Consumismo
Você é um consumidor consciente ou um consumista? Antes de começarmos a falar sobre o tema, temos que diferenciar consumo e consumismo. O consumo é necessário para sobrevivermos, pois você não vive sem se alimentar, sem se vestir, sem se deslocar. Consumismo está associado a exagero, a supérfluo, ao perdulário. Podemos ter como exemplo de consumismo o padrão de vida ocidental representado pelo estilo de vida estadunidense (american way of life), ou seja, vamos comprar mesmo sem precisar de nada. Consumismo é o ato de comprar produtos e/ou serviços sem necessidade e consciência. É compulsivo, descontrolado e que se deixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam tais produtos e serviços. É também uma característica do capitalismo e da sociedade moderna rotulada como “a sociedade de consumo”. O conceito de consumismo diferencia-se em grande escala do consumidor, pois este compra produtos e serviços necessários para sua vida enquanto o consumista compra muito além daquilo de que precisa. O consumismo tem origens emocionais, sociais, financeiras e psicológicas onde juntas levam as pessoas a gastarem o que podem e o que não podem com a necessidade de suprir à indiferença social, a falta de recursos financeiros, a baixa auto-estima, a perturbação emocional e outros. |
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| Além de conseqüências ruins ao consumista que são processos de alienação, exploração no trabalho, a multiplicação de supérfluos (que contribuem para o processo de degradação das relações sociais e entre sociedades) e a oneomania (que é um distúrbio caracterizado pela compulsão de gastar dinheiro que é mais comum nas mulheres tomando uma proporção de quatro por um), o meio ambiente também sofre com este “mal do século”, pois o aumento desenfreado do consumo incentiva o desperdício e a grande quantidade de lixo. Nas últimas décadas o planeta vem sofrendo cada vez mais com as moléstias do consumismo, das compras impensadas e não sustentáveis. Isso vem exaurindo os recursos naturais, em especial as matérias-primas e a energia. Estamos caminhando para um colapso ambiental. É necessário repensar o ato de consumir. O planeta não conseguirá suprir toda a demanda que cada vez é maior por matéria-prima e energia da sociedade de consumo. Hoje, com a chamada globalização, difundi-se a idéia de que é necessário consumir pra alcançar a felicidade. Parte da sociedade adquire muitos objetos supérfluos enquanto outra parte passa fome ou sofre com doenças do início do século passado como a tuberculose. Há um consumo impensado desenfreado e isso vem atingindo a geração presente e, certamente, atingirá as futuras. O consumismo não nos dá boas perspectivas sociais e ambientais. Estamos presenciando os altos níveis de obesidade, as dívidas pessoais crescentes, a infelicidade crescente, o menor tempo livre para o lazer, o meio ambiente maltratado e por fim, o aumento da violência para sustentar o consumismo de quem não tem um bom nível de renda ou então de pessoas gananciosas que sempre querem mais. A sociedade contemporânea está doente. Homens e mulheres, descontroladamente, são levados a comprar, sem necessidade. Fazem do consumo uma opção de lazer e uma forma de libertação. Os shopping centers se tornaram os templos dessa sociedade - doente - de consumo . Reivindicam o espaço público, mas não passam de comunidades fechadas e restritas, onde se mantém a dominação do rico sobre o pobre. O shopping center vem criando um novo tipo de sociabilidade, mas uma sociabilidade destrutiva. Tanto para o ambiente, quanto para o cidadão. É a manifestação de uma sociedade doente, cuja cura só se dá sob uma transformação radical. |
