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Queimadas


As queimadas são incêndios propositais, provocados pelo homem, para eliminar a vegetação de um terreno para a utilização em agricultura ou pasto. As queimadas prejudicam o solo e destroem os hábitats dos animais. As queimadas agrícolas não são sinônimos de incêndios florestais. Incêndio florestal é o fogo fora de controle, em lugar e local indesejado, pelo qual ninguém se responsabiliza. Incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios solares, por exemplo.

Queimada agrícola é o fogo controlado, que tem hora e local escolhido pelo agricultor que tem como objetivo controlar pragas, renovar pastagens, preparar áreas para colheitas e plantio. É uma antiga e corriqueira prática agropastoril ou florestal por tratar-se de uma alternativa geralmente eficiente, rápida e de custo relativamente baixo quando comparada a outras técnicas que podem ser utilizadas para o mesmo fim. Normalmente é utilizada de forma controlada pelos que ainda têm esse costume, sob condições ambientais que permitam que o fogo se mantenha confinado à área que será utilizada para a agricultura ou pecuária. Quando a queimada é realizada de uma forma inadequada, pode dar origem a um incêndio na área rural ou um incêndio florestal.

Outro conceito importante é o de foco de calor. Consiste em qualquer temperatura registrada acima de 47ºC. Um foco de calor não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio.
queimada

Os mitos

Muitos ainda acreditam que a queimada é indispensável. Normalmente, usa-se o fogo na formação de novas áreas para agricultura ou pastagem. Quando a formação é feita de forma correta, o uso do fogo torna-se desnecessário. Hoje, com as tecnologias existentes é possível chegar a 3,5 unidade animal por hectare (ua/h). Há 20 anos, a taxa era de apenas 0,5 ua/ha. A prática da queimada ainda persiste devido à deficiência educacional para grande parte dos produtores e trabalhadores rurais.

Ainda é normal os produtores e trabalhadores rurais usarem a queimada no manejo das pastagens com a finalidade de controlar as plantas invasoras, para eliminar o capim velho e controlar a incidência de pragas e doenças. No entanto, esta prática não é eficaz e a falta de informação cria mitos que prejudicam o produtor e o meio ambiente.

Não é verdade que o fogo controla as plantas invasoras nas pastagens. Na época da queima do pasto, as plantas invasoras já produziram sementes e a queimada do pasto na época mais seca do ano mata as plantas invasoras e a pastagem. Após as primeiras chuvas, o fogo queima as folhas e galhos das plantas invasoras, mas as raízes ficam vivas e rebrotam. Assim, o fogo “limpa” o solo, destrói a matéria orgânica (húmus) e estimula a germinação das sementes das plantas invasoras, junto com as sementes do capim. A queimada mata os microorganismos do solo que ajudam na decomposição e transformação dos resíduos da pastagem em adubo orgânico. Não é necessário queimar o pasto para eliminar o capim passado e estimular a rebrota.

Também é falsa a afirmação de que o fogo também não é eficiente no controle da cigarrinha-das-pastagens. Para o controle da cigarrinha, algumas práticas são recomendadas, tais como: a retirada do gado, deixando o pasto em repouso; plantar vários tipos de capim e consorciar as pastagens com leguminosas; utilizar alguns capins mais tolerantes ou resistentes à cigarrinha.

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pastagem

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Outro mito é dizer que o fogo é eficiente no controle da contaminação de carrapatos e vermes nas pastagens. O fogo elimina os carrapatos e vermes que estão contaminando o pasto naquele momento. Porém, assim que os animais voltam ao pasto já rebrotado, este é novamente contaminado. A mudança do gado de pasto, a aplicação de carrapaticidas e vermicidas nos animais, associados com períodos de descanso das pastagens superiores a 22 dias, quebram o ciclo e reduzem a infestação de carrapatos e vermes. Por isso tudo, para se ter pastos de boa qualidade, não é necessário queimar. Basta manejo adequado.

