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INSETOS

Os primeiros insetos viveram há mais de 300 milhões de anos. Estes seres praticamente habitam o mundo todo, desde os desertos, passando por florestas até lugares onde exista neve. Estão presentes em todos os ambientes. P ertencem a Classe Insecta, Filo Arthropoda, Reino Animalia, com cerca de 1 milhão de espécies, sendo a mais numerosa classe.

Uma das principais características externas de identificação imediata dos insetos é que todos possuem cabeça, tórax e abdome distintos e 3 pares de pernas articuladas. São animais invertebrados e possuem uma proteção chamada exoesqueleto. Nessas duas últimas partes, pode-se notar uma segmentação mais evidente. Na cabeça, encontram-se um par de antenas e um par de olhos não-pedunculados, ou seja, diretamente colocados junto à superfície. Esses olhos são compostos, e formam uma imagem "em mosaico". Cada unidade visual chama-se omatídeo.

Junto à boca, estão as peças ou aparelhos bucais, equipamentos especializados nos diversos tipos de alimentação dos insetos. Há aparelhos bucais trituradores, sugadores, mastigadores, picadores, lambedores, etc.

Os insetos são os responsáveis pela polinização de mais de 70% de todas as plantas fanerógamas da terra, ou seja, plantas que possuem flores. Muitos estão diretamente relacionados com a transmissão de doenças para os seres humanos, como a malária, a doença de Chagas, a dengue, a febre amarela e outras. A produtividade agrícola e a estocagem dos alimentos sofrem grandes perdas pela ação destruidora de muitas espécies de insetos que devoram lavouras inteiras, como os gafanhotos, ou transmitem doenças para as plantações.

Pela maneira de viver podemos dividir os insetos em solitários e sociais. Entre os insetos sociais destacam-se as formigas, cupins e abelhas, por serem mais conhecidas.

A ciência que estuda os insetos chama-se ENTOMOLOGIA (entomon = inseto do grego e logia = estudo). Em relação aos homens, muitos insetos são úteis (ex. abelhas), enquanto outros acabam sendo prejudiciais (mosquito).

Apesar de numerosos os insetos são praticamente as primeiras vítimas da degradação ambiental que vem ocorrendo como o desmatamento e principalmente com a aplicação de inseticidas.

Em relação à reprodução, o s insetos apresentam fecundação interna, e as fêmeas depositam os ovos para se desenvolverem fora do corpo. São, portanto, ovíparas. Em muitos insetos, observam-se algumas formas especiais de reprodução:  partenogênese , desenvolvimento de um embrião a partir de um óvulo não-fecundado, é verificada em abelhas; pedogênese , desenvolvimento de mais de um indivíduo a partir de uma única larva, ocorre em moscas; poliembrionia , desenvolvimento de múltiplos embriões geneticamente idênticos a partir de um único zigoto, é encontrada em algumas vespas.     

Uma característica marcante de muitos insetos é a passagem por estágios larvais e a ocorrência de metamorfose (do grego metabole, "mudança").

A seguir, você poderá conhecer um pouco mais da grande diversidade de insetos existentes no Brasil:




ABELHA MELÍFERA (Apis mellifera) GAFANHOTO (Rhammatocerus schistocercoides)
ABELHAS NATIVAS GRILO
BARATA JOANINHA
BARATA D'ÁGUA (Lethocerus maximus) LIBÉLULA (Erythrodiplax fusca)
BARBEIRO (Triatoma infestans) LOUVA DEUS (Mantis religiosa)
BERNE (Dermatobia hominis) MAMANGABA (Bombus sp.)
BESOURO MARIMBONDO (Trypoxylon figulus)
BICHO DE PÉ (Unga penetrans) MARIPOSA
BICHO PAU (Bactridium grande) MOSCA (Musca domestica)
BORBOLETAS (parte 1) (parte 2) MOSCA VAREJEIRA (Chrysomya sp.)
BORRACHUDO (Simulium pertinax) MOSCA DE BANHEIRO (Psychoda sp.)
CARUNCHO MOSQUITO DA DENGUE (Aedes aegypti)
CIGARRA MOSQUITO PÓLVORA ou MARUIM (Culicoides furens)
CIGARRINHA MURIÇOCA (Culex quinquefasciatus)
COCHONILHAS MUTUCA (Tabanus bovinus)
CUPIM PERCEVEJO (Nezara viridula)
ESPERANÇA PIOLHO (Pediculus humanus)
FORMIGA AÇUCAREIRA (Linepithema humile) PULGA (Pulex irritans)
FORMIGA CARPINTEIRA (Camponotus spp.) PULGÃO
FORMIGA CORREIÇÃO (Labidus praedator) TATURANA (Lonomia obliqua)
FORMIGA-DE-EMBAÚBA (Azteca sp.) TESOURINHA (Doru luteipes)
FORMIGA FANTASMA (Tapinoma melanocephalum) TRAÇA DAS ROUPAS (Tineola uterella)
FORMIGA LAVA PÉS (Solenopsis spp.) TRAÇA DOS LIVROS (Acrotelsa collaris)
FORMIGA LOUCA (Paratrechina longicornis) TRIPES (Taeniothrips xanthius)
FORMIGA QUEMQUEM (Acromyrmex spp.) VAGA-LUME (Lampyris noctiluca)
FORMIGA SAÚVA (Atta spp.) VAQUINHA (Diabrotica speciosa)



ABELHA MELÍFERA (Apis mellifera)


abelha

Características – é a espécie de abelha mais conhecida (abelha do mel). Esta espécie foi introduzida no Brasil em 1839 pelo Padre Antonio Carneiro de colônias vindas do Porto, Portugal. Atualmente esta espécie é encontrada em todo o país. P ertence à Ordem Hymenoptera, mesmo grupo das formigas e vespas. É um dos insetos mais importantes para o homem, pois seus produtos são de grande utilidade como o mel, o própolis, a geléia real e a cera, além de promoverem o importante papel na reprodução das plantas, através da polinização.
Habitat – áreas urbanas (forros, postes, árvores, etc), áreas de florestas e cerrados.
Ocorrência – em todo o Brasil.
Hábitos – a família Apidae, uma das famílias de abelhas, é a única que apresenta espécies com comportamento eusocial ou verdadeiramente social, isto é, as abelhas apresentam três características determinantes como o cuidado com a prole, a sobreposição de gerações e uma casta reprodutiva.  Assim,   podemos   encontrar  dentro  de  uma  colônia   de