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O cinema foi e ainda é o principal veículo para disseminar esse conceito, acompanhado do shopping center, do fast food e do automóvel. Sem se dar conta, as pessoas vão assimilando a "cultura" estadunidense e a necessidade de integrar a chamada sociedade de consumo. O shopping center ganhou espaço nas sociedades capitalistas porque passou a significar uma nova cidade, mais limpa, segura, moderna, organizada e mais seletiva que a cidade real, aquela realidade denominada de "mundo de fora". Com o desenvolvimento da sociedade de consumo, os sujeitos políticos - aqueles que têm deveres, mas também têm direitos - foram praticamente engolidos pelos sujeitos consumidores - aqueles que vivem para produzir e gastar o salário, consumindo muito mais do que realmente precisariam para sobreviver. No Brasil e nos países onde a desigualdade social é mais visível, a violência urbana aparece como um complexo fenômeno que acentua a degradação do espaço público e empurra as camadas privilegiadas da população para lugares mais "protegidos", como o shopping centers ou para os mais endinheirados. A cidadania e a democracia partem do princípio de que todos têm os mesmos direitos na vida em sociedade. Mas , na prática, os que têm mais dinheiro acabam tendo mais direitos que outros. A cultura do consumo nasce e se estabelece sobre os ideais da liberdade individual de escolha, o que gera uma equação complicada do ponto de vista da política e da cidadania, uma vez que a liberdade de escolha é maior, no capitalismo, para quem tem mais dinheiro. |
O consumismo também é um dos responsáveis pelo aumento dos índices de violência. Não há paz e felicidade na sociedade consumista, pois o capitalismo exclui grande parte da sociedade. Para garantir o consumismo esses excluídos partem para a violência. Se analisarmos a violência no Brasil há poucos casos que o individuo rouba, assalta, furta, mata para suprir as suas necessidades básicas, como comer, vestir-se com roupas comuns ou mesmo comprar remédios. Hoje a violência existe para garantir o tênis importado, a roupa de grife, o celular moderno, o aparelho de cd, o carro, a moto, os vícios e claro, as drogas. Em suma, o consumismo, a ganância e a carência pelo supérfluo vêm tirando a paz da sociedade. O marketing também tem culpa nesse processo, pois cria um apetite de consumo onde não há poder aquisitivo pra tanto e diante disso vem à frustração de não poder consumir e consequentemente surge a violência. No Brasil já há canais e programas de televisão que ficam vendendo porcarias supérfluas e infelizmente há quem assiste, se interessa e adquire essas bugigangas inúteis. Também pudera estamos vivendo em um país que a qualidade da educação está decrescendo cada vez mais. Estamos criando consumistas e não cidadãos, já que hoje quem não tem o poder de compra é um excluído dessa sociedade. É o ato de medir as pessoas pelo que têm e não pelo que são. |
A sociedade ainda não se deu conta que o consumismo tem diminuído a qualidade de vida das pessoas. Temos que parar de olhar e ter os Estados Unidos da América como um padrão de comparação de forma positiva, pois o que vemos lá é uma sociedade doente, assassina, infeliz, exploradora e individualista, mas a mídia faz de tudo pra mostrar que é o melhor país do mundo.
Nunca se consumiu tanto em alimentação, energia, educação, transportes, comunicações, quanto em diversões, como neste momento. As pessoas têm uma maior longevidade e desfrutam de maior liberdade individual porque melhorou o acesso aos serviços de saúde e à educação em muitos países, aos recursos produtivos, ao crédito e à tecnologia. As conseqüências dos atuais padrões de consumo são altamente inaceitáveis, sob o ponto de vista humano. As desigualdades gritantes no que se refere às oportunidades de consumo conduziram à exclusão de bilhões de pessoas que não chegam sequer a satisfazer as suas necessidades básicas de consumo. Uma criança que nasça hoje em Nova Iorque, Paris ou Londres vai consumir, gastar e poluir mais durante a sua vida do que 50 crianças num país em desenvolvimento e os que consomem menos são os que suportarão o grosso dos danos ambientais. Somente 20% da população mundial participam nos 86% dos gastos com o consumo individual. Dos 4,4 bilhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento, cerca de três quintos vivem em comunidades sem saneamento básico e um terço dessas pessoas carece de água potável; um quarto não tem habitação adequada; para um quinto, o acesso a serviços de saúde modernos está fora do seu alcance; um quinto das crianças não chega a concluir os estudos básicos e o número de crianças mal nutridas atinge percentagem igual. Para a maioria da população mundial em situação de grande pobreza, os deslocamentos relativos ás tarefas quotidianas, incluindo a obtenção de combustível e de água, são feitas a pé. É escandaloso que os pobres não possam consumir para satisfazer sequer as suas necessidades mais elementares. |
