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MOLUSCOS

Este grande grupo, o segundo maior grupo de animais em número de espécies, reúne animais de corpo mole, simetria bilateral frequente, não segmentados, cobertos por um manto delgado que, na maioria das formas, segrega uma concha calcária dura que protege seus corpos. Essa concha é u ma característica marcante da maioria dos moluscos. Nas lesmas e nos polvos, ela está ausente. Nas lulas, é pequena e interna. O pé é a estrutura muscular mais desenvolvida dos moluscos. Com ele, podem se deslocar, cavar, nadar ou capturar suas presas. O restante dos órgãos está na massa visceral. Nela, estão os sistemas digestivo, excretor, nervoso e reprodutor. Ao redor da massa visceral, está o manto, responsável pela produção da concha. Entre a massa visceral e o manto, há uma câmara chamada cavidade do manto. Nos moluscos aquáticos, essa cavidade é ocupada pela água que banha as brânquias, nos terrestres, é cheia de ar e ricamente vascularizada, funcionando como órgão de trocas gasosas, análoga a um pulmão. A cabeça ocupa posição anterior, onde abre-se a boca, entrada do tubo digestivo. Muitas estruturas sensoriais também localizam-se na cabeça, como os olhos. Sensores químicos também estão presentes nos moluscos e permitem pressentir a aproximação de inimigos naturais, quando o molusco rapidamente fecha sua concha, colocando-se protegido.

Lesmas, ostras, mariscos, polvos e lulas estão entre os membros mais conhecidos, já sendo observadas portanto, muitas formas diferenciadas de conchas, de tamanhos e de estruturas. São predominantemente marinhos, embora existam espécies de água doce e terrestres, podendo ter vida livre, viver fixos ou enterrados. Podem apresentar poucos centímetros, ou atingir dimensões monstruosas, como a lula gigante de águas profundas de 15 metros de comprimento. Muitos são consumidos pelo ser humano, algumas espécies de ostras podem produzir pérolas valiosas. O grau avançado dos Moluscos é evidenciado pela complexidade do seu aparelho digestivo (que inclui boca, fígado, rim, intestino) e seu aparelho respiratório (que inclui um coração e vasos sanguíneos, contendo sangue vermelho, azul, verde ou incolor).

Apresentam uma disparidade morfológica sem comparação dentre os demais filos de animais, reunindo os familiares caracóis (reptantes), ostras e mariscos (sésseis) e lulas e polvos (livre-natantes), assim como formas pouco conhecidas, como os quítons, conchas dente-de-elefante (Scaphopoda) e espécies vermiformes (Caudofoveata e Solenogastres). Os moluscos fazem-se representar em vários habitats (mares, águas doces, salobras e terra firme) por cerca de 100.000 espécies. Vivem desde as profundidades de 10.000 metros, nos mares, até 5.400 metros acima do nível do mar, na terra. Os moluscos invadiram quase todos os ambientes; costuma-se dizer que só não há moluscos voando.

Os moluscos são extremamente importantes na economia de muitos países, como fonte de alimento rico em proteínas, sendo coletados diretamente da natureza ou mesmo cultivados. Em muitos países, possibilitam até a existência de uma indústria de pérolas e de adornos de madrepérola. Apresentam interesse médico-sanitário, pois muitas espécies são vetores de doenças, enquanto outras, aparentemente, podem ser usadas no controle destas.

A reprodução dos moluscos é sexuada e, na maioria dos representantes do grupo, a fecundação é interna e cruzada. Muitas espécies são monóicas (como o caramujo de jardim). Na cópula, dois indivíduos aproximam-se e encostam seus poros genitais, pelos quais fecundam-se reciprocamente. Os ovos desenvolvem-se e, ao eclodirem, liberam novos indivíduos sem a passagem por fase larval (desenvolvimento direto). Nas formas aquáticas, há espécies monóicas e espécies dióicas (como o mexilhão). A forma mais comum de desenvolvimento é o indireto.