abelhas, também chamada de colméia, operárias, rainha, cria e reprodutores (em algumas épocas do ano). As colônias são constituídas de operárias, que são abelhas fêmeas e estéreis, sendo menores que a rainha. São as abelhas que costumamos ver voando sobre as máquinas de refrigerante ou lixo. Em uma colméia podem ser encontradas de 50 a 80 mil operárias. As operárias são responsáveis por todo o trabalho da colméia tais como sua construção, alimentação da rainha, cuidado com a cria, limpeza e ventilação da colônia, defesa contra inimigos, coleta de pólen, néctar e água, produção de mel, própolis e geléia real. A longevidade de uma operária depende da temperatura e umidade ambiente, mas gira em torno de 30 a 50 dias. E xiste somente uma rainha em uma colônia de Apis. Ela é bem maior do que as operárias e zangões, sendo assim facilmente identificada. Possui movimentos mais lentos e está sempre rodeada por um número considerável de operárias que estão constantemente oferecendo-lhe alimento, a geléia real. Dentro de uma colméia existe somente uma rainha que é responsável pela postura dos ovos. Os ovos fertilizados dão origem às operárias e dos ovos não fertilizados nascem os zangões (machos). Quando uma nova rainha é produzida na colônia a rainha mais velha mata-a, ou uma das duas deixa a colônia (normalmente a mais velha) com um grupo de operárias. Este fenômeno  chama-se  enxameagem.  A  rainha mais nova
apis
parte para o vôo nupcial onde é fecundada por vários machos. Depois disso ela não abandona mais a colméia a não ser que enxameie. A longevidade da rainha é longa, podendo viver de 3 a 4 anos. Após o declínio de sua fertilidade as operárias providenciam uma nova rainha, o que se faz alimentando-se uma larva com geléia real. Os machos ou zangões não exercem nenhuma atividade especial dentro da colônia. Eles somente fecundam a rainha morrendo em seguida. Caixas, tambores, buracos nas paredes e forro são abrigos em potencial para as abelhas africanizadas Apis mellifera fazerem colônias e enxames. As árvores também servem de refúgio. Na primavera e no verão, as abelhas estão mais ativas na busca de alimento e na autodefesa. Atraídas por sucos, refrigerantes e doces, elas acabam provocando acidentes no contato com as pessoas. Assim, recomenda-se evitar expor produtos alimentícios contendo açúcares ao ar livre.
Alimentação – néctar e pólen das flores.
Reprodução – a colméia é composta por várias células ou favos que as operárias constroem com cera. Em cada célula é colocado um ovo que após a eclosão das larvas é continuamente alimentada pelas operárias. Os ovos fertilizados geram fêmeas. Os machos não têm pai, quer dizer, nascem de ovos não fertilizados. As abelhas-rainhas copulam com muitos machos – talvez para garantir a mistura de genes. Na época do acasalamento, a rainha executa o "vôo nupcial", no qual é acompanhada pelo cortejo de zangões. Vários machos fertilizam a rainha, que deposita os espermatozóides em uma cavidade chamada espermateca. Ao retornar para a colméia, inicia a postura dos ovos. Em favos largos, não ocorre a compressão da espermateca, e apenas óvulo é depositado. Nos favos estreitos, a espermateca é comprimida e libera espermatozóides. A fecundação é interna, e um zigoto é depositado no favo. Os ovos fecundados (diplóides) originam as fêmeas, enquanto os não-fecundados desenvolvem-se por partenogênese, formando apenas machos. Todos os machos são férteis, mas a fertilidade dos embriões femininos depende do tipo de alimentação fornecida às larvas. As larvas destinadas a serem operárias recebem uma alimentação menos abundante, constituída principalmente de mel. As larvas das futuras rainhas são alimentadas por operárias mais velhas, e recebem uma alimentação especial, mais abundante e rica em hormônios, chamada geléia real.
Predadores naturais – pássaros, aves, irara, lagartos.
Ameaças – desmatamento, queimadas e extração indiscriminada.
Cuidados - a reação à picada de abelha varia dependendo da sensibilidade do indivíduo atacado. Quando ocorrem poucas picadas a reação limita-se a uma inflamação local, inchaço, dor e calor. Nestes casos não há necessidade de procurar um médico. Em alguns casos pode haver uma hipersensibilidade imediata do indivíduo atacado desencadeando um quadro clínico mais grave com edema de glote acompanhado de choque anafilático. Neste caso o indivíduo deve ser o mais rapidamente possível removido para um hospital. Nos casos em que ocorrem múltiplas picadas (dezenas, centenas ou milhares), o que normalmente acontece com abelhas do gênero Apis, o indivíduo atacado recebe uma grande quantidade de veneno. O indivíduo deve ser removido imediatamente para o hospital. A vítima apresenta sinais de agitação, dor generalizada, muita coceira, podendo evoluir para um estado de torpor. Pode ocorrer insuficiência respiratória, edema de glote e broncoespasmo.
apicultor

 

ABELHAS NATIVAS


No Brasil existem centenas de abelhas nativas, todas elas muito importantes nos ecossistemas,  como polinizadoras de diversas plantas. Muitas destas plantas, entrariam em extinção, caso estas abelhas não realizassem este trabalho.

Os nomes comuns variam de região para região e podemos citar alguns: abelha-cachorro, Jatai, irapuá, arapuá, mombuca, moçabranca, mandaçaia, uruçu, jandaíra, mirim, mirim-preguiça, abelha limão, mosquito, entre outros.

Algumas abelhas não possuem ferrão e pertencem à família Meliponidae. Muitas espécies são criadas para a retirada de produtos como a abelha Jataí. Algumas das abelhas que amedrontam pessoas são as mamangabas, grandes e peludas. As espécies brasileiras são, na maioria das vezes, de coloração negra com áreas amareladas no corpo.

Com o estabelecimento da Lei n o 5197, de 03/01/67, Lei de Proteção à Fauna foi estabelecida a proibição da sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha, portanto fica proíbido o extermínio de abelhas nativas, pois estão protegidas por lei. O DECRETO No 3.179, DE 21 DE SETEMBRO DE 1999, dispõe sobre a especificação das sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências.

As abelhas nativas são bem menores que a abelha melífera ( Apis mellifera ). Elas são muito importantes para o meio ambiente, pois coletam o néctar e o pólen das flores possibilitando a fecundação. Desta forma, muitas plantas só se reproduzem, ou seja, produzem flores e frutos graças às abelhas. Sem elas muitas espécies de plantas entrariam em extinção. Estas espécies nativas não produzem tanto mel quanto a Apis mellifera , mesmo assim têm sua importância econômica e ecológica. Espécies como a jataí, mandaçaia, urucu e jandaíra, são criadas por meliponicultores de várias regiões do Brasil, observando-se o hábitat de cada uma das espécies. O mel produzido por essas abelhas, apesar de ser em menor quantidade, apresenta qualidades medicinais e sabores diferenciados, o que garante a comercialização do produto com valor muito superior em relação ao mel da abelha melífera. O interesse por estas abelhas vem crescendo muito, o que incentiva a produção artificial de colônias com valores considerados. Também, por não apresentarem qualquer perigo para o homem, as abelhas sem ferrão vêm sendo utilizadas para educação ambiental nas escolas.

A seguir, apresentamos algumas espécies de abelhas nativas sem ferrão:



ABELHA CACHORRO (Trigona spinipes)


irapuá

Características – da família dos meliponídeos a abelha cachorro, também conhecida como arapuá ou irapuá, possui coloração negra e mede cerca de 5,0 a 6,5 mm de comprimento.
Habitat – cerrado, matas, pomares em áreas rurais e urbanas.
Ocorrência – em todo o Brasil.
Hábitos – Seus ninhos são aéreos, de formato oval, apoiados em forquilhas de árvores ou em cupinzeiros abandonados . A entrada é ampla e oval com lamelas internas de cerume. No ninho destaca-se a presença de uma consistente massa composta de materiais diversos, tais como: restos de casulos, abelhas mortas, excrementos e resinas. Pode conter até três  agrupamentos  de  células  de  cria  grandes  no  mesmo ninho. É

espécie agressiva podendo atacar outras abelhas sem ferrão principalmente nas flores. Destrói botões florais de algumas plantas. Para fazer seus ninhos elas utilizam fibras de vegetais. Costuma ser um problema para os produtores de citros. Elas atacam flores e folhas novas e até a casca do tronco da planta para retirar resina para a construção de seus ninhos. Quando as plantas estão em flor o prejuízo é maior, pois a irapuá faz um orifício nos botões florais prejudicando a frutificação. O crescimento das plantas também é retardado devido ao ataque destas abelhas. Além dos citros atacam também bananeiras, jabuticabeiras, jaqueiras, mangueiras, pinheiro-do-paraná, entre outros.
Alimentação – néctar e pólen
Predadores naturais – aves, pássaros, lagartos e irara


ABELHA JATAÍ (Tetragonisca angustula)


jataí

Características – mede aproximadamente 5mm, com coloração dourada. As colônias apresentam 2.000 a 5.000 indivíduos. Abelha mansa, de mel fino e delicioso. Tem a cera branca e de excelente valor na iluminação, sendo muito viva a sua luz. Seu mel é empregado principalmente para fins medicinais.
Habitat – floresta, cerrados e áreas urbanas (muros, postes, etc.). Os locais de nidificação são: ocos variados em muros de pedra, tijolos vazados, cabaças, ocos de árvore. Bem adaptada à vida urbana, seus ninhos podem ser encontrados por mais de 35 anos no mesmo local. Assim, podemos dizer que os ninhos são perenes mas as rainhas são trocadas periodicamente. A jataí constrói sua colméia no oco dos paus, nas locas de pedras, nas gretas das paredes de velhas igrejas e casas residenciais.
Ocorrência – todo o Brasil.

