimentos clásticos (certas rochas, como a argila, o saibro, o arenito, formadas de fragmentos de outras rochas), tendo em suas águas quase apenas matéria orgânica em suspensão.
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Igapó é o nome que se dá a um trecho inundado de mata ou ainda a um brejo coberto de vegetação. Os igapós são formados pelas enchentes dos rios e dos igarapés, que ficam estagnadas por algum tempo. Esta água escoa pelos furos, que são o mesmo que corixos (canais por onde as águas das lagoas, dos brejos  ou dos campos  baixos escoam  para rios vizinhos) para a região pantaneira. Com todas estas características, a Amazônia abriga uma enorme variedade de espécies, tanto de animais quanto de vegetais, muitos dos quais, até os dias de hoje, não foram estudados.

Como pode se perceber, toda a vida deste imenso ecossistema gira em torno da água. Poucas áreas não são afetadas diretamente com enchentes, e a estas chamamos de matas firmes ou de terra firme. Nestas matas encontramos as árvores mais altas, muitas atingindo mais de 50 metros de altura. Nas matas sujeitas a alagamentos são muito encontradas árvores com raízes tabulares, pois estas dão maior fixação à planta ao solo. Ainda nestas matas, são encontradas adaptações interessantes como sementes que flutuam e que são carregadas pela água, germinando em outros locais, longe da planta mãe. As árvores destas matas são capazes de ficar com boa parte do tronco submerso durante meses.





tartarugas

pirarucu

A Amazônia é um intrincado ecossistema, que abriga uma riqueza de fauna e flora inestimáveis, podendo, caso seja usada de forma correta, trazer um avanço inimaginável para o ser humano. Mas a imensidão esconde a fragilidade desta massa viva perante uma única espécie. Infelizmente, a Floresta Amazônica é mais um ecossistema que vem sofrendo com o desrespeito e a ganância do homem. O desmatamento anual da Amazônia, que cresceu 34% de 1992 a 1994, pouco mais de 11.000 km2 em 1991, já ultrapassou 14.800 km2 conforme dados do próprio Governo. Na região, a atividade agrícola de forma não-sustentável, irracional, continua e a extração madeireira tende a aumentar na medida em que os estoques da Ásia se esgotam. Relatório elaborado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos, ligada à Presidência da República, indica que 80% da produção madeireira da Amazônia provêm da exploração ilegal. Conhece-se dezenas de madeireiras nacionais e estrangeiras em operação na região, porém há pouca fiscalização sobre a produção e a área de exploração destas empresas. Esses dados refletem o descontrole da região por parte das autoridades responsáveis pela gestão ambiental do país. O pior é que o desperdício da madeira gira entre 60% e 70%. Um outro agravante é o fato de o Governo desenvolver mega-projetos de infra-estrutura para a Amazônia que causam degradação ambiental sem trazer benefícios para os habitantes da região. Embora o Brasil tenha uma das mais modernas legislações ambientais do mundo, ela não tem sido suficiente para bloquear a devastação da floresta. Os problemas mais graves são a insuficiência de equipamentos adequados e de pessoal dedicado à fiscalização, as dificuldades em monitorar extensas áreas de difícil acesso, a fraca administração das áreas protegidas e a falta de envolvimento das populações locais. Solucionar essa situação depende da forma pela qual os fatores político, econômico, social e ambiental serão articulados.

Mais de 12% da área original da Floresta Amazônica já foram destruídos devido a políticas governamentais inadequadas, modelos inapropriados de ocupação do solo e à pressão econômica, que levou à ocupação desorganizada e ao uso não-sustentável dos recursos naturais. Muitos imigrantes foram estimulados a se instalar na região, levando com eles métodos agrícolas impróprios para a Amazônia.