CARACOL (Helix aspersa)

MEXILHÃO (Perna perna)

CARAMUJO (Biomphalaria glabrata)

OSTRA DO MANGUE (Crassostrea rhizophorae)

COQUILLE SAINT JACQUES (Nodipecten nodosus)

OSTRA JAPONESA (Crassostrea gigas)

LESMA DO MAR (Aplysia dactylomela)

POLVO (Octopus vulgaris)

LULA (Loligo vulgaris)

SÉPIA DO ATLÂNTICO (Sepia officinalis)



CARACOL (Helix aspersa)


caracol

Características – molusco terrestre, de concha relativamente fina, que não deve ser confundido com o caramujo (concha mais grossa e de ambiente aquático). Mede entre 28 e 35 mm e pesa em torno de 8 a 12 g. Concha geralmente escura, embora existam variedades cujas conchas são mais claras e até unicolores, em uma variedade de concha amarelada sem faixas. As estrias de crescimento são pouco visíveis e as faixas espirais são bem escuras e destacadas na variedade padrão. A concha não possui umbigo. Também conhecido como escargot ou Petit Gris. Muito apreciado para fins culinários,  pois  sua  carne  é saborosa e

rica em proteínas, segundo os especialistas. Por isso é a espécie mais criada em cativeiro. A helicicultura ou criação de escargots no Brasil é ainda uma recente e pouco difundida atividade econômica. Contudo se tratando de uma prática incomum, já conta com grandes criadores espalhados pelo país, obtendo uma produção abundante e de alta qualidade.
Habitat – áreas úmidas com muita vegetação e hortas.
Ocorrência – é originário dos países mediterrânicos. Introduzido no Brasil, é a espécie criada para fins comerciais.
Hábitos – é capaz de  absorver ou  rejeitar água através dos poros da sua pele. Em função disso, o animal rege a sua atividade, hibernando-se quando a temperatura for  inferior a 5ºC e morre  se descer abaixo dos 0ºC. O seu período de atividade máxima é à noite. A temperatura ideal, para o desenvolvimento da criação localiza-se entre 16 e 24 graus centígrados. Dentro dessa faixa é onde o escargot alcança sua plenitude máxima de atividade biológica. Sendo um animal de hábitos noturnos, sempre que a temperatura se situa dentro dessa faixa, o escargot mostra-se extremamente ativo durante à noite e excepcionalmente, em dias escuros, nublados e chuvosos. Lembrando que abaixo de 10 e acima de 28 graus centígrados o escargot entra em processo de hibernação, cessando completamente suas atividades normais. Ele permanecerá neste estado de estagnação enquanto a temperatura não voltar aos níveis normais.
Alimentação – herbívoros
Reprodução – é hermafrodita, no entanto tem que acasalar para haver fecundação. O ritual de acasalamento dura cerca de 10 horas e pode ocorrer  várias vezes.  O período que decorre  desde o acasalamento até à  desova varia  conforme a temperatura,  mas ronda os 15 dias. Para pôr os ovos, o caracol escava um buraco na terra com 3 a 4 cm de profundidade, no qual introduz a parte anterior do seu corpo. Cada postura dura várias horas e  o  caracol põe entre 60 e 150 ovos  com 4 mm de diâmetro. Em seguida,  o caracol cobre o buraco, iniciando-se a fase de incubação (14 a 30 dias, de acordo com a temperatura). Quando se dá a eclosão dos ovos,  o caracol nasce já formado, com uma  casca  de 3 mm e  pesa em média 27 mg.  Fica no seu "ninho" durante  alguns dias, alimentando-se  dos resíduos  orgânicos e dos restos dos ovos.
Predadores naturais – ratos e as lagartixas, sapos,  aves, alguns insetos e ácaros.
Ameaças – além da temperatura outros fatores influenciam diretamente na vida dos caracóis. A umidade é de importância vital para a sobrevivência e desenvolvimento do escargot, já que o tegmento dos caracóis são extremamente penetráveis e portanto de fácil desidratação. A umidade ideal é de 85%, sendo acima de 80% satisfatória. Umidade excessiva também é prejudicial. A exposição direta ao sol é fatal aos escargots. Por outro lado a escuridão é prejudicial e se for duradoura é fatal. Portanto deve haver um equilíbrio entre luz e sombra, já que são indispensáveis ao escargot. O solo ideal para o escargot é neutro e de formação calcárea. A exposição ao vento é extremamente prejudicial graças ao seu tecido corpóreo que é muito vulnerável; da mesma forma que a exposição à poeira, provocando seu ressecamento.