Apesar das elevadas taxas de crescimento verificadas no consumo, os países em desenvolvimento não estão de modo algum perto de alcançar os níveis de consumo dos países mais ricos do mundo. Um quinto da população mundial (o que corresponde às pessoas mais ricas):
A distribuição desigual da renda traduz-se em exclusão social quando o sistema de valores de uma sociedade confere demasiada importância ao que uma pessoa possui, desvalorizando o que uma pessoa pode fazer. Os gastos domésticos no consumo de supérfluos podem não deixar lugar ao consumo de bens essenciais como a alimentação, a educação, a saúde, os cuidados prestados às crianças eum plano de poupança que assegure o futuro. |
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O crescimento desenfreado do consumo está exercendo uma pressão sem precedentes sobre o ambiente, ameaçando duplamente os que menos consomem. Também nos países em desenvolvimento se verifica a pressão que o aumento do consumo exerce sobre o meio ambiente, mas esses valores estão longe dos níveis registrados nos países industrializados como dito anteriormente. Os pobres são os que se beneficiam menos e os que mais sofrem as conseqüências dolorosas de hábitos de consumo insustentáveis. O peixe é a principal fonte de proteínas para quase um bilhão de habitantes de países em desenvolvimento, mas as práticas esbanjadoras dos países industrializados esgotaram muitas reservas de peixe e fizeram com que os preços atingissem níveis que os colocam fora do alcance dos pobres. A escassez de água potável obriga muitos milhões de pobres a dependerem de fontes impróprias, que constituem a principal causa de cerca de um bilhão de casos de diarréia por ano bem como o principal motivo da morte de lactantes e de crianças muito pequenas. O elevado custo e a escassez de combustíveis modernos nas comunidades pobres obriga muitos milhões de pessoas, principalmente mulheres, a cozinhar os seus alimentos em fogo alimentado por lenha e esterco animal que conduzem à formação de fumaça. Quase dois terços dos 2.7 milhões de mortes por ano, à escala mundial, estão relacionadas à contaminação do ar, provocada pela fumaça proveniente dos lares pobres. Os consumidores, a sociedade civil e os governos devem formar alianças em prol de novos padrões de consumo. O mundo necessita de padrões de consumo que partilhem recursos e que não dividam as sociedades, que reforcem a capacidade das pessoas e que não as diminuam, que sejam socialmente responsáveis e que não destruam o bem-estar dos outros, que sejam sustentáveis e que não degradem a base de recursos naturais e o meio ambiente para as gerações atuais e futuras. O consumo é a vitalidade de grande parte do progresso humano e o maior problema reside nos seus padrões e efeitos. |
Algumas metas importantes devem ser alcançadas:
O lixo dos pobres e dos ricos Mais da metade da produção mundial de lixo urbano pertence aos cidadãos dos países desenvolvidos. A cada ano, 2,5 bilhões de fraldas são descartadas pelos britânicos, 30 milhões de câmeras fotográficas descartáveis vão para os lixos japoneses e 183 milhões de lâminas de barbear, 350 milhões de latas de spray e 2,7 bilhões de pilhas e baterias são destinadas aos lixões norte-americanos. Até as indústrias da fatia mais rica do planeta são campeãs na geração de rejeitos. Estima-se que para cada cem quilos de produtos manufaturados nos Estados Unidos, são criados 3.200 quilos de lixo. Os países ricos são melhores produtores de lixo do que propriamente de bens de consumo. A quantidade de lixo produzida está diretamente ssociada ao grau de desenvolvimento econômico de um |
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país. Quanto mais abastada, mais lixo a nação produz. Não é por acaso que o país mais rico do mundo, os Estados Unidos, lidera o ranking dos maiores geradores de lixo per-capita do mundo, ostentando a média de quase meia tonelada de rejeitos por habitante a cada ano. Além da quantidade, a qualidade do lixo também pode identificar o grau de riqueza de seu produtor. O papel descartado, por exemplo, poderia ser um fiel indicador de desenvolvimento econômico de uma nação. Nos países de baixa renda o papel responde por apenas 2% do lixo; nos de renda média, o percentual sobe para 14%; e nas nações ricas, os derivados