Hábitos – a entrada da colônia é constituída por um tubo de cerume rendilhado com base firme. Nos ninhos novos ou fracos, essa entrada é fechada durante a noite. É característico a presença de abelhas guardas ou sentinelas que ficam voando nas proximidades do tubo, formando uma pequena nuvem. As abelhas campeiras apresentam movimento bem diferente, pois entram e saem do ninho rápida e constantemente. Elas podem entrar carregando pólen nas patas ou néctar no abdome. Ninho com invólucro de cerume abundante, com várias camadas finas. O alimento é armazenado em potes ovóides. O mel é de excelente qualidade. As jataís constroem as células de cria em forma de favos, geralmente dispostos paralelamente. As células de cria são construídas simultaneamente, em bateria, de modo que ficam prontas para receber o alimento larval todas de uma vez. Muitas vezes as operárias botam ovos tróficos para a rainha, redondos e grandes. A rainha se alimenta desses ovos antes de colocar os seus.
Alimentação – néctar e pólen
Predadores naturais – aves, pássaros, lagartos e irara
Ameaças – destruição do habitat e extração indiscriminada.
abelhas_nativas


ABELHA MANDAÇAIA (Melipona quadrifasciata)
mandaçaia

Características - mede aproximadamente 11mm. As colônias são pouco populosas, por volta de 300-400 indivíduos. A entrada típica apresenta ao seu redor raios convergentes de barro, construídas pelas abelhas. Só passa uma abelha de cada vez. Essa espécie apresenta favos de cria horizontais ou helicoidais (em caracol). Não apresenta células reais. O invólucro que protege os favos de cria possui diversas membranas de cerume. Os potes de alimento são ovóides com 3-4cm de altura.
Habitat – Floresta Atlântica em ocos de troncos ou galhos.
Ocorrência – Sudeste do Brasil
Hábitos – mais ativa na parte da manhã e final da tarde.
Alimentação – néctar e polén
Predadores naturais – aves, pássaros, lagartos e irara
Ameaças – destruição do habitat e extração indiscriminada



BARATA


Características – s ão os insetos mais comuns ao convívio humano, no entanto, das cerca de 4.000 espécies existentes, a sua maioria é silvestre. Apenas menos de 1% busca o convívio com o homem, devido às condições propícias relacionadas à disponibilidade de alimento, abrigo e água. Estas espécies são chamadas de baratas domésticas. Assim, baratas domésticas são aquelas que vivem dentro de residências (domicílios ou outras estruturas construídas pelo homem), no peridomicílio (ao redor de estruturas) e seus anexos, tais como caixa de gordura, esgoto, bueiros e outros locais úmidos e escuros. Estudos de fósseis de baratas demonstram que estes animais mudaram muito pouco nos aproximadamente 300 a 400 milhões de anos que existem na face da terra. Por isso, a barata é considerada uma das espécies de maior capacidade de adaptação e resistência do reino animal, podendo adaptar-se às mais variadas condições do meio ambiente. Baratas são insetos de pequena importância médica, quando comparados a outros insetos transmissores de doenças, tais como a dengue, malária, etc. Não há evidência de que as baratas causem doenças ou zoonoses por transmissão direta (não são vetores). Possuem corpo ovalar e deprimido. Seu tamanho pode variar de alguns milímetros a quase 10 centímetros, tendo em geral coloração parda, marrom ou negra. Existem, no entanto, espécies coloridas.O formato e o tamanho variam dependendo da espécie, sendo que, genericamente podemos dizer que: machos são menores que as fêmeas; quando diferem pelas asas, os machos tem asas mais desenvolvidas que a fêmea; em algumas espécies os machos são alados e fêmeas ápteras. A cabeça é curta, subtriangular, apresentando olhos compostos grandes e geralmente dois ocelos (olhos simples).As antenas encontram-se inseridas entre os olhos compostos, apresentando formato filiforme e podendo atingir o dobro do comprimento do corpo. Elas desempenham um papel fundamental na sobrevivência da barata servindo não apenas como elemento de direção, mas também podendo captar vibrações no ar ou ainda cheirar alimentos ou feromônios.O aparelho bucal é mastigador, possibilitando roerem papéis, roupas sujas de alimento (cola, doces, etc.), pelos, pintura, mel, pão, carne, batatas, gorduras, lombadas dos livros e os seus dourados. Algumas se alimentam de madeira (celulose), sendo tal alimento digerido por microrganismos como sucede entre os cupins. O tórax apresenta o seu primeiro segmento bem desenvolvido, com o pronoto largo, achatado, cobrindo a cabeça. As pernas são ambulatórias, tornando as baratas andarilhas excepcionais. Apresentam coxa grande, fêmures e tíbias com espinhos e, em geral, têm tarsos pentâmeros. O abdome é séssil, alargado e deprimido, apresentando em geral 10 segmentos. Apresenta um par de cercos no último urômero, acrescido de um par de estilos nos machos. São insetos hemimetábolos, ou seja, apresentam metamorfose gradual ou parcial (simples) em três estágios: ovo, ninfa e adulto. As mais comuns no Brasil são a Barata alemã (Blatella germanica) e a Barata-de-esgoto (Periplaneta americana). As baratas não são bons insetos voadores, sendo que o meio de disseminação mais comum é propiciado pelo próprio homem. As baratas escondem-se em engradados, caixas e sacos, atingindo o mundo todo.
Habitat – ambientes com pouca luminosidade e úmidos.
Ocorrência – cosmopolitas, encontrando-se nos mais diversos ambientes ao redor do mundo (menos nas calotas polares). A maior parte das espécies é de origem tropical ou subtropical, havendo referências de serem procedentes do continente africano. Popularmente, as baratas são consideradas veiculadoras de doenças causadas por disseminação mecânica de patógenos diversos tais como esporos de fungos, bactérias, vírus, etc., nas pernas e corpo, adquiridas quando percorrem esgotos e lixeiras ou outros lugares contaminados.
Hábitos – hábitos noturnos, sendo mais ativas à noite, quando saem do abrigo para alimentação, cópula, oviposição, dispersão, vôo. O hábito noturno das baratas pode ser explicado através do mecanismo de seleção natural. Durante sua evolução as baratas que se mantinham ativas à noite sobreviviam, ao contrário daquelas que tinham hábitos diurnos. Estes insetos passaram assim a predominar no ambiente, transmitindo a seus descendentes este comportamento chamado de fototropismo negativo, significando que elas procuram sempre a escuridão ao invés da luz. Durante o dia ficam abrigadas da luz e da presença de pessoas, algumas condições especiais contribuem para o seu aparecimento diurno, tais como: excesso de população; falta de alimento ou água (stress). Embora não sejam animais sociais, como as abelhas, cupins e formigas, as baratas são gregárias, sendo comum ocorrerem em grupos.
Alimentação – onívoras, ou seja, comem de tudo que tenha algum valor nutritivo para elas. São particularmente atraídas por alimentos doces, gordurosos e de origem animal. No entanto, podem se alimentar de queijos, cerveja, cremes, produtos de panificação, colas, cabelos, células descamadas da pele, cadáveres, matérias vegetais.
Reprodução – a postura dos ovos é feita dentro de uma cripta genital em uma capsula denominada ooteca, em forma de bolsa fechada, a qual contém duas fileiras de ovos justapostas e separadas por uma membrana. O número de ovos varia com a espécie podendo variar de 4 a 50 ovos. A ooteca é colocada, pela maioria das espécies, em um lugar seguro, próximo à uma fonte de alimentos, cerca de dois dias após sua formação. Apenas a Barata alemã (B. germanica) carrega a ooteca até cerca de 24-48 horas antes da eclosão dos ovos. As próprias ninfas rompem a ooteca na maioria das espécies, à exceção da Barata-de-esgoto (P. americana) onde as formas jovens são liberadas com o auxílio da mandíbula materna. As formas jovens (ninfas) parecem-se com as adultas. Um casal de B. germanica pode produzir em condições ideais no período de um ano, cerca de 10.000 indivíduos considerando-se a primeira e segunda gerações.
Predadores naturais – aves, pássaros, lagartos e cobras.