A ocupação da região amazônica começou a se intensificar na década de 40 quando o Governo passou a estimular, através de incentivos fiscais, a implantação de projetos agropecuários na área. As queimadas e o desmatamento tornaram-se constantes. Até o final de 1990 mais de 415 mil km2 tinham sido desmatados. O total da área queimada foi 2,5 vezes maior. Em algumas localidades, como Porto Velho (RO), os aeroportos chegaram a ser fechados algumas vezes por causa da fumaça das queimadas. Outra forma de destruição tem sido os alagamentos para a implantação de usinas hidrelétricas. É o caso da Usina de Balbina ao norte de Manaus. A baixíssima relação entre a área alagada e a potência elétrica instalada tornou-se um exemplo de inviabilidade econômica e ecológica em todo o mundo. A atividade mineradora também trouxe graves conseqüências ambientais, como a erosão do solo e a contaminação dos rios com mercúrio. Organizações não governamentais nacionais e internacionais como o WWF, vêm desenvolvendo vários projetos, como a formulação de modelos para manejo sustentável de madeira tropical e para ecoturismo de base comunitária na região.

O ecossistema é frágil. A floresta vive do seu próprio material orgânico. O ambiente é úmido e as chuvas, abundantes. A menor imprudência pode causar danos irreversíveis ao seu equilíbrio delicado. Na Amazônia vivem e se reproduzem mais de um terço das espécies existentes no planeta. A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo, e o Rio Amazonas corta toda a região para desaguar no Oceano Atlântico, lançando no mar, a cada segundo, cerca de 175 milhões de litros de água. Esse número corresponde a 20% da vazão conjunta de todos os rios da terra. Nessas águas, ainda encontramos o pirarucu (Arapaima gigas), o maior peixe de água doce do mundo. Este peixe pode atingir 2,5 metros de comprimento.

Todos os números que envolvem indicadores desse bioma são enormes. Uma boa idéia da exuberância da floresta está na fauna local. Das 100 mil espécies de plantas que ocorrem em toda a América Latina, 30 mil estão na Amazônia. A diversidade em espécies vegetais se repete na fauna da região.

Os insetos, por exemplo, estão presentes em todos os estratos da floresta. Os animais rastejadores, os anfíbios e aqueles com capacidade para subir em locais íngremes, como o esquilo, exploram os níveis baixos e médios. Os locais mais altos são explorados por beija-flores, araras, papagaios e periquitos à procura de frutas, brotos e castanhas. Os tucanos, voadores de curta distância, exploram as árvores altas. O nível intermediário é habitado por jacus, gaviões, corujas e centenas de pequenas aves. No extrato terrestre estão os jabutis, cutias, pacas, antas, etc. Os mamíferos aproveitam a produtividade sazonal dos alimentos, como os frutos caídos das árvores. Esses animais, por sua vez, servem de alimento para grandes felinos e cobras de grande porte.

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Uma das medidas tomadas pelo Governo para proteção da floresta foi a moratória de dois anos, a partir de 1996, para concessão de novas autorizações para a exploração de mogno e virola. Como o desmatamento de florestas tropicais representa uma ameaça constante à integridade de centenas de culturas indígenas, tais medidas são de significativa importância. No caso da virola, projetos que priorizem sua conservação ou manejo adequado são fundamentais. A espécie, que chegou a ocupar o segundo lugar em valor na pauta de exportações de madeiras brasileiras, praticamente não é mais explorada comercialmente devido ao esgotamento das florestas nativas do gênero. Já o mogno, biologicamente adaptado às perturbações naturais, não se regenera bem quando está sujeito a práticas de corte seletivo. O seu plantio tem sido extremamente difícil devido à suscetibilidade a pestes naturais. A preservação da Amazônia é particularmente importante. Mas a região é também a terra dos índios, seringueiros, ribeirinhos e fazendeiros que dependem dos recursos naturais para viver e que têm o direito de usufruir dos recursos naturais, através do manejo sustentado. O desenvolvimento a longo prazo somente irá ocorrer se houver uma administração cuidadosa que evite a exploração excessiva.

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