CARAMUJO (Biomphalaria glabrata)


Características – é pulmonado. É hospedeiro do verme parasito Schistosoma mansoni, causador da doença chamada esquistossomose, introduzido no Brasil colônia por africanos. Este parasito encontrou alta suscetibilidade por parte de Biomphalaria glabrata sendo, portanto, o mais importante transmissor da doença. concha espiral em um plano, forma característica da qual o nome da família foi derivado. Mede de 3 a 4 cm de diâmetro e apresenta uma depressão central em cada face da concha amarronzada.
Habitat – ambientes dulciaquícolas, principalmente em canais e valas de irrigação e em pequenos cursos de água.
Ocorrência – sudeste da Bahia, norte do Espírito Santo e centro-leste de Minas Gerais. Ocorrem em menor número  nas zonas quentes e úmidas

caramujo
de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pará, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Há notícias de que recentemente foram introduzidos em algumas regiões dos Estados Unidos.
Hábitos – pode colonizar grande rios e lagoas, mas a correnteza e pequenas ondas formadas pelos ventos dificultam sua vida nestes locais.
Alimentação – herbívoro. Alimentam-se de algas finas de água doce, tais como as algas-pardas, e das partes macias das plantas vasculares aquáticas.
Reprodução – é hermafrodita e dispõe de ao menos quatro opções de reprodução: (1) autofecundação, (2) fecundação cruzada, (3) transferência de certa quantidade de seus espermetazóides a um parceiro e (4) fertilização dos óvulos de um parceiro com espermatozóides recebidos de outro. Dezenas de ovos envolvidos por uma capa protetora são depositados sob as folhas de plantas aquáticas, geralmente à noite. O desenvolvimento é direto.


COQUILLE SAINT JACQUES (Nodipecten nodosus)


coquille

Características – é nativa do litoral brasileiro, e apresenta um grande potencial para cultivo, devido ao grande tamanho, rápido crescimento e alto valor de mercado, além do suave e requintado sabor que faz dessa espécie uma rara iguaria. É a espécie mais cultivada no Brasil atualmente.
Habitat – mares
Ocorrência – litoral brasileiro
Alimentação – filtrador (plâncton)
Predadores naturais – búzios, peixes, moluscos, cracas.
Ameaças – poluição, destruição do habitat, pesca predatória e roubo nas unidades de produção.



LESMA DO MAR (Aplysia dactylomela)


Características – apresentam brânquias na parte posterior do corpo. Têm cabeça bem desenvolvida, provida de um ou dois pares de tentáculos. Podem apresentar uma concha interna e uma cavidade posterior reduzida, onde se encontram as brânquias (cavidade paleal) ou não apresentar concha nem cavidade paleal, tendo as brânquias expostas. Tem simetria bilateral e tamanho próximo a 15 cm de comprimento. Apresenta cabeça com dois pares de tentáculos. Sua cor é amarelo-esverdeada, com manchas negras esparsas. A concha desta espécie apresenta tamanho reduzido e não é visível externamente pois é encoberta por uma dobra delgada da epiderme, denominada manto.
Habitat – mares
Ocorrência – no Brasil, ocorre de Fortaleza a São Paulo.

lesma
Hábitos – moluscos marinhos adaptados à vida em todos os tipos de fundos ou na massa d'água. bentônica, ou seja,vive associada ao substrato onde rasteja, mas também pode nadar com projeções do pé (parapódios). Na época de desova são encontradas na zona entre-marés, associadas com algas marinhas, que lhes servem de proteção e alimento. São animais lentos e de fácil captura mas, em situações de ameaça, eliminam um líquido púrpura, que facilita sua fuga.
Alimentação – herbívora, alimentando-se de algas, sobretudo do gênero Ulva (alface-do-mar).
Reprodução – hermafrodita, e sua cópula promove troca mútua de espermatozóides. Os ovos são depositados dentro de cordões gelatinosos amarelos, que ficam presos entre as algas ou em outro substrato e o desenvolvimento é direto.
Ameaças – poluição e destruição do habitat.


