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História do Município de Angra dos Reis

A região, onde se localiza a cidade, recebeu o nome de Angra dos Reis pois a primeira expedição exploradora portuguesa, em 06 de janeiro de 1502, dia da festa dos Reis Magos, chegou a essas águas. Na verdade, o que acreditavam ser uma angra (pequena enseada), era parte do grande complexo de baías, enseadas e centenas de ilhas, que poderia ter sido chamada de Baía dos Reis, designação nunca adotada oficialmente.

Como resultado da doação de uma sesmaria, feita por Martim Afonso de Souza, Capitão Geral da Capitania de São Vicente, nasceu, em 1559, um pequeno povoado, o primeiro da Baía dos Reis, no local hoje chamado Vila Velha, bem próximo à atual cidade de Angra dos Reis. Em 1624, o povoado, já transformado em vila, transferiu-se para as imediações do Convento do Carmo, onde se fixou definitivamente.

Os primeiros tempos foram marcados pela luta permanente contra os índios tumpinambás, pelos sobressaltos trazidos com a ameaça constante de piratas que, em busca do Rio da Prata, abrigavam-se nas redondezas da Ilha Grande, e pelo desbravamento da região, entre as altas montanhas e os avanços do mar.
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A área do continente oferecia estreitas planícies, formadas por rios provenientes das montanhas, como a do Ariró, Bracuí e Jacuecanga, onde já no século XVII, instalaram-se as primeiras plantações de cana e os primeiros engenhos para a produção de açúcar e aguardente.

Foi no mar, no entanto, que se projetou a riqueza de Angra dos Reis. Situada em local muito propício para o estabelecimento de um porto, numa enseada abrigada e com profundidade adequada para receber embarcações de porte, a cidade foi ponto de parada quase obrigatório para os que viajavam para São Vicente. No século XVIII, foi passagem para os que iam e vinham de Minas Gerais, ocupados com os negócios do ouro e, no século XIX, abriu as portas do mar para o café, que, plantado no Vale do Paraíba, também por ali era escoado.

Foi o café que realmente movimentou as águas calmas de Angra dos Reis, favorecendo o movimento das tropas que cruzavam a Serra do Mar e o surgimento de armazéns, casas de comércio para importação e exportação, novas igrejas, mais fiéis e belos sobrados. Angra tornava-se um dos maiores portos do país e estabelecia uma navegação ativa com os Portos de Sepetiba e do Rio de Janeiro.

aqueduto
Com o paulatino estabelecimento da estrada de ferro, a partir de 1860, unindo diretamente o Vale do Paraíba ao Rio de Janeiro, e a decadência que a maré cafeeira passaria a enfrentar na província, Angra assistiu ao declínio de sua prosperidade, ao surgimento de suas ruínas e ao abandono de suas igrejas. A Ilha Grande, que dá o nome da maior baía de todo o complexo, pertence ao município de Angra dos Reis.

A ilha foi originalmente habitada por índios, provavelmente tupinambás, que, além do nome, "Ipaum" (ilha) e "Guaçu" (grande) , legaram as inúmeras trilhas pelas quais hoje se percorre todas as praias e enseadas. Nos primeiros três séculos da colonização do Brasil, o povoamento da Ilha Grande foi muito escasso entretanto, era bastante conhecida por ser freqüentada por piratas franceses, holandeses e ingleses. Esses piratas buscavam na ilha locais seguros para o descanso, reabastecimento d'água, lenha e frutos cítricos, na rota que faziam até a bacia do Rio da Prata, onde o ouro do Peru e a prata de Potosi (Bolívia) eram embarcados para a Espanha. Quando, no século XVIII, as minas das Gerais começaram a descer a Serra do Mar até o porto de Parati, corsários e piratas, ora ameaçando cidades,  ora  abordando navios  e  traficando   escravos,   continuaram  a  ter  fortes motivos para perma-
necerem nas proximidades da Ilha Grande. Embora no século XIX a pirataria já tivesse se extinguido, devido aos acordos internacionais e à soberania das antigas colônias americanas, a Ilha Grande manteve suas qualidades de abrigo ao comércio ilegal, principalmente àquele ligado ao contrabando de escravos, após as tentativas de proibição do tráfico em 1826 e 1831. Apenas depois de 1850, não mais resistindo às pressões inglesas, a Marinha Brasileira passou ostensivamente a patrulhar a costa da Ilha Grande, dificultando muito o tráfico clandestino.

No século XIX, a ocupação da ilha passou a ser mais sistemática, através de fazendas de açúcar e café. As plantações estendiam-se pelas várzeas dos rios e sopés das montanhas, dividindo, com a pesca da baleia, as atividades econômicas da ilha. Essas atividades atravessaram com dificuldades a passagem para o século XX e praticamente não deixaram vestígios de sua existência. A decadência agrícola que assolou a ilha acompanhava de perto os problemas do continente, ligados ao esgotamento da terra, à substituição do trabalhador escravo e à concorrência com áreas mais produtivas de São Paulo. Por outro lado, a decadência permitiu que a densa vegetação da floresta tropical recuperasse sua força, tornando difícil acreditar que, um dia, a ilha chegou a ser tomada por plantações de cana e cafezais. Atualmente a Ilha Grande abriga comunidades de pescadores, diversas pousadas e casas de veraneio e, em 1971, foi transformada em Parque Estadual.

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Como no início de sua história, Angra dos Reis continuava voltada para uma imensa baía de águas cristalinas, privilegiada por ilhas paradisíacas. Atualmente Angra é um dos pólos de turismo do estado do Rio de Janeiro. Nas últimas décadas, por influência da estrada Rio/Santos, o município se viu invadido por projetos imobiliários e turísticos, como também pela instalação de projetos industriais ligados aos ramos metal-mecânico, energia nuclear e petrolífero.

A população atual está em torno de 95.400 habitantes, verificando-se em Angra os mesmos problemas de uma cidade grande, com ocupações desordenadas, os morros ocupados por favelas, problemas com tratamento de esgoto sanitário, entre outros.


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