Barata alemã - a Blatella germanica é denominada de barata pequena, barata alemãzinha, barata alemã, francesinha, paulistinha. Trata-se de baratas de pequeno tamanho, altamente prolíficas. Como ninfa chegam a medir um milímetro. Os lugares preferidos para se abrigarem são acanhados e geralmente passam despercebidos aos nossos olhos, como por exemplo, azulejos quebrados, batentes de portas, armários e prateleiras de madeira, vãos e cavidades em geral (conduítes elétricos), motores de equipamentos de cozinha, atrás e debaixo de pias e balcões, etc.

Diferentemente da P.amerciana , a B. germanica carrega a ooteca até que esteja madura, depositando-a em um lugar abrigado próximo de uma fonte de alimento. Áreas onde ocorrem a manipulação e armazenagem de alimentos estão sujeitas a infestação pela B. germanica. Assim, embalagens de produtos são um eficiente mecanismo de dispersão da praga, uma vez que elas se alojam facilmente em pequenos espaços em caixas de papelão, sacos plásticos e outros materiais. É desta maneira que a barata alemã, assim como outras, pode se dispersar com facilidade para qualquer lugar do mundo, seja sua vizinhança, seja um outro país. Ocorre a concentração de baratas alemãs na cozinha, sanitários e outras áreas onde haja alimento e umidade disponível.

barata
Em nossas residências podemos facilmente criar "habitats" para as baratas, através do acúmulo de jornais e livros, acúmulo de lixo, furos e rachaduras em paredes, azulejos soltos, forros de gesso e madeira, vãos entre a instalação elétrica/hidráulica e as paredes, espaço entre o fundo de armários embutidos e gabinetes em relação a parede. Também em armários e ambientes fechados pouco ventilados, com acúmulo de materiais como em maleiros de guarda-roupas, cabine de quadros de energia e relógio de água, porões, sótãos.

Barata-de-esgoto - a Periplaneta americana, também denominada de barata grande, barata voadora, barata-de-esgoto, é uma das espécies domésticas mais comuns no Brasil. As baratas americanas podem viver em grandes grupos sobre paredes nuas, desde que não haja perigo ou distúrbios constantes, como predadores naturais ou outros riscos (limpeza, etc.). No entanto, normalmente apresentam um comportamento mais tímido, vivendo em ambientes mais reclusos e maiores, uma vez que se tratam de insetos grandes, que não podem se esconder em qualquer lugar. Normalmente, a barata americana deposita a ooteca em um lugar seguro (abrigo) próximo de uma fonte de alimento e numa inspeção, lugares como rodapés, rachaduras, cantos e frestas, ralos, caixas de gordura, etc, devem ser inspecionados para avaliar o grau de infestação desta praga.

Os locais preferidos para os adultos se estabelecerem são os esgotos, as canaletas de cabos, as caixas de inspeção, as galerias de águas pluviais, as tubulações elétricas. Aparecem também em áreas pouco freqüentadas por pessoas como os arquivos e depósitos em geral, principalmente onde haja abundância de papelão corrugado, seu esconderijo preferido.



BARATA D'ÁGUA (Lethocerus maximus)

Características – os adultos podem exceder os 11 cm. Muito robusta, com pernas dianteiras adaptadas à caça e pernas intermediárias e traseiras adaptadas ao nado. Têm a capacidade de reter o ar permitindo o mergulho. Face ventral coberta por pequenos pelos. Coloração marron-acinzentada.
Habitat – margens de lagos e represas ricas em plantas aquáticas
Ocorrência – América do Sul
Alimentação – peixes, rãs etc., dos quais suga-lhe os líquidos orgânicos.




BARBEIRO (Triatoma infestans)


Características – são percevejos hematófagos de grande importância em saúde pública por serem transmissores da doença de Chagas.
Habitat – algumas espécies estão bem adaptadas ao ambiente domiciliar humano sendo responsáveis por muitos casos de transmissão da doença. São conhecidas cerca de 100 espécies destes percevejos e o protozoário Trypanosoma cruzi responsável pela doença de Chagas já foi encontrado infectando metade destas espécies, porém cerca de 12 espécies são epidemiologicamente importantes para o homem. Geralmente encontramos estes insetos em casas de "pau-a-pique" e de barro, as quais possuem muitas frestas para abrigarem estes insetos. A cobertura destas casas também pode abrigar uma grande quantidade destes insetos hematófagos. O agente causador da doença de Chagas, o protozoário Trypanosoma cruzi já foi constatado infectando naturalmente cerca de 200 espécies de mamíferos, como por exemplo os morcegos, gambás, ratos, pacas, tatus, tamanduás, cães, gatos, raposas, cotias, preás, preguiças, macacos e coelhos dentre outros. Estes animais são chamados de reservatórios naturais do protozoário Trypanosoma cruzi ou hospedeiros, sendo o agente transmissor da doença as espécies de percevejos hematófagas da Família Triatominae.

barbeiro
Ocorrência – em todo o Brasil.
Alimentação – a maioria das espécies se alimenta de sangue de mamíferos, aves e do homem. Saem à noite para picar as pessoas, geralmente na face, fato que dá origem a seu nome.
Reprodução – o ciclo de desenvolvimento destes percevejos compreende a fase de ovo, ninfa e adulto. Na fase adulta após a primeira alimentação estes insetos já estão aptos ao acasalamento. A fêmea deposita seus ovos individualmente ou em grupos durante o seu período de vida, variando conforme a disponibilidade de alimento e condições ambientais. Os ovos de algumas espécies de percevejos, geralmente têm forma de barril e são postos em grupos. Usualmente as fêmeas depositam-nos em cortinas, janelas e outros objetos domésticos. Destes ovos eclodem pequenas ninfas, que normalmente são coloridas, ficando por um tempo agrupadas.
Predadores naturais – pássaros, aves, lagartos, pequenos mamíferos, etc.

 

BERNE (Dermatobia hominis)


berne

Características – é um parasito de animais domésticos e silvestres e em alguns casos o próprio homem. O berne é uma mosca (Dermatobia hominis) originária dos trópicos úmidos da América Latina. Causa míiases (infecção ocasionada) no homem e outros animais.
Habitat – áreas rurais e urbanas.
Ocorrência – todo o Brasil.
Reprodução – a fêmea oviposita em outras moscas ou mosquitos (insetos vetores) que carregam seus ovos até o hospedeiro, como por exemplo a mosca doméstica que pode carregar mais de 30 ovos aderidos ao seu corpo. O inseto vetor ao pousar em um animal acaba deixando alguns ovos da mosca do berne, cujas larvas ao eclodirem penetram no tecido subcutâneo permanecendo por um período que pode variar conforme a espécie (20 a 120 dias), sendo os bovinos e caninos os hospedeiros preferenciais deste inseto. A infestação dos animais por estes parasitos acarreta a perda de peso, stress, depreciação da pele e, em casos de alta infestação, pode levar a morte do animal. A mosca do berne é perigosa, pois dependendo da situação ela pode até matar um animal.