LULA (Loligo vulgaris)


lula

Características – corpo alongado. O comprimento do corpo dos machos é de aproximadamente 35 cm, podendo chegar a 50 cm, e o das fêmeas, 22 cm. C abeça com dois grandes olhos, situados lateralmente, boca central rodeada por tentáculos ou braços, estes constituem 5 pares, sendo e menores mais grossos com numerosas ventosas no lado interno. Os dois tentáculos restantes são bem mais longos, apresentando ventosas apenas nas extremidades dilatadas. Os tentáculos tem a propriedade  de  alongar-se ou  retrair-se, até ficarem

quase ocultos. Logo após o pescoço há uma espécie de funil muscular chamado sifão. O resto do corpo é delgado, cônico, com uma nadadeira triangular ao longo de cada lado da extremidade afilada , as quais equilibram o animal durante a natação. Coloração variável, frequentemente rosa-esbranquiçada, pintalgada de púrpura ou castanho na parte dorsal. É comestível.
Habitat – mares, raramente encontrada perto da costa
Ocorrência – toda a costa brasileira
Hábitos – pelágica. Emite jatos de tinta, como os demais cefalópodes, quando provocada, obscurecendo o meio e dificultando a ação de predadores. Deslocam-se rastejando ou nadando. No primeiro caso utilizando os braços com suas ventosas, no segundo usando as nadadeiras que também servem como leme de altitude. Desloca-se rapidamente, expelindo água. Nadam velozmente através da propulsão produzida por um jato de água expelido por um sifão próximo à cabeça e pelo movimento dos braços. A água utilizada para respiração penetra na cavidade paleal através de uma abertura situada entre o manto e o corpo na região do pescoço. Por contração enérgica do manto a água da cavidade paleal é expulsa em sentido oposto. O sifão pode curvar-se para trás, mudando a direção de deslocamento do animal.
Alimentação – carnívoros, principalmente peixes e crustáceos. Lançam os tentáculos sobre a vítima, agarrando-a com rapidez e colocando-a naquele ninho de braços, matam-na com o poderoso bico de papagaio que fica no centro.
Reprodução - são dióicas, ou seja, cada indivíduo produz apenas um tipo de gameta (espermatozóide ou óvulo). A fecundação pode ser interna, na cavidade paleal, ou externa, mas sempre há cópula. Durante a cópula o hectocótilo transfere os espermatozóides envoltos em uma cápsula gelatinosa (espermatóforo) para a cavidade paleal da fêmea. O desenvolvimento é externo e direto, ou seja, do ovo surge um novo indivíduo semelhante ao adulto.
Ameaças – pesca predatória e poluição.


MEXILHÃO (Perna perna)


Características – molusco marinho, comestível, que atinge 5,5 cm de comprimento, bivalve, com duas conchas alongadas, de coloração escura e nuances azuladas metálicas. O manto é o tecido que reveste internamente a concha do animal, delimitando um espaço vazio interno onde estão os órgãos. Ventralmente há uma abertura transversal por onde a água entra (sifão inalante) e é eliminada por outra abertura na parte posterior superior (sifão exalante). Os mexilhões são organismos onde a formação dos gametas se dá em toda a extensão do manto, além do mesossoma. O conjunto de fibras de escloroproteína que fixa os mexilhões ao substrato e permite a permanência do animal mesmo em presença de fortes ondas é denominado "bisso". Originado pela glândula bissal,  ligada  diretamente  ao  conjunto  de  3  pares  de  músculos e a