Para evitar o aparecimento de plantas invasoras, o pasto deve ser manejado de forma correta. O consórcio de capins e leguminosas reduzem o risco de doenças e pragas. Evite o superpastejo colocando o número correto de animais de acordo com a capacidade de suporte de cada tipo de forrageira. A divisão dos pastos em piquetes e a rotação permitem que as plantas forrageiras se recuperem, garantindo a produtividade da área. Elimine as plantas invasoras antes da época da floração.

A prática secular de limpar campos com fogo, costuma fugir ao controle e transforma em cinzas grandes riquezas naturais. O fogo acompanha o homem desde o aparecimento da espécie no planeta. Do temor ante o vômito dos vulcões e da impotência diante dos raios, o ser humano passou a depender do fogo para variadas funções, o preparo dos alimentos, a produção de calor ambiente, a destruição purificadora de restos e até a fusão de materiais. Tudo isso, mantendo o processo sob controle e restrito aos objetivos apropriados. Um uso, porém, continua impondo riscos, pois tende sempre a fugir ao controle e a deixar amargas marcas na paisagem: o fogo aplicado à limpeza de terrenos para uso agrícola. Por descuido humano ou acidente natural, as chamas deixam rastros dolorosos por onde passam, guiadas pelos ventos, ajudadas pela baixa umidade, alimentadas pela vegetação.

Essas queimadas ajudam a enfraquecer a vida. Atacam o conjunto de elementos vitais que se condensa no conceito de biodiversidade. Mesmo que tudo rebrote, que a vida ali recomece, já não será o mesmo viço, e a cada vez, será menor. O pedaço de mata que se foi pode até voltar, mas já  não  abrigará  a  mesma  intensidade  de  vida  animal  e
vegetal e a terra sequer terá a mesma fertilidade. Enquanto cresce – se crescer – deixa desprotegida a faixa arborizada vizinha, que sofrerá com alterações de luminosidade, de umidade e calor. O processo de desestruturação é lento, às vezes muito mais lento do que podem perceber algumas gerações de pessoas compelidas a produzir em terras tomadas até de milenares conjuntos da vegetação.

E os efeitos se estendem ao clima, ao regime de chuvas, aos ciclos dos rios. As graves constatações dos cientistas quanto ao avanço da desertificação no mundo talvez seja o reconhecimento atual daquele lento processo de destruição, que gerações sucessivas não foram capazes de reconhecer em seus ambientes cada vez mais deteriorados e impossibilitados de recuperação.

Impacto ambiental das queimadas

O impacto ambiental das queimadas envolve a fertilidade dos solos, a destruição da biodiversidade, a fragilização de agroecossistemas, a destruição de linhas de transmissão e outras formas de patrimônio público e privado, a produção de gases nocivos à saúde humana, a diminuição da visibilidade atmosférica, o aumento de acidentes em estradas e a limitação do tráfego aéreo, entre outros.

As queimadas interferem diretamente na qualidade do ar, na física, na química e na biologia dos solos, na vegetação atingida pelo fogo e indiretamente podem afetar os recursos hídricos. São muitos os tipos de queimadas, envolvendo vegetações diferentes. Uma pastagem adubada pode gerar determinados gases, em particular óxidos nítricos, em quantidade muito superior a de uma pastagem que não recebeu fertilizantes. As condições meteorológicas (presença de vento, temperatura ambiente), o relevo e a hora da queimada são condicionantes da temperatura atingida pelo fogo e do tempo necessário para a queima total do material vegetal disponível.

Em função da temperatura e do tempo, os gases gerados podem ter uma natureza muito diferente (mais ou menos oxidados). O mesmo ocorre no tocante à biologia do solo. Em função da hora da queimada (de dia ou de noite, ao meio-dia ou ao entardecer), as reações fotoquímicas ao nível das emissões gasosas serão diferenciadas.

Não é possível generalizar sobre os impactos ambientais das queimadas. Mas o fato da maioria das queimadas ser de natureza agrícola, indica uma considerável contribuição de suas emissões de carbono no problema do efeito estufa. A maioria do carbono emitido pelas queimadas no inverno é retirada da atmosfera no verão, quando a vegetação está em fase de crescimento.