BESOURO


A ciência já descreveu 350 mil espécies de coleópteros, ordem a qual pertencem os besouros, os vaga-lumes e as joaninhas. Eles representam um terço de todas as espécies animais existentes no planeta. Possui compacta estrutura que se assemelha a uma carapaça e envolve a parte superior do inseto e um par de asas dobradas. Voando, os élitros (designação científica da tal carapaça) entreabertos e imóveis conferem certa aerodinâmica ao vôo. Entre os besouros do mundo existe uma formidável variedade de formas, tamanhos e hábitos. Mas a presença dos élitros é comum a todos, classificando-os dentro de um mesmo grupo entre os insetos: a ordem dos coleópteros. A palavra originou-se do grego koleos (estojo) e pteron (asa). Estojo refere-se aos élitros. São aproximadamente 350 mil as espécies de coleópteros já descritas pela ciência, o que corresponde a cerca de 40% das espécies de insetos ou um terço de todas as espécies animais. No Brasil, 26 mil espécies estão descritas. Não há uma ordem tão grande no reino animal. Joaninhas e vaga-lumes, por exemplo, são coleópteros. A expressividade desses números indicam que são animais muito bem-sucedidos evolutivamente. O motivo principal, segundo informam os biólogos, é exatamente a presença dos élitros, que conferem proteção e um formato compacto aos besouros, possibilitando-os explorar diferentes ambientes. Os besouros aquáticos, por exemplo, quando estão debaixo d'água guardam o ar na cavidade formada entre as asas e o corpo. E, nos besouros do deserto, os élitros protegem as cavidades respiratórias, evitando perda de água para o ambiente. O maior coleóptero do mundo de que se tem registro é a espécie amazônica Titanus giganteus, com até 20 centímetros de comprimento, e os menores são os ptiliídeos, com cerca de um quarto de milímetro. Há espécies aquáticas de besouros, chamados girinídeos, que possuem os olhos subdivididos em duas partes, uma inferior e outra superior, dando a impressão de ter quatro olhos. Quando está flutuando, a parte superior enxerga o que se passa acima da linha da água e a de baixo enxerga dentro da água.

Besouro gigante (Titanus giganteus) - o maior coleóptero do mundo de que se tem registro, com até 20 centímetros de comprimento. Pelo menos quatro bichos brasileiros disputam o título de maior inseto do planeta. Em termos de volume, o besourão, que mora na Amazônia é o campeão. Ele alcança até 22 centímetros de comprimento e pesa 70 gramas. Hoje, os grandalhões são raros. Os insetos menores, mais versáteis e que não precisam de tanta comida, dominam. Para sobreviver, às vezes, é melhor ser pequeno.

besouro


rola_bosta

Rola-bostas (Ontophagus gazella) - também chamados de escaravelhos, são besouros da família dos escarabeídeos e têm importante papel na reciclagem de nutrientes do solo. Eles alimentam-se de fezes de animais e na época da reprodução enterram bolinhas de estrume para alimentar as larvas, que se criam sob o solo. Diz-se dos besouros que têm como estratégia reprodutiva fazer uma ou várias bolas de estrume, as quais são enterradas e sobre as quais depositam seus ovos. Existem rola-bostas em todo o mundo e alguns são mais rápidos que outros na tarefa de decompor o esterco. Assim, os africanos, adaptados para decompor o estrume de grandes animais, são os mais eficientes. Muitos países trouxeram com sucesso os besouros africanos para melhorar a fertilidade do solo, incorporando matéria orgânica, e combater certas pragas. No Brasil, a espécie africana Ontophagus gazella foi introduzida em 1989 para realizar o controle biológico da mosca-do-chifre, parasita de bovinos. Como a mosca deposita seus ovos no esterco, acreditava-se que, eliminando o mesmo rapidamente, o ciclo seria quebrado. Para se ter uma idéia, uma fêmea do besouro africano é capaz de gerar de 60 a 90 larvas por mês. Os rola-bostas brasileiros fazem uma geração por ano, de oito a dez insetos por vez. É um pequeno inseto que ajuda no combate de uma das piores  pragas  da  criação  de  bovinos,  a mosca  do chifre. A mosca

causa irritação por se alimentar de sangue, e para isso pica os animais, causando dor, estresse e danificando o couro dos bichos, sendo assim o animal perde muito peso e em alguns casos a capacidade reprodutora. O pequeno besouro se adaptou bem ao cerrado e ao clima quente da região, que acelera o processo de multiplicação dos besouros. Eles se alimentam dos ovos da mosca dos chifres que são depositados nas fezes frescas dos bovinos. O controle da praga é eficiente, apenas 5% dos ovos conseguem se desenvolver. Além de controlar a população da mosca do chifre, ele suga todo material orgânico e leva pra dentro da terra ajudando na adubação do solo. Desta forma ele contribui para a melhoria da qualidade do pasto que garante o ganho de peso dos bovinos. Vários produtores já adotaram o controle biológico para combater a mosca dos chifres. Têm a característica de separar uma porção de estrume da massa, rolar a uma determinada distância do ponto de origem e depois enterrar ou cobrir com grama. Constroem dois tipos de bolas: as bolas-alimento para os adultos, e as bolas-ninho, estas moldadas mais cuidadosamente e enterradas em profundidades maiores. Ele contribui para a aeração do solo ao cavar os buracos para enterrar as bolas de fezes. Isso melhora a fertilidade do terreno, pela incorporação de matéria orgânica e reciclagem de nitrogênio e fósforo, e diminui a infestação das pastagens por larvas de helmintos gastrintestinais. Os inseticidas existentes no mercado são capazes de eliminá-los. Por isso, deve-se evitar colocá-los nas fezes de animais que receberam inseticidas nos últimos 40 dias.


Serra pau (Hedypathes betulinus e Oncideres impluviata) - dentro da família dos cerambicídeos, a maioria das espécies alimenta-se, na fase larval, de madeira em diferentes estágios de decomposição. Algumas larvas comem madeira recém-abatida e portanto a mãe precisa cortar um galho para em seguida nele introduzir os ovos. Daí o nome popular serra-pau. O trabalho é feito meticulosamente usando as mandíbulas. No sul do Brasil, larvas da espécie conhecida como corintiano (Hedypathes betulinus) são pragas agrícolas da cultura do mate, e fêmeas adultas de Oncideres impluviata cortam galhos da acácia-negra, árvore cultivada comercialmente para extração de tanino. Os membros da família dos cerambicídeos, que conta com cerca de 30 mil espécies no mundo e 4 mil no Brasil, são facilmente reconhecíveis pelas antenas bastante alongadas, em geral maiores que o corpo. Na fase adulta, esses besouros têm vida curta, suficiente apenas para copular e realizar a postura. Em compensação, o ciclo larval de algumas espécies chega a durar entre dois e três anos. São coleópteros que medem cerca de 30 mm de comprimento com coloração parda. As fêmeas e machos serram os ramos de arbustos e árvores e após a queda destes, realizam a postura de seus ovos sob a casca. As larvas ao emergirem se alimentam do lenho do ramo caído. O ciclo de desenvolvimento destes insetos é longo, podendo atingir 370 dias conforme a espécie. Encontramos muitas vezes em nossos pomares ramos de laranjeiras e abacateiros caídos devido ao ataque destes besouros. Prejudicam plantios de eucaliptos, mogno, árvores frutíferas e outras plantas. Os ramos caídos devem ser removidos e queimados para evitar a emergência de novos insetos.