mexilhão
parede interna das valvas, é constituído de material córneo e fixado com auxilio do pé.
Habitat – região entre-marés (do supralitoral inferior até profundidades de 19 metros).
Ocorrência – em toda a costa brasileira
Hábitos – fixa-se a rochas ou qualquer estrutura dura (sólida) imersa.
Alimentação – são organismos filtradores por excelência. Sua dieta é constituída por algas microscópicas (fitoplâncton), e por outros tipos de material orgânico particulado e dissolvido. Os mexilhões apresentam taxas de filtração elevadas, sendo que um indivíduo adulto pode filtrar até 100 litros de água por dia. Na sua alimentação, os mexilhões utilizam as brânquias, mesmas estruturas utilizadas para a respiração. As brânquias são formadas por dois pares paralelos de lâminas, compostas por estruturas filamentosas ciliadas, que se estendem da região anterior a partir da boca até a região posterior do corpo. Nelas as partículas são capturadas por um material mucilaginoso que envolve as próprias brânquias e, pelo movimento de cílios são direcionadas em "calhas" até a boca.
Reprodução – O ciclo sexual do mexilhões pode, através do aspecto e coloração, ser observado e diferenciado em 3 estádios: Estádio I - animais imaturos, folículos das gônadas pouco desenvolvidos e manto incolor; Estádio II - animais em maturação, folículos já visíveis permitindo a observação da cor do manto diferenciando o branco dos machos do salmão das fêmeas; Estádio III - animais maturos, passando a repetirem as seguintes fases: a - plenitude da maturação, folículos repletos ; b - eliminação do material gâmico, esvaziamento dos folículos e aspecto inconsistente do manto; c - restauração das gônadas, folículos em desenvolvimento e manto apresentando esboços de branco ou alaranjado. Após a expulsão dos gametas, que ocorre simultaneamente na população, há a fecundação externa, diretamente na coluna d'água. Cerca de 6 horas após a fecundação, são formadas as larvas trocóforas com 45 micrômetros de tamanho (0,045 mm). Depois de 24 horas a larva se transforma numa larva do tipo véliger ou larva "D", com cerca de 115 micrômetros (0,115 mm), seguida por uma veliconcha de 175 micrômetros (0,175 mm). Após 37 dias, esta larva passa para o estágio de pedivéliger (com vélum e pé), quando possuem fototropismo negativo e geotropismo positivo, procurando um local adequado para sua fixação.
Predadores naturais – o “buzo” ou “búzio” Stramonita (=Thais) haemastoma e o "caramujo-peludo" Cymatium parthenopeum parthenopeum , diferentes estrelas-do-mar e o siri Callinectes danae . Os competidores dos mexilhões em cultivo constituem praticamente a totalidade da fauna das redes, pois esta comunidade é constituída basicamente de organismos filtradores (Jacobi, 1985). Devido à sua abundância e alta taxa de crescimento, as cracas se destacam dos demais organismos filtradores. Já as ascídias e os briozoários coloniais prejudicam os mexilhões por recobrirem as valvas afetando o seu desenvolvimento e o aspecto do produto. São poucos os comensais de mexilhões, destacando-se o pequeno caranguejo Pinnotheres maculatus e o poliqueta Polydora websteri . O verme da família Bucephalidae , na sua fase de cercária, ocorre no manto de mexilhões, comprometendo o desenvolvimento dos gametas e consequentemente a produção. Segundo Umiji (1975) este parasita ocorre em diferentes estados de desenvolvimento, principalmente em mexilhões com maior tempo de imersão. Pode haver uma infestação média de 5 % e de até 20% dos indivíduos em determinadas épocas do ano.
Ameaças – poluição e destruição de bancos naturais pela coleta predatória.


OSTRA DO MANGUE (Crassostrea rhizophorae)


ostra

Características – também conhecida como ostra nativa, possui a concha com duas valvas irregulares e ásperas. Tem cor cinzenta e comprimento máximo de cerca de 10 a 12 cm de concha. Vem sendo muito utilizada na maricultura.
Habitat – estuários e mangues
Ocorrência – do Caribe até Santa Catarina.
Hábitos – estuarinas que se fixam nas raízes de mangue, tipicamente nas raízes aéreas do mangue vermelho (Rhizophora mangle), podendo formar agregados submersos (bancos). Suportam variedade de salinidade e amplitude de maré.
Alimentação – organismo filtrador, que se alimenta principalmente de fitoplâncton.
Reprodução – sexos separados , com picos de reprodução nos meses de março e outubro. Podem apresentar inversão sexual.