Dada a complexidade do tema e o caráter agrícola dominante das queimadas pode-se perguntar qual o custo-benefício dessa tecnologia da era neolítica utilizada amplamente pela agricultura brasileira. Nesse aspecto os contrastes nacionais são enormes. Um exemplo basta para ilustrar essa situação. São Paulo e Paraná respondem por quase 50% da produção agrícola nacional e contribuem em média com 2% das queimadas. Já o Mato Grosso, sozinho, contribui com quase 20% das queimadas do País (o dobro do total das regiões Sul e Sudeste juntas) para uma produção agrícola muito limitada.

Quando a floresta explorada é queimada, geralmente por um fogo rasteiro de poucos centímetros de altura, cerca de 40% das árvores morrem. Se o incêndio volta a ocorrer na mesma área, mais de 70% das árvores são eliminadas. Na Amazônia, entre 10 mil e 15 mil km2 são explorados anualmente para a retirada de madeira, o que representa uma área enorme propícia à ocorrência ao fogo florestal.

Este cenário de incêndios florestais poderá ser agravado no futuro se o desmatamento na região prosseguir no atual curso, considerando que quase  a  metade de toda a chuva
combate a incêndio florestal

incêndio florestal
que cai na região é produzida pela floresta através da evapotranspiração, e que a substituição da floresta por outros sistemas poderá resultar em sucessivos aumentos dos incêndios florestais.

A mudança desse cenário futuro de aumentos na incidência dos incêndios florestais na Amazônia passa, necessariamente, muito mais pelo avanço das técnicas de prevenção do incêndio florestal, aliadas a mudanças de posturas socioeconômicas ligadas ao uso do fogo, do que propriamente pelo seu combate.

O fogo tem sido um instrumento barato e eficiente de manejo no sistema produtivo e que, por falta de alternativas para sua substituição, vem sendo amplamente utilizado pelos agricultores. Um proprietário somente investirá em prevenção, se o investimento gerar benefícios adicionais, que são ainda pequenos, se levado em conta o cenário agrícola do país, principalmente da região Amazônica, ainda com abundância de terra barata e de uma produção extensiva de baixo retorno financeiro.

Também é preciso gerar políticas de prevenção que não dependam tanto da fiscalização. É possível capacitar comunidades de agricultores de modo a criar um autocontrole no uso do fogo e de propiciar a execução conjunta de programas de prevenção de incêndios florestais.

Mas o maior desafio está em reconhecer a importância do serviço ecológico prestado pela floresta: manter o clima, a fertilidade do solo, os recursos hídricos, a biodiversidade e ajustar o desenvolvimento de modo a preservar tal condição e, assim, manter o ecossistema livre do fogo, o qual representa hoje um dos principais agentes de alteração da paisagem e degradação ambiental e sócio-econômica.

solo


queimadas
Benefício ou Crime

Confundidas freqüentemente com incêndios florestais, as queimadas são também associadas ao desmatamento. Na realidade, mais de 95% delas ocorrem em áreas já desmatadas, caracterizadas como queimadas agrícolas. Os agricultores queimam resíduos de colheita para combater pragas, como as provocadas pelo bicudo do algodão, para reduzir as populações de carrapatos ou para renovar as pastagens. O fogo também é utilizado para limpar algumas lavouras e facilitar a colheita, como no caso da cana-de-açúcar, cuja palha é queimada antes da safra. Áreas de pastagem extensiva, como os cerrados, também são queimadas por agricultores e pecuaristas.

Apenas uma pequena parte das queimadas detectadas no Brasil está associada ao desmatamento. No caso da Amazônia, o fogo é visto como o único meio viável para eliminar a massa vegetal e liberar áreas de solo nu para plantio. Mesmo assim são necessários cerca de oito anos para que a área fique limpa para a prática agrícola. Apenas uma pequena parte (menos de 5%) da madeira das áreas desmatadas foi comercializada - ou seja, a finalidade da queimada não é o comércio, mas a limpeza de áreas.

A dimensão das queimadas na região tropical tem provocado preocupação e polêmica em âmbito nacional e internacional. Aproximadamente 30% delas ocorrem na Amazônia, principalmente no sul e sudeste da região.