Hedypathes betulinus - o adulto é um besouro que mede, aproximadamente, 25 mm de comprimento. O corpo apresenta coloração preta, sendo recoberto por pelos brancos. As antenas são longas e finas, com manchas alternadas claras e escuras. As larvas são desprovidas de pernas e de coloração branca. As fêmeas realizam as posturas principalmente no tronco das erveiras, próximo ao solo. Entretanto, também podem fazê-la nas raízes expostas, brotos ladrões e galhos da região próxima do ponto onde ocorreu a última poda. Após, aproximadamente, 12 dias, eclode a larva, que inicia a sua alimentação, construindo uma galeria subcortical. Posteriormente, atinge o lenho sendo que as galerias podem dirigir-se para a raiz da planta ou serem ascendentes. Durante o processo de broqueamento, a larva vai compactando atrás de  si,  a  serragem,  a  qual  lhe  serve de proteção e quando expelida para fora da planta, denuncia a presença da praga. A fase de larva tem uma duração aproximada de 280 dias. Quando está próxima a se transformar em pupa, a larva constrói uma galeria mais ampla, a câmara pupal, onde permanece por cerca de 20 dias, até a emergência do adulto. Em condições de campo, o ciclo de ovo a adulto pode superar 17 meses. Os adultos vivem muito tempo e estão presentes em abundância entre os meses de setembro e maio. Eles roem a casca dos ramos e, ocasionalmente, causam um anelamento, fazendo com que estes murchem e sequem.
Oncideres impluviata
- corpo cilindrico e coloração castanho-avermelhada, nos machos as antenas ultrapassam o comprimento do corpo. Apresentam manchas amareladas em toda superfície. As larvas são ápodas (não possuem pernas) e esbranquiçadas. Os adultos alimentam-se da casca dos ramos mais novos, onde o tecido é mais tenro. Para a postura, as fêmeas serram os galhos, as larvas desenvolvem-se e alimentam-se no lenho dos ramos cortados. Geralmente, o ataque do serrador é mais intenso em plantas com mais de dois anos de idade.


Hedypathes betulinus

Oncideres impluviata

bicudo

Bicudos - em 1983, uma nova praga chegou às plantações de algodão do Brasil, muito provavelmente de avião vinda dos EUA: o bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis), da família dos curculionídeos. Voraz, esse besouro fura os botões florais para retirar o pólen e pôr os ovos. Na época em que se constatou a presença do bicudo, pensou-se que, com o custo do combate ao besouro, a cultura não seria mais viável economicamente. Porém, logo a cotonicultura migraria do Sudeste e Nordeste para o Centro-Oeste, em busca de terrenos mais planos para facilitar a mecanização que estava em curso. No cerrado, o bicudo não encontrou boas condições para se proliferar. Exigente em umidade, não foi capaz de desenvolver muitas gerações durante o ano pois não se adaptou bem à rigorosa estação seca da região. Hoje, o bicudo existe nos algodoais, mas em populações que não inspiram grandes cuidados. Os membros da família dos curculionídeos são reconhecíveis pela presença de antenas dobráveis e um rostro (bico) de tamanho variado. Trata-se da maior família de coleópteros, com 50 mil espécies descritas no mundo e 5 mil no Brasil. Há espécies que atacam plantas cultivadas e outras importantes agentes polinizadoras. A oviposição ocorre preferencialmente em botões florais, flores e maçãs do algodão. Para a postura, a fêmea coloca apenas um ovo por orifício, feito com seu rostro (peça alongada que se projeta da parte anterior da cabeça). A cavidade é posteriormente fechada por uma secreção gelatinosa. Os ovos são brilhantes e medem cerca de 0,8 mm de comprimento por 0,5 mm de largura.  Cada  fêmea põe

cerca de 6 ovos por dia, totalizando uma média de 100 a 300 ovos por ciclo. O período de incubação é de 3 a 4 dias. As larvas são brancas de cabeça marrom-clara, sem pernas e com 5 mm a 10 mm de comprimento. Alimentam-se de todo o interior do botão, que cai em uma semana. Passam à fase de pupa após 7 a 12 dias. As pupas são formadas em câmaras construídas nas próprias estruturas atacadas. Possuem coloração branca e, após 3 a 5 dias, transformam-se em adultos. Adulto, o besouro atinge 7 mm de comprimento apresentando coloração cinza ou castanha, com o rostro bastante alongado, correspondendo à metade do comprimento do corpo. Apresenta dois espinhos no fêmur do primeiro par de pernas. Em geral as fêmeas são maiores e mais vorazes que os machos. Apresentam longevidade de 20 a 40 dias. Terminado o ciclo da cultura, parte da população migra para abrigos naturais e aí permanece em diapausa, por períodos variáveis de 150 a 180 dias até um novo ciclo da cultura. No Brasil, devido à condição tropical, ocorre a quiescência, onde o inseto não paralisa totalmente suas atividades no inverno.


BICHO DE PÉ (Unga penetrans)


Características – é uma pulga que se aloja dentro da pele do hospedeiro ocasionando a tungíase, isto é, uma infecção que é caracterizada por inchaços dolorosos localizados principalmente ao redor de onde o inseto penetrou, sob as unhas do pé nas partes mais moles ou entre os dedos do pé. No entanto, pode-se pegar o bicho-do-pé em qualquer local do corpo. Adquire-se o bicho-do-pé andando descalço em áreas infestadas, tais como currais, chiqueiros e praias. O adulto (pulga) possui coloração marrom avermelhada e mede aproximadamente 1 mm de comprimento, porém, uma fêmea grávida pode chegar a medir o tamanho de uma ervilha. O ataque pelo bicho-do-pé inicia com uma leve coçeira, mas se não retirado pode ocasionar inflamação e úlceras localizadas. Tétano e gangrena podem resultar de infecções secundárias e existem registros de autoamputação dos dedos dos pés.

bicho_de_pé
Habitat – habitações de chão de terra, em solos arenosos e praias, mas sempre em locais sombreados.
Ocorrência – todo o Brasil.
Hábitos – as la rvas são de vida livre
Alimentação – hematófago.
Reprodução – só copulam no solo quando existe um animal hospedeiro. É a fêmea adulta e fertilizada quem possui a capacidade de perfurar a pele do homem, porco e outros mamíferos, com suas partes bucais. Ela aloja-se dentro do corpo do hospedeiro até que o último segmento abdominal esteja paralelo com a superfície da pele. Alimenta-se de seu sangue e expele os ovos maduros pelo ovipositor, ficando estes na ponta de seu abdômen. Uma fêmea pode produzir de 150 a 200 ovos durante um período de 7 a 10 dias. A fêmea então fica murcha, morre e cai do hospedeiro sobre o solo. Três ou quatro dias depois eclodem as larvas que se alimentam de matéria orgânica até puparem. O adulto emerge em um período de 3 semanas.
Predadores naturais – pássaros e aves


BICHO PAU (Bactridium grande)


bicho_pau

Características – e xistem mais de 500 espécies desse inseto, também chamado de bicho-palha, chico-magro ou mané-magro. Há bichos-pau com as mais diferentes formas. Comumente no Brasil encontramos formas que se confundem com líquens dos troncos das árvores. No Brasil, os maiores exemplares pertencem à espécie Bactridium grande, que alcança quase 27 centímetros. Em contrapartida, há bichos-pau pequenos, que mal passam de 1 centímetro. São insetos com corpo em forma de bastão, alados ou não. As formas sem asas movimentam-se lentamente. Os alados voam mal, usando a asa mais como pára-quedas.
Habitat – vivem entre as plantas em áreas rurais e urbanas.
Ocorrência – todo o Brasil, nas regiões tropicais e subtropicais do mundo inteiro.

