institucional educacao conservacao ecoacao cultura ecoligado

Pantanal

pantanal
Esta planície alagável ocupa parte dos estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. É uma região cercada de montanhas o que dificulta o escoamento de água. Calcula-se que 60% da água que entra no pantanal evapore sem sair de seu perímetro. É extremamente plano e sua altitude varia entre 100 e 200 m. O Pantanal é um dos mais valiosos patrimônios naturais do Brasil. É a maior área úmida continental do planeta, com 140 mil km2 em território brasileiro. As chuvas fortes são comuns no Pantanal. Os terrenos, quase sempre planos, são alagados periodicamente por inúmeros córregos e vazantes entremeados de lagoas e leques aluviais. Ou seja, muita água. Na época das cheias, estes corpos comunicam-se e mesclam-se com as águas do Rio Paraguai, renovando e fertilizando a região. Alguns estudiosos dividem o Pantanal em nove subdivisões, outros em sete e existe quem divida em apenas duas.

A única divisão que todos os autores concordam é que existem pelo menos dois pantanais, bem diferentes mas dependentes. O pantanal da parte sul é coberto por campos alagáveis de gramíneas, muito usados para a alimentação  do  gado,  com  pequenas  elevações  chamadas  de capões e, ao longo das margens dos rios, as matas ciliares. Nos capões, surgem matas com um esquema sucessional encontrando na parte central árvores de grande porte e bromeliaceas no chão. O outro é o pantanal do norte, com uma grande influência amazônica, com área coberta por matas mais fechadas que na parte sul.

É comum ouvir que a diversidade biológica no Pantanal é muito grande. Isto não é verdade. Existe sim uma variedade considerável, mas é a quantidade de animais que nos faz pensar que existam muitas espécies. E é na quantidade, principalmente de aves, que está a maior maravilha do Pantanal. É comum estar em baixo de revoadas de milhares de pássaros, como araras, jaburús, colhereiros, dentre outros. Esta região abriga 650 espécies de aves, 80 de mamíferos, 260 de peixes e 50 de répteis.

O solo do pantanal é em geral pobre e por vezes com quantidades grandes de sal. Este sal se deve ao fato da região do Pantanal ter sido mar antes do aparecimento dos Andes. Em fotos aéreas, nota-se uma grande diferença entre as baías salinas e as não salinas. Nas salinas, não existem algas nas margens, enquanto nas não salinas, existe um verdadeiro tapete verde.

Existem duas estações do ano bem definidas, a chuvosa e a seca, e é este ritmo de água que define a vida no Pantanal. O equilíbrio desse ecossistema depende, basicamente, do fluxo de entrada e saída de enchentes que, por sua vez, está diretamente ligado à pluviosidade regional. De forma geral, as chuvas ocorrem com maior freqüência nas cabeceiras dos rios que deságuam na planície. Com o início do trimestre chuvoso nas regiões altas (a partir de novembro), sobe o nível de água do Rio Paraguai provocando, assim, as enchentes. O mesmo ocorre paralelamente com os afluentes do Paraguai que atravessam o território brasileiro cortando uma extensão de 700 km. As águas vão se espalhando e cobrindo,  continuamente,  vastas  extensões em busca de uma saída natural, que só é encontrada centenas de quilômetros adiante no encontro do Rio com o Oceano Atlântico, fora do território brasileiro. As cheias chegam a cobrir até 2/3 da área pantaneira.

tuiuiu
A partir de maio, então, inicia-se a "vazante" e as águas começam a baixar lentamente. Quando o terreno volta a secar, permanece, sobre a superfície, uma fina camada de lama humífera (mistura de areia, restos de animais e vegetais, sementes e húmus) propiciando grande fertilidade ao solo. A natureza faz repetir, anualmente, o espetáculo das cheias proporcionando ao Pantanal a renovação da fauna e flora local. Esse enorme volume de água, que praticamente cobre a região pantaneira, forma um verdadeiro mar de água doce onde milhares de peixes proliferam. Peixes pequenos servem de alimento a espécies maiores ou a aves e outros animais. Quando o período da vazante começa, uma grande quantidade de peixes fica retida em lagoas ou baías, não conseguindo retornar aos rios. Durante meses, aves e animais carnívoros (jacarés, ariranhas, etc.) têm, portanto, um farto banquete à sua disposição. As águas continuam baixando mais e mais e nas lagoas, agora bem rasas, peixes como o dourado, pacu e traíra podem ser apanhados com as mãos pelos homens. Aves grandes e pequenas são vistas planando sobre as águas, formando um espetáculo de grande beleza.




alagado

Contudo, assim como nos demais ecossistemas brasileiros onde a ocupação predatória vem provocando destruição, a interferência no Pantanal também é sentida. Embora boa parte da região continue inexplorada, muitas ameaças surgem em decorrência do interesse econômico que existe sobre essa área. A situação começou a se agravar nos últimos 20 anos, sobretudo pela introdução de pastagens artificiais e a exploração das áreas de mata. O Pantanal tem passado por transformações lentas mas significativas nas últimas décadas. O avanço das populações e o crescimento das cidades são uma ameaça constante. A ocupação desordenada das regiões mais altas, onde nasce a maioria dos rios, é o risco mais grave.

A agricultura indiscriminada está provocando a erosão do solo, além de contaminá-lo com o uso excessivo de agrotóxicos. O resultado da destruição do solo é o assoreamento dos rios (bloqueio por terra), fenômeno que tem mudado a vida no Pantanal. Regiões que antes ficavam alagadas nas cheias e completamente secas quando as chuvas paravam, agora ficam permanentemente sob as águas. Também impactaram o Pantanal nos últimos anos o garimpo, a construção de hidrelétricas, o turismo desorganizado e a caça, empreendida principalmente por ex-peões que, sem trabalho, passaram a integrar verdadeiras quadrilhas de caçadores de couro.

Porém, foi de 1989 para cá que o risco de um desequilíbrio total do ecossistema pantaneiro ficou mais próximo de se tornar uma triste realidade. A razão dessa ameaça é o megaprojeto de construção de uma hidrovia de mais de 3.400 km nos rios Paraguai (o principal curso de água do Pantanal) e Paraná - ligando Cáceres no Mato Grosso a Nova Palmira no Uruguai. A idéia é alterar, com a construção de diques e trabalhos de dragagem, o curso do Rio Paraguai, facilitando o movimento de grandes barcos e, conseqüentemente, o escoamento da produção de soja brasileira até o país vizinho. O problema é que isso afetará também todo o escoamento de águas da bacia. O resultado desse projeto pode ser a destruição do refúgio onde vivem hoje numerosas espécies de animais e plantas com valor inestimável para o planeta. Ongs já conseguiram que uma proposta envolvendo a dinamitação e a dragagem do rio para criar o canal de navegação do alto Paraguai, fosse abandonada. Atualmente, um esquema bem menos audacioso está sendo analisado. Apesar disso, ainda estão sem resposta muitas das questões vitais sobre o impacto ambiental que a hidrovia terá sobre o Pantanal. Existe, inclusive, o risco de que alguns dos problemas não possam ser detectados e anunciados a tempo de mudar a proposta ou, então, minimizar o impacto ambiental da obra. Para evitar essa situação Ongs vêm analisando os estudos produzidos pelo Comitê Intergovernamental responsável pela obra, com a participação de especialistas na região da Bacia do Prata.

colheleiro

onça piranha aves

Topo