As doenças provocadas pela fumaça das queimadas e seus constituintes, são aquelas comuns das vias respiratórias, agravadas pelas cancerígenas dioxinas (quando existe plástico envolvido) e pelo efeito do calor emanado do fogo, que pode ultrapassar os 600º C.

O fogo extermina centenas de espécies animais e vegetais, que nem se quer são ainda conhecidas pela ciência e, quando não mata, expulsa para os povoados e cidades mais próximas, os animais que conseguiram sobreviver às chamas, muitos peçonhentos e/ou perigosos.

O fogo provoca a perda de minerais do solo. Cerca de 90% deles vão para o espaço junto com a fumaça, em forma de gás carbônico e cinzas, prejudicando inclusive o clima. As queimadas prejudicam o solo, pois além de destruir toda a vegetação, o fogo também acaba com nutrientes e com os minúsculos seres (decompositores) que atuam na decomposição dos restos de plantas e animais. Favorecem a erosão, concorrendo para o assoreamento dos rios e o agravamento dos fenômenos El Ninõ. Em outras palavras, o fogo agrícola ou florestal contribui para o efeito estufa devido à emissão de dióxido de carbono, monóxido de carbono e óxido de nitrogênio. O incremento do efeito estufa altera o clima e a ocorrência de secas prolongadas, facilitando a dispersão do fogo.

Nas regiões onde as queimadas são frequentes e extensivas, como na Amazônia e no Centro Oeste, é comum a falta de visibilidade provocada pela fumaça, interromper por várias horas o tráfego aéreo.

São necessários algumas décadas para recompor o cenário e a prova de que as catástrofes ambientais não podem ficar à mercê de tanta burocracia. Os altos riscos de incêndio se devem a três razões conjugadas. Os efeitos da seca provocada pelo El Ninõ, o aumento da exploração madeireira e as condições do solo. Nas áreas de alto risco de queimadas a ocorrência de água em uma profundidade de até cinco metros de solo é zero.

A legislação ambiental brasileira contempla sanções aplicáveis às infrações contra a flora por uso de fogo. São considerados crimes: destruir ou danificar florestas consideradas de preservação permanente, mesmo que em formação, ou utiliza-las com infringência das normas de proteção; provocar incêndio em mata ou floresta; fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndio às florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano; impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas ou demais formas de vegetação; destruir ou danificar florestas nativas ou plantadas ou vegetação fixadora de dunas, protetora de mangues, objeto de especial preservação; fazer uso de fogo em áreas agropastoris sem autorização do órgão competente ou em desacordo com a obtida.

A legislação não proíbe as queimadas, mas impõem condições para que elas aconteçam de maneira segura. Toda a queimada precisa ser autorizada previamente pelo órgão ambiental. Deve-se estar ciente de que é proíbido:


   - fazer qualquer tipo de queimada a menos de 15 m dos    limites das faixas de segurança das linhas de transmissão    e distribuição de energia elétrica;
   - em uma faixa de 100 m ao redor da área de domínio de    subestação de energia elétrica;
   - em uma faixa de 50 m ao redor de uma unidade de    conservação;
   - em uma faixa de 15 m de cada lado de rodovias    estaduais e federais e de ferrovias;


Quem não respeitar as condições impostas pela lei ficará sujeito às seguintes penalidades:


   - obrigação de reparar qualquer dano ambiental;
   - perda ou restrição de benefícios concedidos pelo Poder    Público;
   - pagamento de multas;
   - perda ou suspensão de linhas de financiamento em    estabelecimentos oficiais de crédito do Estado;
   - processo criminal, com o dispositivo da Lei de Crimes    Ambientais (Lei Federal n. 6.905/98).



Tecnologias

A análise de risco de ocorrência de queimadas e incêndios florestais pode ser feita de uma forma eficaz utilizando-se técnicas de geoprocessamento, como sensoriamento remoto e sistemas de informações geográficas, na geração de mapas de risco. Essa análise é realizada por meio de modelagem cartográfica, levando-se em conta os fatores envolvidos no risco de início e propagação de incêndios, tais como: condição da cobertura vegetal, condições meteorológicas, características do relevo, atividades antrópicas, etc.