Hábitos – inofensivo, ele é capaz de ficar horas sem se mexer, para escapar dos predadores. O bicho-pau passa horas a fio completamente paralisado. As pernas ficam esticadas, as da frente encobrindo a cabeça e as antenas. É preciso ser muito observador para identificá-lo no meio dos galhos secos. De movimentos lentos, vale-se desta curiosa estratégia para se defender dos predadores. Não bastasse a perfeita camuflagem, certos bichos-pau ainda emitem um fluido leitoso e repugnante para se defender. Outras espécies têm o poder de regenerar membros perdidos.
Alimentação – folhas e brotos
Reprodução – sexuada e assexuada por partenogênese. Também interessantes são os ovos desses insetos, muito parecidos com sementes. Lançados ao acaso no solo pelas fêmeas, sem nenhuma proteção especial, eles podem ficar mais de um ano inativos, antes de eclodir. Há espécies nas quais os machos são raros e em que a reprodução se faz por partenogênese. Ou seja, as fêmeas põem ovos que formam novos indivíduos sem que tenham sido fecundados, e deles originam-se quase sempre novas fêmeas. De maneira geral, elas não escolhem lugares especiais para a postura. Simplesmente deixam os ovos caírem no chão. O desenvolvimento do embrião é lento, demorando de 100 a 150 dias para o ovo eclodir. Em algumas espécies, esse prazo pode estender-se até dois anos. A forma jovem do inseto é chamada de ninfa logo após a eclosão, mas é semelhante à dos adultos. Curiosamente, pouco depois do nascimento, fica bem maior do que o ovo que o abrigava. Isso ocorre porque o corpo do inseto distende assim que ele sai do ovo.
Predadores naturais – pássaros
Ameaças – agrotóxicos e destruição do habitat.


BORBOLETAS


Características – insetos alados que fascinam as pessoas pela beleza de suas formas e cores. As borboletas são eternos visitantes de nossos jardins em qualquer época do ano. No inverno com menor abundância e o auge na primavera-verão.
Habitat – existem espécies para todo tipo de ecossistema.
Ocorrência – cosmopolita
Hábitos – estão ativas logo cedo. Algumas espécies possuem hábito gregário, ou seja, ficam agrupadas durante o dia e no final da tarde se separam em busca de alimento, voltando a se agrupar novamente. O agrupamento serve para se protegerem de predadores.
Alimentação – néctar
Reprodução – as plantas hospedeiras são aquelas que fornecem alimento e abrigo as formas jovens (lagartas). As borboletas selecionam a(s) planta(s) hospedeira(s) para a postura dos ovos e cujas lagartas, ao eclodirem, se alimentarão da mesma. A fêmea pode depositar seus ovos isoladamente ou em massa.
Predadores naturais – pássaros, sapos, formigas e outros predadores. Uma revoada de borboletas torna-se um banquete para algumas espécies de aves.
Ameaças – são várias as espécies de borboletas ameaçadas de extinção no Brasil.

A seguir, apresentamos algumas das espécies brasileiras de borboletas ameaçadas:


borboleta

Heliconius sara apseudes

Uma das mais comuns e abundantes borboletas da Mata Atlântica, encontrada em diversos tipos de habitat, tais como capoeiras, vegetações de restinga e praias. Ocorre do sul até a Paraíba, ao longo da costa brasileira. Voa durante todo o dia nos locais sombrios e ensolarados á procura do néctar de diversas flores de que se alimenta. Seu vôo é lento e baixo, mas, quando perseguida, torna-se rápido e irregular. As lagartas (50 mm) são gregárias e costumam transformar-se em crisálidas, 30 mm, próximas umas das outras. Elas são ferozes competidoras. Os machos são atraídos pelas crisálidas das fêmeas  pouco  antes da eclosão

das mesmas, que são fecundadas com suas asas ainda não completamente distendidas. Os adultos costumam, dormir em grupos de até cem borboletas, na ponta de galhos secos. Alimentam-se de néctar. Procriam-se durante todo o ano. O ciclo completo é de um mês e meio e o adulto vive durante seis meses. As fêmeas escolhem os brotos novos de diversas espécies de maracujá para efetuarem as posturas gregárias de até duzentos ovos, 1 mm. Mais de uma fêmea pode utilizar o mesmo broto, formando na haste terminal do vegetal uma massa amarela de ovos. Pássaros, anfíbios, formigas entre outros são seus predadores naturais. A espécie encontra-se ameaçada pela destruição do habitat, caça indiscriminada, tráfico de animais e agrotóxicos.

lepdoptero

Mechanitis polymnia casabranca

Possivelmente a mais comum das borboletas. As belas crisálidas (17 mm), cor de ouro, mais parecem jóias que o estágio de um inseto. O adulto pode viver vários meses. Habitam as florestas úmidas e bordas de matas, ocorrendo em quase todo o Brasil. Voa durante os doze meses do ano, lentamente e próxima ao solo, em locais sombreados e úmidos ou em clareiras e bordas das matas, à procura de sua flor preferida – Eupatorium  (Asteraceae). Alimenta-se de néctar e nitrogênio deixado pelo  excremento  de  aves  sobre  as  folhas das plantas,  e   mesmo  de

matérias  orgânicas em decomposição. Seu ciclo vital é curto, aproximadamente um mês de ovo a adulto. Os ovos agrupados são colocados em solanáceas, na face superior, e medem aproximadamente 1 mm. As lagartas mantêm-se juntas até o período pré-pupa e, às vezes, mesmo nesse estágio, não se dispersam, não sendo raro encontrarem-se várias crisálidas sob uma mesma folha da planta-alimento. Pássaros, anfíbios, formigas entre outros são seus predadores naturais. Está ameaçada pela destruição do habitat, caça indiscriminada, tráfico de animais e agrotóxicos.

Borboleta da Praia (Parides ascanius)

Bela borboleta negra com detalhes brancos e rosa escuro e com cauda de andorinha. É grande e vistosa com rubras manchas em suas asas. A crisálida, 30 mm, imita um galho seco. Seu habitat se restringe apenas a certos tipos de restinga pantanosa entre o litoral de Campos (Praia de Atafona) e o de Mangaratiba (Muriqui), RJ, regiões que vêm sendo drenadas e colonizadas pelo homem. Ocorre na reserva de Poço das Antas, área protegida, o que talvez evite o total desaparecimento desta bela espécie de borboleta. Seu vôo, pela manhã e à tarde, é lento e gracioso, sobre a vegetação arbustiva, à procura do néctar de diversas flores, tais como o cambará (Lantana camara) e o gervão. Alimenta-se de néctar.  As  fêmeas, que podem viver até três semanas, colocam seus

ovos isoladamente, às vezes sob a folha da Aristolochia, ou perto da mesma, em galhos secos ou outros suportes. Os ovos são parasitados por pequenas vespas, o que limita a população do inseto e mantém o equilíbrio necessário entre a lagarta, 60 mm, e o hospedeiro vegetal. É evitada por predadores como os pássaros, que a distinguem como impalatável. Isto ocorre, porque a espécie assimila um veneno da única planta-alimento de suas lagartas, Aristolochia macroura. A espécie está na lista de ameaçadas de extinção. Cabe ainda ressaltar, que a caça predatória não é fator determinante da ameaça de extinção em que a espécie se encontra, sendo a exploração imobiliária ao longo do litoral do Rio de Janeiro o real fator.

Morpho achilles achilles

É, provavelmente, o mais representativo Morpho da vasta Amazônia. É dificilmente percebida, pois as asas fechadas apresentam um padrão sombrio que se confunde com o solo da mata. Habita a floresta equatorial amazônica. Mesmo quando populações de outras borboletas declinam em função de fatores climáticos, esta subespécie, pode ser vista o ano todo estando presente em quase todas as biotas com seu vôo rápido, irregular, geralmente a dois metros do solo, em trilhas ou mesmo no mais denso da floresta. Passa horas da tarde alimentando-se. São solitárias, crepusculares, escuras e homocrômicas. Após três meses, quando desenvolvidas (atingem cerca de 60 mm), ocultam-se durante o dia. Perto da ninfose,  dispersam-se  e  adquirem  uma tonalidade esverdeada,

fixando-se em folha próxima ao solo úmido. Alimenta-se de substâncias em fermentação, líquidos oriundos de frutos maduros caídos ao chão. As lagartas alimentam-se de diversas leguminosas do sub-bosque da hiléia. À tarde, as fêmeas vão à procura de diversas Fabaceaes para postura sobre as folhas velhas do vegetal. Seus ovos tem aproximadamente 2,5 mm. Está ameaçada pela destruição do habitat.