da celulose chegam a impressionantes 31%, quase um terço da montanha de lixo. Com os restos orgânicos de origem vegetal, ocorre o oposto. Na parte mais favorecida do planeta, esse lixo equivale a 25% do total; nas regiões de riqueza intermediária ele fica em 47% e onde há mais pobreza esse descarte chega a ser 52% dos rejeitos. O lixo é fonte de renda direta para mais de meio milhão de brasileiros que atuam como catadores. Os catadores são colocados na chamada "inclusão social perversa", uma maneira de mascarar a exclusão social de que eles são vítimas. Isso acontece porque muitos associam a exclusão social ao desemprego. O catador de lixo, no entanto, trabalha sem ter um emprego e assim é visto como alguém inserido na sociedade, quando, na verdade, ele pertence a uma categoria que está bem longe de gozar dos direitos e até dos tratamentos dispensados aos demais trabalhadores. As idéias negativas relacionadas ao lixo como algo sujo, inútil e digno de descarte são estendidas também aos catadores para os olhos de boa parte da sociedade, o que alimenta os preconceitos. |
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Podemos resumir em uma frase as relações que as sociedades mantêm com os catadores de lixo: "A sociologia do lixo é simples, o rico produz e o pobre trabalha com ele. O rico que o gera é considerado 'limpo', e o pobre que o recolhe é considerado 'sujo'". Essa lógica discriminatória e preconceituosa foi confirmada por uma pesquisa brasileira realizada na Universidade Federal de Alagoas. Ao entrevistar os catadores de lixo, os pesquisadores coletaram o seguinte depoimento de uma catadora: "Quando a gente diz que é catador de lixo, muita gente acha que a gente é sujo... até se a gente pedir um copo d'água, e receber um caneco, quando a gente devolve a pessoa joga no mato. Já aconteceu isso comigo." Além de provocar esse estigma social, a reciclagem de lixo, da maneira como tem sido trabalhada, é considerada por alguns especialistas como mais um obstáculo ao desenvolvimento ambientalmente responsável da sociedade. A mensagem que se ouve é a de que com a reciclagem o problema do lixo está resolvido, enquanto não há nenhum esforço para tentar reduzir a própria produção do lixo, que é a origem do problema. Além disso, muitas vezes não são considerados os custos ecológicos da reciclagem como os gastos com água e energia demandados no processo e que podem acabar gerando um ônus ambiental maior do que se o material fosse enterrado num aterro. |
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E apesar de a reciclagem ajudar economicamente muita gente e reduzir consideravelmente o volume dos aterros, no Brasil ela tem desprezado a parte do lixo que mais causa impacto ambiental, a orgânica. É o lixo orgânico que polui o solo, contamina cisternas e lençóis freáticos. Como a quantidade de material orgânico é maior nas classes menos favorecidas, o Brasil possui um grande volume desse tipo de lixo sendo descartado sem nenhum tratamento.
Com um índice nacional de 20% de reciclagem, o Brasil perde por ano o montante de US$ 10 bilhões por não recuperar todo o seu lixo. Pelo andar da carruagem, os aterros ficarão cada vez mais caros a ponto de se tornarem inviáveis a qualquer prefeitura. Uma prefeitura de uma cidade de 200 mil habitantes gasta, em média, R$ 8 milhões por ano com o transporte de lixo. Se ela reciclasse todos os resíduos sólidos, além de economizar os R$ 8 milhões, ainda ganharia R$ 15 milhões reciclando, inclusive o lixo orgânico, com a vantagem de que um centro de reciclagem tem uma área sete mil vezes menor que a de um aterro sanitário. O problema é que a reciclagem não agrada a todos os setores da economia. Há grandes corporações com interesses econômicos diretamente relacionados ao aumento da produção do lixo. Basta lembrar que a maioria das companhias de limpeza pública terceirizadas cobram por tonelada de lixo coletada. Além disso, aterros sanitários controlados têm atraído investidores internacionais ao Brasil, de olho no mercado internacional de créditos de carbono. |
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Também há os fabricantes de embalagens que não se interessam, por motivosóbvios, em criar produtos retornáveis. Para todos esses ramos da economia, diminuir a quantidade de lixo representa ganhar menos dinheiro.