Com as informações oferecidas pelos mapas de risco, várias medidas podem ser tomadas para reduzir a ocorrência de queimadas e incêndios, como maior vigilância e restrição do acesso a esses locais, construção de aceiros preventivos e reorganização das práticas de manejo (corte, desbaste, limpeza, etc.). Também devem ser tomadas medidas de auxílio ao combate, como construção de estradas de acesso rápido aos locais de risco e alocação de recursos de combate em pontos estratégicos.

O Brasil é um dos únicos países do mundo a dispor de um sistema orbital de monitoramento de queimadas absolutamente operacional. Dezenas de mapas de localização são gerados por semana, durante o inverno, e, neste trabalho, são apresentados dados quantitativos do monitoramento orbital das queimadas ocorridas na Amazônia. O monitoramento é fruto de uma colaboração científica multiinstitucional, envolvendo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Núcleo de Monitoramento Ambiental - NMA/EMBRAPA, a Ecoforça - Pesquisa e Desenvolvimento e a Agência Estado (AE). Os resultados estão sendo obtidos graças ao estudo diário de imagens dos satélites norte-americanos da série NOAA, de responsabilidade da U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration.

Outro fator de risco é a exploração não-manejada de madeira. Quando uma árvore de valor comercial é derrubada, 20 outras são danificadas, resultando na abertura de várias clareiras na mata. Um maior número de clareiras por sua vez aumenta a vulnerabilidade da floresta a incêndios rasteiros durante a época de seca, pois permitem que os raios solares atinjam o interior da mata, tornando-a mais suscetível ao fogo.

Na Amazônia, o monitoramento de queimadas por satélite tem demonstrado que os anos muito secos causam problemas extras, as queimadas feitas pelo homem em área derrubadas fogem ao controle com mais facilidade penetram na floresta. Abrem-se grandes frentes de incêndios, especialmente quando há trilhas de caças e de coleta extrativista.



Conscientização e prevenção

Os milhares de focos de todos os tipos e extensões, registrados no período seco no outono-inverno (março a setembro) em geral se reduzem no período úmido da primavera-verão (setembro a março) e os especialistas sabem que a maior umidade é praticamente uma garantia de que haverá poucos incêndios fora de controle.

As causas mais freqüentes do fogo estão relacionadas a ações criminosas e também às queimadas feitas para preparo de solo, além daquelas produzidas em pastagens ou outras culturas agrícolas com o objetivo de controle fitossanitário. A situação é agravada pelo período de seca.

É urgente a implementação de campanhas de esclarecimento junto à população, especialmente a rural, com o objetivo de conscientizá-la para atitudes corretas quanto ao problema dos incêndios. O ser humano é o maior responsável pelas queimadas e incêndios florestais. Por isso a importância de programas permanentes de educação ambiental, visando a conscientização sobre os prejuízos decorrentes das queimadas e a vantagem de se utilizar outras técnicas agrícolas mais modernas.

A conscientização das pessoas é um importante passo, e a prevenção pode ser feita nas escolas, imprensa, instituições sociais. Para isso é importante aproveitar cada oportunidade e prejuízos causados pelo fogo.

As diversas instituições relacionadas com a gestão ambiental e desenvolvimento agropecuário  e agrário devem
atuar juntas na educação e prevenção e apresentarem aos agricultores alternativas de preparo da terra sem o uso do fogo – prática muito difundida em todo o país. Tais práticas precisam estar prontamente disponíveis aos agricultores através de campanhas nacionais de divulgação.

O objetivo da prevenção é impedir que o fogo comece, pois o combate às chamas nem sempre tem condições de ser realizado com êxito. Mas, se iniciado, o importante é que o fogo não se alastre. Para isso, é preciso levar em consideração as condições da área, a conscientização do perigo das queimadas e uma eficiente fiscalização.

Para ocorrer um incêndio é necessário que um material combustível (papel, folhas, álcool, gasolina, tecidos, etc.) tenha a sua temperatura aumentada devido ao calor, além de ser indispensável á presença do ar (oxigênio – O2).