Seda-azul, corcovado, azulão (Morpho aega aega)

É a menor das borboletas de asas metálicas, alcançando cerca de 10 mm de envergadura. A fêmea pode ser de um azul menos brilhante, amarela ou amarelo-azulado. Os machos apresentam na face superior das quatro asas uma coloração azul metálica de brilho e intensidade inigualáveis. Já as fêmeas apresentam duas formas com colorações distintas:  a forma azul e a forma alaranjada. O belíssimo azul das asas provoca a exploração da espécie para uso em bandejas e outros artigos. Habita locais com grande concentração nativa de taquaras ou bambus, ocorrendo no sul e sudeste do Brasil, chegando até às montanhas do centro do Espírito Santo. Em certas regiões voam durante todo o ano, mas no sul aparecem três vezes, com mais abundância em março e dezembro. Os machos aparecem  à  partir  das  9:00,  e  as  fêmeas  voam  geralmente após as

12:00.  É um dos mais fantásticos espetáculos da natureza a visão de dezenas dessas borboletas voando ao mesmo tempo e se destacando sobre o verde da vegetação. Alimenta-se de bambus nativos (Chusquea), planta alimento de suas lagartas. Durante o período de reprodução, o macho voa em busca de fêmeas, sem levar em conta a cor, uma vez que as azuis, amarelas ou amarelo-azuladas ocorrem na mesma época. As fêmeas virgens são atraídas pelo fascínio da beleza das asas do macho. Os ovos, 1,8 mm são colocados isoladamente ou em pequenos grupos sobre as folhas das taquaras e bambus.  Após à eclosão, as lagartas (50 mm) se dispersam e tecem uma seda sob a folha onde passam o dia, saindo à noite para se alimentarem. A crisálida (28 mm), quando sadia, é verde, mas torna-se preta quando atacada por fungos que dizima as populações da espécie na natureza. Fungos e pássaros são seus predadores naturais. Contam-se aos milhões o número dessas borboletas capturadas anualmente e sua extinção só não ocorreu porque as densas populações ocupam imensas áreas de bambus nativos (Chusquea).

Seda-azul, cocovado, azulão (Morpho anaxibia)

É uma das mais conhecidas borboletas brasileiras, símbolo dos trópicos e da sua exuberância. Chamada vulgarmente de “azul-seda” – o azul é provocado pela refração da luz em minúsculas escamas transparentes, inseridas nas asas da borboleta, e atrai as fêmeas virgens que os procuram para o acasalamento. O macho que pode chegar até 125 mm de envergadura. A fêmea pode ser de um azul não tão metálico quanto o do macho, com os bordos das asas manchados de branco, de amarelo sobre preto . Há fêmeas com o mesmo padrão, só que de asas amareladas ao invés de azuis. O lado ventral das asas de ambos os sexos é marrom, com manchas ocelares. A coloração azul-metálica é uma adaptação

morfológica para as borboletas cujo vôo ocorre sob os raios solares diretos, pois reflete o calor. Esse azul fascinante das asas do macho serve também para atrair fêmeas virgens. Embora habite o topo das grandes árvores de florestas tropicais, nos dias quentes e secos, cedo, pela manhã, desce aos lugares úmidos para sugar a água. Ocorre no centro e sudeste brasileiros, sendo comum no Rio de Janeiro, nos meses de verão, principalmente fevereiro. Seu vôo é alto, lento e majestoso, aproveitando as correntes aéreas, contrastando-se com o fundo verde da floresta. Os adultos machos realizam breves disputas aéreas. Em março começa a desaparecer, depois da reprodução, ressurgindo no verão seguinte. Os ovos isolados são colocados na parte superior das folhas de diversas plantas, tais como a grumixama (Eugenia), o arco-de-pipa (Erythroxylum pulchrum) e a caneleira. As lagartas, logo que nascem, 3mm, comem a casca do ovo e se alojam na parte inferior da folha, onde tecem uma seda para se fixarem. No crepúsculo, saem para se alimentar, voltando após para o mesmo local, onde passam o dia. Crescem lentamente e em abril ainda estão no primeiro estágio. Antes da fase de crisálida, a lagarta muda de cor, aos 40 mm, cor esta que será da crisálida, 35 mm, e que passa a cinza , pouco antes da eclosão do inseto adulto. Os pássaros são seu maiores predadores naturais. Está ameaçada pela caça criminosa, tráfico de animais silvestres e destruição do habitat.

Heliconius nattereri

Espécie endêmica  da Mata Atlântica com ocorrência restrita a uma área que situa-se entre os estados do Espírito Santo e o sul da Bahia. No passado, dentro dessa região, todas as espécies de borboletas do gênero Heliconius alimentavam-se de uma ampla gama de espécies de maracujás. O desmatamento atual dessa região, gerou uma concorrência entre esta espécie e outras do gênero Heliconius , pela planta alimento da lagarta, o maracujá selvagem (Tetrastylis ovalis).  Encontra-se classificada na categoria de ameaçada devido à destruição do habitat. 


Mimoides lysithous harrisianus

Borboleta preta, com uma faixa branca nas asas e outra na cor rosa, mais embaixo. Ocorre entre o sul do Espírito Santo e a costa do Rio de Janeiro. Todavia, as únicas populações atualmente conhecidas estão restritas à Reserva Biológica de Poço das Antas, município de Barra de São João. Voa lentamente por cima das plantas. encontra-se ameaçada pela exploração imobiliária, o principal fator que determina o seu processo de extinção.


Heraclides himeros himeros

Ocorre nas regiões Sul e Sudeste do país. Encontra-se ameaçada pela destruição do habitat.

 

 

 

 

ESTALADEIRA (Hamadryas feronia)

Quando pousada, é quase imperceptível, devido ao mimetismo das asas, que imitam o colorido de troncos e liquens. É de porte médio, com 75 mm de envergadura. Suas crisálidas assemelham-se a uma folha seca, meio retorcida, com dois prolongamentos no ápice. É assim chamada por produzir estalidos secos, característicos, durante o vôo. É interessante, também, seu modo de pousar: cabeça para baixo, asas estendidas sobre o tronco de árvore.

Agrias claudina claudina

É um exemplo de que a caça pode levar uma borboleta a extinção. Em algumas porções da Mata Atlântica no Sudeste brasileiro, com por exemplo, no Parque Nacional da Tijuca, esta subespécie já está extinta, por causa da ação dos caçadores de borboletas que usam suas asas com adornos.

 


88 (Diaethria clymena)

Seu nome é devido aos arabescos existentes no lado ventral das asas posteriores, que formam o número 88. Apresentam, em média, 60 mm de envergadura. Habitam o cerrado, mata atlântica e nos mais diversos ambientes. Voam em locais abertos e iluminados, muitas vezes em busca de frutos caídos, para se alimentar. Alimentam-se de néctar e frutos caídos na mata. A fêmea põe ovos isolados na planta-alimento. A lagarta, ao completar as mudas, instala-se na superfície da folha e se transforma em crisálida. Os pássaros são seus maiores predadores naturais. A espécie está ameaçada pela destruição de seu habitat e à caça.


Azulão-branco (Morpho athena)

Borboleta de grande porte, podendo atingir até 145 mm de envergadura. Habita regiões com altitudes acima de 1500 m. É vista voando em fins de fevereiro, março e abril. O indivíduo adulto alimenta-se de frutos bem maduros, em fermentação. A fêmea, em geral, é guiada pelo cheiro de plantas como o ingazeiro, para pôr os ovos na parte superior de folhas que recebam luz e sombra. Lagartas avermelhadas que continuam agrupadas, imóveis, na ponta dos galhos durante o dia e movimentam-se para se alimentar durante a noite. Os ovos podem ser atacados por fungos ou levados pela chuva. Ameaçada pela destruição do habitat.


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