Interesses poderosos não deixaram e não deixam que o Brasil tenha até hoje uma política nacional de tratamento de resíduos sólidos. São necessárias mudanças educacionais e culturais em todos os níveis a fim de que o Brasil evolua nessa questão. Para que o capitalismo moderno não seja soterrado pelo seu próprio lixo, são recomendadas as seguintes diretrizes básicas: primeiro, consumir menos e racionalmente; segundo devemos reduzir a produção de resíduos; terceiro, reciclar e reutilizar o lixo que for produzido e, por fim, tratar o que não puder ser reaproveitado. O empobrecimento da Terra Um fato grave já detectado é o empobrecimento generalizado do planeta devido à industrialização selvagem e ao consumo irracional que vem sendo feito dos recursos da terra. A poluição continua grave e a produção de resíduos é superior à capacidade de reciclá-los. O futuro poderá ser catastrófico, se não se corrigirem urgentemente os estragos causados à natureza. Em 2050, numa população mundial prevista de 9,5 bilhões de pessoas, de 1 a 2,5 bilhões terão problemas de escassez de água potável. Hoje, já são 132 milhões. |
Atualmente existe certa preocupação em produzir de forma sustentável, diminuindo o consumo excessivo com água, com energia e outros recursos naturais. Entretanto do outro lado, há um apelo à compra, ao consumismo o que acaba por neutralizar as ações positivas da produção.
Quando desgasta os recursos renováveis, o consumo desordenado contamina o meio ambiente, satisfaz necessidades manifestamente supérfluas e afasta-se das necessidades legítimas da vida numa sociedade moderna. Não há possibilidade de termos um planeta equilibrado sem nos educarmos para o consumo. Temos que estar “vacinados” contra a busca da felicidade no bem material, como o banho de loja ou a compra de produtos supérfluos. Os países em desenvolvimento são capazes de "saltar" por cima das armadilhas do crescimento de estilo ocidental, voltando-se para fontes energéticas abundantes e não poluentes, para uma produção de cereais com gastos de energia menos intensivos e para processos de manufatura mais limpos que evitem os altos custos da limpeza ambiental atualmente praticada em muitos países. Em 1992 realizou-se no Rio de Janeiro uma cimeira onde se definiu que a eliminação do consumismo deveria ser das tarefas principais a serem efetuadas pela humanidade, pois só assim se poderia salvar o planeta para a catástrofe que se avizinha. Já se passaram 16 anos desde a realização daquela cimeira convocada pelas Nações Unidas, e descontando as centenas de discursos, os compromissos e as mil promessas dos governantes dos países ricos e industrializados, a verdade é que muito pouco se fez. Enquanto isso, a consciência do perigo mortal vai crescendo e os efeitos da deterioração ambiental multiplicam-se. Precisamos passar de uma sociedade de Produção Industrial, consumista e individualista, que sacrifica os ecossistemas e penaliza as pessoas, destruindo a sócio-biodiversidade, para uma Sociedade de Sustentação de Toda a Vida, que se oriente por um modo socialmente justo e ecologicamente sustentável de viver. É necessário não poluir, não esbanjar água, energia entre outros recursos, mas principalmente e imprescindível racionalizar o consumo e de preferência consumir produtos que poluam menos e que explorem menos a natureza. Cada indivíduo pode participar da construção de uma sociedade melhor quando respeita o próximo no trânsito, quando respeita o companheiro ou a companheira nas relações de intimidade, quando diminui o consumo do que não é necessário, quando recicla o lixo, quando não desperdiça recursos naturais. A terra pode oferecer o suficiente pra satisfazer as necessidades de todos os homens, mas não a ganância de todos os homens. |