Dependendo do relevo do terreno, o fogo se alastra morro acima, o ar quente tende a subir secando os combustíveis que encontra pela frente. Folhas e ramos são mais fáceis de queimar, plantas vivas queimam com muito mais facilidade e troncos, galhos e raízes queimam mais devagar.

As condições climáticas também influenciam muito, o ar seco faz com que a combustão aconteça rapidamente e o vento aumenta a velocidade do fogo.

O conhecimento do terreno através de mapas, plantas topográficas, dados climatológicos, estradas, acessos, aceiros e mananciais de água próximos irá facilitar a ação dos bombeiros e da brigada em caso de incêndio, principalmente se isso for feito fora do período chuvoso, de maio a setembro.

Sinalizar o risco de incêndio pode ser feito através de cartazes, placas ou painéis em pontos estratégicos. É importante, nos períodos críticos, que a vigilância e monitoramento sejam feitos através de torres bem equipadas e com apoio da própria população.

Agindo em parceria com empresas reflorestadoras ou agrícolas, indústrias e prefeituras, os incêndios serão evitados e um eventual combate surtirá melhores resultados.

O Corpo de Bombeiros e as Brigadas Voluntárias de Combate a Incêndios Florestais devem sempre ser avisados o mais depressa possível em casos de incêndio. É bom lembrar que o trabalho pesado deve ser deixado para pessoas capacitadas. O Corpo de Bombeiros oferece treinamento gratuito para Brigada de Incêndio. Para participar como voluntário, basta estar bem preparado fisicamente, capacitado tecnicamente e consciente da importância dessa tarefa.

Lembre-se: onde há fumaça, há fogo!

É fácil começar um incêndio: um cigarro, uma fagulha de fogueira, um balão caindo, um descuido e pronto! Uma floresta acaba virando fumaça. E todo um ecossistema é perdido!

Para que isso não aconteça, o melhor é não começar o fogo. Se ele se alastrar, ficará difícil apagá-lo.

No período de junho a outubro, quando a umidade do ar diminui, os riscos de incêndio são maiores. Redobre a atenção contra descuidos e fique atento a qualquer sinal de incêndio. Prevenir é melhor do que apagar.

- evite soltar fogos de artifícios próximo de áreas florestais;
- os serviços de combate a incêndios florestais e de Defesa Civil precisam de voluntários, seja um, procure pelos órgãos de sua região;
- ajude o meio ambiente. Comente com seus parentes, amigos e vizinhos para que não soltem balões. Lembre-se: soltar balões é crime
bombeiros

balão
- evite fazer fogueiras. Se isso for extremamente necessário, procure um local mais isolado e limpo de vegetação;
- em acampamentos em geral se tiver sido feita uma fogueira, após apagá-la, remova as cinzas de maneira a ter certeza de que foi extinta;
- não faça queimadas. Procure outras técnicas de limpeza do terreno;
- mantenha a divisa de sua propriedade rural aceirada. Isso pode evitar que possíveis incêndios nas propriedades vizinhas passem para a sua e vice-versa;
- incêndios florestais e queimadas poluem o meio ambiente, alteram o ecossistema e podem provocar acidentes rodoviários;
- antes de utilizar fogo na mata, com qualquer intenção, reflita quantas vidas serão ceifadas. Preserve as matas, preserve a vida;
- ao notar um incêndio próximo da rodovia procure telefonar para uma autoridade, isso pode evitar um acidente rodoviário devido à fumaça;
- não queime o lixo. Recicle-o. A queima de lixo produz fumaça tóxica que pode causar sérios problemas à saúde das pessoas além de produzir fuligens que sujam e causam transtornos, principalmente nas áreas urbanas;
- nunca jogue restos de cigarros pela janela de seu veículo pois polui o ambiente e pode dar início a um incêndio florestal. Aliás, já pensou em parar de fumar? Vale a pena;
- cidadania é respeitar o direito do próximo, observar e cumprir os deveres e respeitar a natureza e o patrimônio público e privado.

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