Predadores naturais – pequenos caranguejos da família Porcellanidae e, principalmente, os platelmintos dos gêneros Stylocus e Pseudostylochus , conhecidos popularmente como planária ou lesma do mar. Os gastrópodes Thais (Stramonita) haemastoma e Cymatium parthenopeum parthenopeum , conhecidos popularmente como buzo e caramujo peludo, respectivamente, também causam mortalidades expressivas nas ostras juvenis e adultas. O siri azul Callinectes sapidus preda as ostras quebrando as conchas com auxílio de suas quelas (garras). As estrelas-do-mar atacam as ostras abrindo as valvas com auxílio de seus braços. Alguns peixes da família Scianidea (Pogonias chromis), o baiacú (Spheroides testudineus) e os sargos (Arcosargus probatocephalus) apresentam o hábito de se alimentar de mexilhões, podendo também atacar as ostras.
Ameaças – poluição, destruição de bancos naturais pela cata predatódia, destruição do habitat e roubo nas unidades de produção.


OSTRA JAPONESA (Crassostrea gigas)


Características – é a principal espécie de ostra cultivada no litoral brasileiro. O corpo mole, protegido externamente por uma concha, que apresenta duas valvas: a valva superior ou direita, que é plana; e a valva inferior ou esquerda, que é levemente côncava ou abaulada. A junção entre as duas valvas é feita com auxílio do músculo adutor e também através de um ligamento situado na região posterior. Esta concha é constituída principalmente por carbonato de cálcio, que é retirado diretamente da água do mar com auxílio de células especializadas localizadas no manto. O manto é a camada de tecido que recobre as partes moles de ambos os lados do corpo, com exceção do músculo adutor. Além de conter as células responsáveis pela formação da concha, o manto também apresenta funções sensoriais. O corpo, que

cassostrea
é a parte mole do organismo, é constituído além do manto, pelas brânquias, palpos labiais, coração (pericárdio), massa visceral (órgãos do aparelho digestivo, reprodutor e excretor) e pelo músculo adutor. As brânquias apresentam a função de realizar as trocas gasosas (respiração) e a captura do alimento. Devido à grande superfície branquial que se encontra constantemente úmida, as ostras podem resistir a longos períodos fora da água. É um molusco valioso, importante para os pescadores, porque sua carne é considerada iguaria.
Habitat – no Brasil, como é uma espécie cultivada, a ostra é encontrada em ambientes estuarinos, ao longo de baías, sempre longe da poluição.
Ocorrência – litoral do sudeste e sul do Brasil. É uma espécie exótica com origem no Japão.
Hábitos – estuarinos
Alimentação – são organismos filtrantes, alimentando-se de microalgas e matéria orgânica particulada. Os valores de filtração de cada ostra geralmente ficam em torno de 5 a 25 litros/hora.
Reprodução – são organismos dióicos, ou seja, apresentam o sexo separado. Porém, externamente, não é possível diferenciar o macho da fêmea, pois ambos apresentam a gônada (órgão sexual masculino ou feminino) com a mesma coloração. A diferenciação sexual somente é possível através de raspagem da gônada e análise do material em microscópio, pois os ovócitos apresentam o formato arredondado e os espermatozóides se mostram como uma massa compacta. O desenvolvimento gonadal (maturação) é influenciado por fatores externos como luminosidade, salinidade e, principalmente, pela temperatura e disponibilidade de alimento. Durante a desova, o esperma é lançado pelo canal exalante (lado direito das ostras), de uma forma contínua. Este processo é semelhante a uma "fumaça de cigarro", pois o músculo adutor permanece relaxado, facilitando com isso a desova. A fêmea, por sua vez, apresenta um comportamento distinto, pois desova lançando os ovócitos contra o canal inalante (lado esquerdo das ostras) em jorros abruptos. Sendo uma espécie exótica, sua reprodução e desenvolvimento larval devem ser realizados em ambientes controlados (laboratório). A fecundação é externa, ou seja, o contato entre o espermatozóide e o ovócito ocorre na água. O óvulo fecundado sofre os processos de clivagem após 2 horas, evoluindo para os estágios de mórula, blástula e gástrula (6 horas). Após 12 a 16 horas, a larva já apresenta capacidade natatória através de uma coroa de cílios, sendo então denominada de trocófora. A larva continua seu desenvolvimento e após 24 horas surge uma larva transparente, medindo entre 61 e 72 micrômetros (0.061 a 0,072 milímetros) em forma de "D", possuindo uma coroa ciliada denominada vélum, sendo denominada larva veliger de charneira reta ou larva "D". Com o tempo o formato "D" desaparece (6 dias) ocorrendo a formação do umbo, que se completa totalmente ao redor do décimo quarto dia. Neste momento, a larva apresenta uma forma arredondada e um vélum bastante desenvolvido, sendo denominada de " véliger umbonada ", e apresentando o tamanho aproximado de 230 a 240 micrômetros (0,230 a 0,240 milímetros). A larva continua a se desenvolver, e por volta do décimo sétimo dia surge uma "mancha-ocular" e um pé, sendo a larva denominada "pedivéliger", com tamanho médio de 280 micrômetros. Quando a larva apresenta o pé completamente desenvolvido e passa a medir aproximadamente 300 micrômetros, ela abandona a coluna d'água e dirige-se ao fundo em busca de um substrato adequado para completar a sua metamorfose. Neste estágio, as ostras no ambiente natural procuram rochas ou raízes de mangue para se fixarem. Em laboratório a fixação das ostras ocorre em pó de concha moída, pratos plásticos ou em conchas de moluscos. A duração deste ciclo depende do substrato disponível e da temperatura da água do mar. A uma temperatura de 25º C este ciclo dura em torno de 21 dias.
Predadores naturais – pequenos caranguejos da família Porcellanidae e, principalmente, os platelmintos dos gêneros Stylocus e Pseudostylochus , conhecidos popularmente como planária ou lesma do mar. Os gastrópodes Thais (Stramonita) haemastoma e Cymatium parthenopeum parthenopeum , conhecidos popularmente como buzo e caramujo peludo, respectivamente, também causam mortalidades expressivas nas ostras juvenis e adultas. O siri azul Callinectes sapidus preda as ostras quebrando as conchas com auxílio de suas quelas (garras). As estrelas-do-mar atacam as ostras abrindo as valvas com auxílio de seus braços. Alguns peixes da família Scianidea (Pogonias chromis ), o baiacú ( Spheroides testudineus ) e os sargos ( Arcosargus probatocephalus ) apresentam o hábito de se alimentar de mexilhões, podendo também atacar as ostras. Organismos competidores como cracas, ascídeas e esponjas, apresentam os mesmos hábitos alimentares que as ostras. Além disso, competem por espaço e oxigênio. As cracas são os principais competidores das ostras, apresentando picos de incrustações mais pronunciados durante a primavera e verão. Fixam-se nas lanternas de cultivo e principalmente nas conchas, distribuindo-se em densas aglomerações, o que prejudica o crescimento das ostras e o aspecto do produto para comercialização. Os parasitas são organismos que utilizam o corpo das ostras para sobreviverem, podendo algumas vezes até provocar a morte. Destaca-se a espécie de poliqueta Polidora wesbsteri que se fixa externamente na ostra, realizando uma perfuração nas valvas. Quando atinge a porção interna da concha a ostra começa a produzir uma nova camada nacarada para se proteger deste ataque, formando "bolhas de lodo" (detalhe na figura) no interior da concha, prejudicando sua aparência interna e depreciando o seu valor comercial. Muitas vezes esta camada protetora não é suficiente e a perfuração atinge o músculo das ostras causando a sua mortalidade. Outro organismo perfurador das conchas de ostras é o mitilídeo Litophaga patagonica. Trematodas do gênero Bucephalus e as bactérias patogênicas do gênero Nocardia foram observados nas gônadas das ostras, interferindo na reprodução destes organismos. Além disso, a presença das bactérias foi associada ao fenômeno de mortalidade massiva de verão.
Ameaças – poluição e roubo nas unidades de produção.


POLVO (Octopus vulgaris)


polvo

Características – molusco marinho com grande cabeça que abriga um cérebro desenvolvido, além de oito braços, cada um provido de duas fileiras de ventosas. Olhos grandes e complexos, dotados de cristalino, o que proporciona uma visão bastante aguçada. Pode atingir um tamanho de até 1 m de comprimento. Pode assumir diversas colorações, mimetizando-se de maneira bem rápida no meio ambiente.
Habitat – mares
Ocorrência – águas tropicais e temperadas de todo o mundo.

Hábitos – passam grande parte de sua vida escondidos em uma toca natural entre as rochas ou escombros. Quando atacado ou quando se sente em perigo, o polvo aspira uma grande quantidade de água e expele-a logo em seguida por um sifão, que funciona como uma turbina, e que permite que o polvo fuja em grande velocidade. Esta fuga é geralmente oculta por uma nuvem de tinta. A substância expelida pelo polvo para defender-se é de coloração escura. Tem a faculdade de eriçar a pele, que é ordinariamente lisa, apresentando agudos aguilhões sendo que, inofensivos, não passam de perfeitas simulações.
Alimentação – carnívoro, alimentando-se de moluscos, peixes e crustáceos, sobretudo lagostas e caranguejos. Para se alimentar, se utiliza de duas técnicas: atrair sua vítima movendo a ponta de um de seus braços como se fosse um verme, ou aproximar-se da vítima deslizando-se calmamente para, de súbito, agarrar sua preza com seus tentáculos e matá-la com suas fortes dentadas.
Reprodução – um macho interessado em acasalar-se aproxima-se o suficiente de uma fêmea para que, ao alargar um braço modificado, o hectocótilo, consiga tocá-la. Este braço possui um sulco profundo por entre as duas fileiras de ventosas e termina em um extremo em forma de colher. Passado um período de cortejo, o polvo macho insere seu braço no manto da fêmea e os espermatozóides por ele produzidos descem pelo sulco do braço modificado até o oviduto da fêmea. Pouco depois do acasalamento, a fêmea começa a depositar os ovos fecundados em sua toca. Um polvo fêmea produz em duas semanas aproximadamente cento e cinqüenta mil ovos, cada um deles envolto por uma cápsula transparente. Pelos 50 dias seguintes, a fêmea protege os ovos depositados lançando-lhes jatos de água para aerá-los e limpá-los. As crias nascem com apenas 3 cm de comprimento. Flutuam até a superfície e passam a integrar o chamado plâncton durante quase um mês. Passado este período, os pequenos polvos voltam a submergir e iniciam sua vida normal no fundo. Geralmente, os polvos adultos permanecem em uma zona determinada.
Predadores naturais – peixes como as moréias.
Ameaças – pesca predatória e poluição


SÉPIA DO ATLÂNTICO (Sepia officinalis)


Características – molusco não raro, comestível e de bom sabor, sendo pescado em anzol e, mais comumente, no arrasto. Tem oito "braços" e dois tentáculos distribuídos em torno da cabeça, todos providos de ventosas. Atinge 30 cm de comprimento. Corpo relativamente largo e um quanto achatado, de forma que em secção transversal é oval. Afunilado na face inferior perto da cabeça. Barbatanas pares estendem-se da cabeça até à extremidade do corpo. Coloração muito variável, podendo ir do preto  ou  castanho,  estriado  ou  pontuado  por  cima, descorado ou

sépia
branco por baixo. No interior de seu corpo existe uma concha calcária que serve de esqueleto. Essa concha possui câmaras que se enchem de gás ou esvaziam a fim de regular a flutuabilidade.
Habitat – infralitoral, sobre a areia, em baías e estuários, por vezes entre ervas-do-mar.
Ocorrência – em todo o litoral do Brasil.
Hábitos – expele líquido negro turvando a água e ocultando-se assim dos seus inimigos. Durante séculos sua tinta forneceu o pigmento sépia dos pintores. Capaz de mudar a cor rapidamente, especialmente quando ameaçados, podendo também adotar a cor ao padrão do ambiente que o rodeia.
Predadores naturais – gaivota
Ameaças – pesca predatória e poluição.


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